Renan Bini

Renan Bini é mestrando em Letras-Linguagem e Sociedade; graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo; Acadêmico do curso de Letras - Português/Italiano e suas respectivas literaturas; Discente do MBA em Gestão de Marketing, Propaganda e Vendas; Cofundador da Revista Eduque e Assessor na Universidade Estadual do Oeste do Paraná.

Adorno e a Educação: esclarecendo o esclarecimento

O esclarecimento é a racionalidade em ação. Sua primeira meta é a sobrevivência, e, para realizá-la, precisa dominar a natureza, mas se não refletir sobre si mesmo, este impulso para a dominação poderá dominá-lo, fazendo eclodir dessa dominação a irracionalidade, a barbárie.


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Desde seus primórdios, a filosofia vive a tensão entre pensar o universal e atemporal e refletir sobre o que é singular e situado no tempo. No caso da análise política da educação, o que predomina é o segundo tipo de reflexão. Theodor W. Adorno, contudo, foi o único filósofo a pensar filosofia da educação a partir de um único evento: os campos de concentração nazistas.

O principal texto que Adorno aborda o tema é o artigo “Educação após Auschwitz”. No texto, o filosofo estabelece um princípio geral para a educação, baseado num fato histórico: “A exigência de que Auschwitz não se repita é a primeira de todas para a educação.” Transformar num fato, algo puramente contingente, num princípio universal para a educação, justifica-se um processo universal da história humana: a possibilidade de a civilização tornar-se o seu oposto, a barbárie.

Para o filósofo, “a educação tem sentido unicamente como educação dirigida a uma reflexão crítica.” É importante usar o termo “esclarecimento” em vez de “racionalidade”, porque, como Adorno enfatiza em entrevistas que concedeu à Radio Hessen, razão muitas vezes é tomado como se referindo à “capacidade formal de pensar”, quando o que “caracteriza a consciência é o pensar em relação à realidade ao conteúdo”. O esclarecimento é a racionalidade em ação. Sua primeira meta é a sobrevivência, e, para realizá-la, precisa dominar a natureza, mas se não refletir sobre si mesmo, este impulso para a dominação poderá dominá-lo, fazendo eclodir dessa dominação a irracionalidade, a barbárie.

Apesar de o filósofo não pretender apresentar uma metodologia de ensino, ele indica objetivos para a educação crítica; dentre eles, o mais importante é o fortalecimento da personalidade, o que não implica legitimar o individualismo, visto que este surge de uma motivação exterior ao indivíduo – somos condicionados a agir segundo a máxima do “cada um por si” –, mas desenvolver no indivíduo a capacidade de liberar seu pensamento da ideologia dominante.

É importante notar que, na época – década de 1960 – em que Adorno fazia esses comentários, Paulo Freire, no Recife, organizou um movimento de alfabetização e “conscientização” de adultos no meio rural. A conscientização consiste em desenvolver no indivíduo a habilidade de refletir sobre a “sua condição de pessoa, por isso, de sujeito”.

Assim, apesar de Freire não mencionar a barbárie, percebemos que a finalidade do seu processo de educação é a mesma proposta por Adorno: desenvolver o senso crítico nos indivíduos, o que implica, antes de qualquer coisa, fortalecimento da personalidade. O que também envolve, como diz o educador brasileiro, a “democratização da cultura” – e cabe ter em mente que as pessoas do campo têm mais dificuldade para ter acesso à cultura universal do que as da cidade; por isso, é fundamental levar até elas aquilo que a humanidade produziu.


Renan Bini

Renan Bini é mestrando em Letras-Linguagem e Sociedade; graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo; Acadêmico do curso de Letras - Português/Italiano e suas respectivas literaturas; Discente do MBA em Gestão de Marketing, Propaganda e Vendas; Cofundador da Revista Eduque e Assessor na Universidade Estadual do Oeste do Paraná..
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