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Se vale a pena fazer, vale a pena exagerar.

Gabriel Oro

As pessoas costumam dizer que, se vale a pena fazer, vale a pena fazer bem feito. Eu já acho que se vale a pena fazer bem feito, vale a pena exagerar também. Acompanhe aqui outros exageros literários como este, todas as semanas

Os livros preferidos dos seus escritores preferidos

Alguns dos maiores e mais populares escritores da história deixam suas recomendações de leitura para as próximas gerações.


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Começar um livro é um compromisso. Você investe uma boa quantia de seu precioso tempinho até chegar na parte em que decidiu se gosta da obra ou não e, caso o livro não valha a pena, as horas investidas são bem superiores a um filme, por exemplo. Mas essa moeda tem dois lados: quando rola um sentimento, quando o livro bate, nem o melhor diretor do mundo conseguiria te prender tanto na história. Por isso que muitas vezes recorremos às recomendações das pessoas em quem confiamos sobre novos livros e autores, e quem melhor pra dar essas recomendações que os próprios escritores de seus livros preferidos? Essas são as melhores obras, segundo alguns dos grandes escritores da história:

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Stephen King

O Romance preferido do escritor americano, mestre do terror e do suspense, é de um compatriota que também figura nessa lista: Mark Twain. O livro em questão é o magnum opus de Twain: As Aventuras de Huckleberry Finn. Mas essa recomendação é um tanto usual, considerando que Huck Finn é uma das obras máximas da literatura americana. Mais interessante talvez seja a admiração que King nutre por Os Versos Satânicos, do escritor indiano Salman Rushdie, um livro polêmico, mas muito aclamado internacionalmente.

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Ernest Hemingway

Hemingway era um leitor ávido, talvez até mais do que escrevendo. E olha que é de um ganhador do Nobel da Literatura que estamos falando. Como alguém que constantemente estava lendo seis ou sete livros diferentes, escolher um só seria muito difícil, e ele sempre respondeu à questão do liivro preferido com listas de inúmeros títulos. Os grandes russos aparecem várias vezes, Tolstoy com Guerra e Paz e Anna Karenina, e Dostoyevsky com Os Irmãos Karamazov. Ele também recomenda Dublinenses de James Joyce e Madame Bovary, de Flaubert. Vale destacar que Hemingway também fez uma seleção de livros para jovens escritores, que você encontra aqui.

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J. R. R Tolkien

Todo escritor de sucesso no gênero da fantasia que veio após Tolkien, vai citar o criador de O Senhor dos Anéis como um de seus favoritos. Mas e ele, o dono do gênero, era fã de quem? Apesar de não ter explicitado seu livro preferido, o inglês sul-africano era um grande admirador do trabalho de Mary Renault, em especial O Rei deve morrer, livro que conta a lenda de Teseu, história da mitologia grega. Tolkien também escreveu que era apaixonado pela Kalevala, um compilado de histórias de mitologia nórdica da Finlândia, reunido no século XIX por Elias Lönnrot. Tudo a ver com ele.

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J. K. Rowling

Rowling não faz segredo da admiração pela compatriota Jane Austen, sua escritora preferida. Austen é mais famosa pela obra Orgulho e Preconceito, mas de todos os seus livros, Emma é o número um para a autora de Morte Súbita e da série Harry Potter. Além de Austen, JK também é uma grande fã do irlandês Roddy Doyle, aliás, dentre os escritores vivos, é o seu favorito. Roddy escreveu Paddy Clarke Ha Ha Ha, A mulher que ia contra as portas, e vários outros romances de grande sucesso.

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George R. R. Martin

Poucos escritores vivos possuem tantos fão como Gorge R. R. Martin, autor das Crônicas de Gelo e Fogo. Mas a recomendação de leitura de Martin é um pouco surpreendente: o francês Maurice Druon, famoso no Brasil justamente pelo seu único livro infantil (O Menino do Dedo Verde, até hoje muito comum em bibliotecas escolares). Mais próximo do estilo de fantasia medieval de Martin, está a série Os Reis Malditos, escrita por Druon entre as décadas de 50 e 70, que acompanham gerações da família real francesa no século XIV. George também é um grande fã de Tolkien, H.P. Lovecraft e Robert E. Howard. Ele também se deu ao trabalho de listar suas principais recomendações aqui.

