educação fora da caixa

Explorações sobre aprendizagem livre e doutorado informal

Alex Bretas

Doutorando informal, aspirante a cantor e admirador das boas metáforas

Decidindo qual picolé

É muito difícil escolher qual picolé a gente quer. Rapidinho, todos derretem. Por isso, resolvi escrever sobre picolés e escolhas.

Tem tantos sabores incríveis, né?


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Existem picolés deliciosos dos mais diversos sabores, texturas, com recheios por dentro e casquinhas crocantes por fora. E eu amo picolés! Posso ficar cortejando vários deles e salivando por horas. Mas, o que ocorre é:

picolés derretem.

Não adianta, é da natureza picoleística, derreter e se transformar em algum líquido doce sem graça nenhuma. Decidir qual picolé eu quero — e continuar satisfeito com ele — não costuma ser tarefa fácil.

Como, então?

Vou te dizer como tenho feito, e não há absolutamente nenhuma garantia de que vai funcionar com você.

Primeiro, eu não poderia chupar todos os picolés do mundo. Não os conheço! Neste momento, tenho certeza que estou perdendo o exótico e inigualável picolé de vodka com chocolate suíço. Alguém está se deliciando com ele, eu não.

Mesmo se conhecesse, a comilança provavelmente faria de mim um gordo desenfreado com pouca energia pra fazer qualquer outra coisa.

Se o meu estômago só da conta de alguns, preciso escolher meticulosamente meus picolés, certo? Não! Pirar demais na decisão de qual picolé chupar é um jeito clássico de não ter nenhum picolé no final das contas.

Por isso, escolher bem significa também decidir ligeiro. Pra não deixar os picolés derreterem.

Mas, como decidir ligeiramente?

Pra mim, o melhor jeito é apostar em um, fechando os olhos pros outros. De preferência, um picolé que eu ainda não conheça, mas que tenha algum ingrediente de que gosto muito.

Tendo decidido, eu conto pra todo mundo que escolhi aquele delicioso picolé de pistache com doce de leite. Não só conto, como me comprometo publicamente a chupá-lo. Barganhar de si próprio é muito mais fácil do que barganhar dos outros.

Noutro dia eu experimento um outro picolé. Depois, mais um. (eu disse que adorava picolés, não disse?)

Há tempo e vida suficiente até pra criar novas receitas que juntem num mesmo picolé os sabores de que a gente mais gosta. Para se chegar à combinação perfeita, o único jeito é ir experimentando, um por vez.

Antes que todos os picolés derretam.

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Alex Bretas

Doutorando informal, aspirante a cantor e admirador das boas metáforas.
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