Renan Bini

Renan Bini é mestrando em Letras-Linguagem e Sociedade; graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo; Acadêmico do curso de Letras - Português/Italiano e suas respectivas literaturas; Discente do MBA em Gestão de Marketing, Propaganda e Vendas; Cofundador da Revista Eduque e Assessor na Universidade Estadual do Oeste do Paraná.

Educomunicação e leitores críticos de mídia

Entendendo a necessidade da formação de leitores críticos de mídia, a educomunicação mostra-se como uma das soluções para tornar os alunos mais do que simples decodificadores de alfabeto


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As instituições escolares, em seus diferentes níveis do conhecimento, estão sendo afetadas de forma irreversível pelas tecnologias da comunicação. Reflexos da chegada microinformática no dia a dia da sociedade, que se estabeleceram de forma rápida e intensa, a partir do momento que é capaz de automatizar todo tipo de informação. No entanto, muito mais do que a popularização do microcomputador, que invadiu casas, escolas, bancos e outros setores sociais na década de 1990, vive-se atualmente a era do conexão: a do computador conectado à ampla, coletiva e mundial rede de comunicação, a internet.

A preocupação de as escolas formarem não apenas decodificadores de signos, mas principalmente leitores críticos, inicia-se com estudos realizados na Escola de Frankfurt na Alemanha. A partir da década de 1920, surgem duas correntes teóricas de análise sociológica dos desdobramentos da evolução midiática: ‘A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica’ de Walter Benjamin, e a ‘Dialética do Esclarecimento’ de T. Adorno e M. Horkheimer. A primeira, com visão utópica influenciada pelos autores iluministas, considera a evolução das novas mídias positiva, já que a cultura erudita é barateada por meio das mídias deixando de ser exclusiva da burguesia, estimulando também a criatividade e o senso crítico da população mais carente. Já a segunda, define a mídia como um “Instrumento de Alienação”, mostrando que ela está sendo utilizada como um mecanismo de poder e de dominação pública do governo que propaga sua ideologia e dos publicitários com a Indústria Cultural.

A teoria de Adorno e Horkheimer mostra-se mais pessimista pelo fato de ter se desenvolvido sob influência do contexto nazista, onde a mídia, na visão dos teóricos, servia apenas como difusora de propaganda ideológica e instrumento de alienação. A indústria cultural, segundo Adorno e Horkheimer (1985), funciona como ‘facilitadora’ da criatividade, como forma de conduzi-la a seus caminhos. Isso faz com que tudo que fuja a determinação dessa totalidade seja considerado sem relação a ela, funcionando como filtro, classificando verdades e inverdades.

A partir deste ponto de vista, porém, adaptando-o ao contexto atual em que a mídia desponta-se não mais apenas como instrumento de manipulação ideológica, mas também como veículo de informação e utilidade pública, surge a Educomunicação. Isso, considerando que apesar dos padrões de ética exigidos pelos meios de comunicação e da ‘objetividade’, os veículos organizam suas informações a partir de um determinado ponto de vista, seja do canal ou dos profissionais, já que a singularidade de cada veículo e a subjetividade dos seus, é formada a partir de vivências e um contexto diferente. Assim, o não conhecimento deste aspecto por parte dos receptores, associado à falta de tempo e a necessidade de informação, faz com que a maioria não investigue e aceite como ‘verdade’ tudo o que os meios mostram e não como uma das possíveis ‘visões do fato’, que será abordada de outra forma por outros veículos, sem questionar ou avaliar, não realizando uma leitura crítica.

Por isso, de acordo com a teoria proposta pelos pesquisadores da ECA-USP (Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo), Adilson Citelli e Maria Aparecida Baccega, comunicação/educação inclui, mas não se resume à educação para os meios, à leitura crítica dos meios, ao uso da tecnologia em sala de aula, à formação do professor para o trato com os meios etc. Nesse campo cabem: do território digital à arte-educação, do meio ambiente à educação à distância, entre muitos outros tópicos, sem esquecer os múltiplos suportes, os vários gêneros – televisão, rádio, teatro, cinema, jornal, cibercultura, entre outros.


Renan Bini

Renan Bini é mestrando em Letras-Linguagem e Sociedade; graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo; Acadêmico do curso de Letras - Português/Italiano e suas respectivas literaturas; Discente do MBA em Gestão de Marketing, Propaganda e Vendas; Cofundador da Revista Eduque e Assessor na Universidade Estadual do Oeste do Paraná..
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