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Mark Twain

Um escritor tão lembrado não podia ficar fora da lista. Twain é um dos grandes autores da história, e o estilo leve e atemporal de seus livros, ideais para serem lidos quando criança, mas complexos e bem escritos o bastante para conquistar qualquer adulto, geraram uma afeição muito forte entre várias gerações. O próprio Twain, no entanto, prefere os épicos em sua leitura pessoal, destacando nomes como Malory, Carlyle e Robert Browning. Também é um fã declarado da obra As Mil e Uma Noites. Sua recomendação mais valiosa talvez seja a que faz aos jovens leitores: Robinson Crusoe, de Daniel Defoe, e As Viagens de Gulliver de Jonathan Swift estão entre os favoritos.

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Virginia Woolf

O interessante sobre a autora de Mrs. Dalloway é que, além de apontar seus escritores preferidos, ela sempre foi bastante direta ao dar opiniões, por vezes impopulares, sobre os que estavam na outra ponta do espectro. Henry James por exemplo, autor aclamado na época, não impressionava Woolf de modo algum. Mas ela também sabia ser generosa com elogios, e assim o era com a obra do russo Fyodor Dostoevsky, para ela "Obviamente o maior escritor que já viveu". Os Irmãos Karamazov é considerada a grande obra de Dostoiévski, mas trata-se de uma leitura longa e densa. Alguns livros mais adequados para uma introdução ao autor seriam O Jogador ou Crime e Castigo.

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Alan Moore

O grande autor da história dos quadrinhos foi perguntado recentemente sobre seu livro favorito. A resposta só pode ser reproduzida inteiramente:

Perguntas como este deixam-me desconfortável por duas razões fundamentais. Em primeiro lugar, em qualquer lista dura e desqualificada que se desenrolaria até o final do nosso espaço alocado aqui, haverão graves omissões, que farão que eu acorde às 3 da manhã resmungando no tormento inútil da minha própria inadequação como amigo e leitor. Em segundo lugar, eu tendo a manter-me a uma distância remota, uma quarentena da maioria das notícias e de informações midiáticas do mundo. Dado o ano espectacular que este está a sendo para más notícias em ambos os lados do Atlântico, há uma ansiedade persistente sobre se todos os candidatos seguirão existindo ao fim do prazo. Com isso dito, segue uma lista dolorosamente incompleta de nomes que passa por minha mente neste momento específico: Pynchon; Coover; Neal Stephenson; Junot Díaz; Joe Hill; William Gibson; Bruce Sterling; Samuel R. Delany; Iain Sinclair; Brian Catling; Michael Moorcock (sua trilogia em curso "Whispering Swarm" é fantástica); Eimear McBride; o notável Steve Aylett, em especial pelo seu indispensável e silenciosamente radioativo "Heart of the Original"; Laura Hird; Geoff Ryman; M. John Harrison; a roteirista Amy Jump... Olha, ou eu paro agora ou continuo pra sempre. Eu já estou mortificado pela patética falta de mulheres escritoras representadas e vejo-me começando a incluir desculpas miseráveis ​​e distorcidas. Melhor pararmos por aqui...

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Luis Fernando Veríssimo

Infelizmente, as informações históricas sobre as preferências literárias dos autores brasileiros são escassas. Ao conceber este texto, o que mais me animou foi o pensamento de perseguir as obras preferidas de Machado de Assis, Nelson Rodrigues, Érico Veríssimo, Jorge Amado, João Cabral de Melo Neto, Cecília Meireles, enfim. Os autores brasileiros que moldaram minha mente como leitor e escritor. Mas as entrevistas são poucas e não falam dos assuntos certos. Clarice Lispector, imaginem só, teve uma única entrevista televisionada em sua vida — e só foi ao ar após sua morte.

Para minha alegria, um dos melhores escritores do continente na atualidade deixou registradas suas grandes recomendações. Luis Fernando Veríssimo aponta Tarzan dos Macacos, de Edgar Rice Burroughs, como o número 1 em sua lista de livros imperdíveis. O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald (para muitos o grande escritor da história norte-americana) e Lolita, do russo Vladimir Nabokov, também são destacadas pelo escritor. Mas não podia faltar uma recomendação brasileira, e essa fica por conta de O Tempo e o Vento, do Érico. E é uma recomendação adequada, é difícil imaginar uma obra brasileira que carrega uma representação tão forte e complexa sobre uma das tantas culturas do nosso país. Se ainda não leu, corre lá!

Se você acha que faltou alguém nessa lista, se já leu alguma das recomendações e quer dar sua opinião, ou se tem um livro que está pensando em ler mas fica em dúvida se vale a pena: deixe seu comentário e vamos conversar.


Gabriel Oro

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