Estranha neura e um psicopata

Hoje cedo fui a uma padaria para tomar café com duas amigas após uma reunião do nosso grupo de estudos da faculdade. Fizemos o pedido e nos dirigimos à mesa para esperar a nossa refeição ficar pronta. Começamos a conversar sobre as provas que estavam por vir e eu como sempre uma observadora vi que um senhor da mesa ao lado não parava de nos olhar


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Hoje cedo fui a uma padaria para tomar café com duas amigas após uma reunião do nosso grupo de estudos da faculdade. Fizemos o pedido e nos dirigimos à mesa para esperar a nossa refeição ficar pronta. Começamos a conversar sobre as provas que estavam por vir e eu como sempre uma observadora vi que um senhor da mesa ao lado não parava de nos olhar. Quando já estava ficando incomodada, minhas amigas perceberam que ele estava olhando fixamente para nós três e uma falou: nossa como ele é bonito. Realmente, ele era muito charmoso, cabelo branco, olhos azuis e um sorriso cativante, mas sou comprometida e não costumo socializar com quem não conheço, afinal não tenho bola de cristal para saber a real intenção de uma pessoa estranha, eu fingi não ter reparado nele para que minhas amigas parassem de comentar.

Percebi que ele mudou de lugar em sua mesa e sentou em uma cadeira mais próxima a nossa, mas continuou atento em sua refeição. Após cinco minutos, ele perguntou a Fernanda (uma das minhas amigas) se poderia sentar em nossa mesa por não gostar de comer sozinho. Ela disse que sim e ele em um rápido movimento veio a sentar-se conosco. Fiquei incomodada ainda mais com tamanha ousadia que não conseguia nem olhar no rosto dele, mas fui voto vencido, já que as meninas o queriam na mesa.

Ao sentar foi logo perguntando onde nós estudávamos e Andréia (minha outra amiga) respondeu de forma rápida e direta: na universidade federal da cidade. Ele então começou a falar que estava prestando uma enorme atenção ao que eu e minhas amigas estávamos conversando e disse que era professor de outra universidade aqui da cidade e que lecionava a matéria de ciências biológicas e da saúde, que seu nome era Francisco e que a nossa conversa despertou interesse nele. Pediu desculpas a mim porque viu que estava incomodada com a sua presença, mas não foi embora, mesmo sabendo que não o queria por perto.

Francisco perguntou se nós sabíamos a diferença entre desejo e vontade, com nossa negativa ele começou a explicar de uma forma meio estranha. Disse que vontade é aquilo que você quer e que desejo é aquilo que você vive. Continuamos a não entender nada, então ele exemplificou assim: um homem quer atravessar a rua, então sua vontade era atravessar a rua, mas enquanto ele atravessava caiu um meteoro em sua cabeça e o matou então ele morreu porque tinha o desejo de morrer. Eu continuei a entender nada e fiquei achando esse homem um louco.

Quando terminou de explicar comecei a prestar mais atenção nele, na forma como ele gesticulava ao falar e como ele olhava fixamente nos olhos. Como eu não o queria na mesa, não estava olhando para seu rosto e quando comecei a repará-lo fiquei com uma sensação estranha, de forma que parei o meu café para acompanhar aquela conversa estranha.

Começou a falar outra coisa que não fazia sentido aquele momento, mas não interrompi para ver onde ele queria chegar. Assim, foi falando que uma criança nasce pura e que são os adultos que a perverte. E não parou por ai, começou a indagar que existem três níveis de perversão, a perversão alta que está dividida em pedofilia e travesti, perversão média que é a neurose e perversão baixa que é a psicopatia. Quando achei que ele acabara sua tese, completou dizendo que a psicopatia não é uma doença, porque o psicopata faz a vitima acreditar que ela tinha o desejo de morrer, então ele mata porque a vítima queria ser morta.

Então, eu percebi que com seu discurso e a forma como olhava nos olhos, ele tinha o perfil de um psicopata, porque com sua postura elegante, retórica firme e cativante e seu olhar intimidador, conseguiu seduzir intelectualmente a Fernanda e a Andréia de uma forma que elas não conseguiam parar de olhar fixamente para ele, mesmo não sabendo se o que ele estava falando era verdade, mas como discursava bem e se mostrava ser mais inteligente que nós três juntas, elas acreditavam em cada palavra que proferia.

Chamei minhas amigas para ir e ele insistia que ficássemos, mas eu disse que não porque tínhamos que pegar o ônibus em dez minutos. Eles trocaram telefone e partimos cada uma com um sorriso que não cabia dentro da boca e com uma boca que não parava de falar como aquele homem era incrível. Nossa, foi o caminho todo falando como ele era bonito, inteligente, sensível e até romântico, caramba o cara só falou coisas estranhas e sem sentido e elas não paravam de chamá-lo de o homem da vida delas, começaram até a brigar entre si quem ligaria primeiro para ele.

Como falei anteriormente, não me prendi ao que ele falou e assim pude alertar e abrir os olhos das minhas amigas que não paravam de discutir por um homem que mal conheciam e mal sabiam nada de sua vida. Comecei a perguntar a elas qual a garantia de que era um professor universitário e qual seria a sua verdadeira intenção com elas. Por estarem tão apaixonadas por ele, foram capazes de falar que ele queria um relacionamento sério e eu perguntei com as duas? Sorri e disse que ele falou para nós o que era psicopatia na sua visão e fez com elas o que falou, fez acreditar que tudo o que ele falou era verdade.

Eu não sei quem ele é, não sei o que realmente queira e não sei se era um psicopata, mas consegui convencer minhas amigas a jogar fora o numero dele e parar de falar nesse senhor estranho. Pode ter sido paranóia minha, uma neura mesmo sabe, daquela que nos faz cegos ao ponto de só a nossa opinião ser a correta. Entretanto, nada me garantia de que poderia ser um psicopata, que estava em uma padaria de manhã tomando café, viu três meninas e quis alimentar seu ego, falando coisas que sabia que elas não sabiam e que por elas não saberem iam ficar babando por tudo que falasse e após conseguir a confiança fazer coisas que vocês sabem que um psicopata faz e que não precisa ser ditas aqui.


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