efeito borboleta

"pequenos nadas" movem o mundo

Sara Correia

Permitido Sofrer

Poucas pessoas compreendem porque se chora um bebé que não nasceu. A grande parte das mulheres que viveram este tipo de experiência, tem em comum um sentimento de vazio pela perda sofrida, mas também de solidão pela falta de apoio e compreensão dos outros. Mas sim, é permitido sofrer e é permitido amar. Para estas mães, dignificar a sua dor e homenagear o amor pelos seus bebés que desistiram de vir ao mundo, é a melhor forma de seguir em frente.


Poucas pessoas compreendem porque se chora um bebé que não nasceu.

A grande parte das mulheres que viveram este tipo de experiência, tem em comum um sentimento de vazio pela perda sofrida, mas também de solidão pela falta de apoio e compreensão dos outros. São mulheres que relatam sentir-se à margem de um processo de luto e que calam um grito. O facto de se privarem de expressar e partilhar abertamente a sua sua dor, agrava estados de ansiedade e depressão, não permitindo que ultrapassem o trauma.

Passam-se anos mas a data da perda continua viva dentro delas. Guardam recordações e falam com os seus filhos que desistiram de vir ao mundo. Mas quase sempre falam sozinhas, baixinho, sem que alguém as possa ouvir.

A libertação da dor só começa quando estas mães se permitem sofrer e encontram apoio para poderem expressar-se. Em qualquer um desses processos é comum que nos deparemos com histórias de dor, mas também de amor. Porque também é preciso permitir-se amar um bebé que não nasceu. Não será normal que enquanto mãe e filho foram, durante meses, um só, se tenham amado?

É permitido sofrer, é permitido amar. É preciso dignificar o sentimento destas mulheres, não desvalorizando o que sentem, nem recorrendo a comparações com outras tragédias maiores. Respeitar, ouvir e entender uma mulher que viveu esta experiência, não é necessariamente fomentar mais o sofrimento, mas sim criar as condições para que ela possa limpar a sua alma e seguir em frente.

Com o tempo, muitas mães superam, mas nunca esquecem. Muitas vezes acreditam que eles são os seus anjinhos da guarda.

Referências da autora aqui e aqui e Projeto Fotográfico "Permitido Sofrer"


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