Renan Bini

Renan Bini é mestrando em Letras-Linguagem e Sociedade; graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo; Acadêmico do curso de Letras - Português/Italiano e suas respectivas literaturas; Discente do MBA em Gestão de Marketing, Propaganda e Vendas; Cofundador da Revista Eduque e Assessor na Universidade Estadual do Oeste do Paraná.

Heróis desconhecidos

Você tem preconceitos? Conhece alguém que tem alguma deficiência? Aos olhos de muitos, os deficientes são coitadinhos e incapazes, mas quando entram na pista, os paradesportistas provam que possuem um potencial imenso!


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Você tem preconceitos? Conhece alguém que tem alguma deficiência? Aos olhos de muitos, os deficientes são coitadinhos e incapazes, mas quando entram na pista, os paradesportistas provam que possuem um potencial imenso! E este é o papel da APAC (Associação dos Paratletas de Cascavel) que, desde 2005, cumpre o papel social de mostrar aos deficientes da cidade de Cascavel que apesar das diversas limitações, com força de vontade, tudo é possível. O Projeto da APAC “Para + vida” beneficia 64 alunos especiais promovendo a inclusão social através do esporte.

_ Entra! – Disse a jovem professora.

_O professor Edson Graef está?

Outra voz responde, um homem:

_ Pode ser que ele atrase um pouco, chegou essa madrugada, ele estava em uma competição de futsal em São Paulo com alguns alunos.

O clima é acolhedor, todos os alunos me cumprimentaram, e a mesma professora que me convidara a entrar, enquanto desenvolve seu treinamento na academia, oferece sua mesa para que eu espere pelo presidente da APAC.

_ O que você precisa? - Voltou a falar novamente o homem.

_ Quero fazer uma reportagem sobre o paradesporto em Cascavel e a APAC.

_ Bom, você pode ir conversando comigo então. – O homem é Victor Emanuel Ambrozino, fundador da APAC.

_ Hoje o Edson é o presidente da Associação, mas eu fui o treinador dele! Um dia vindo dar treinamento, eu o encontrei fazendo musculação na academia com muletas, aí eu perguntei a ele “o que foi que aconteceu?” e ele me disse que foi um acidente de trabalho, e por ser grande e forte eu disse ao Edson “Você pode fazer arremesso, só não pode correr!”

Para que o atleta pudesse participar de competições para deficientes, a Associação foi criada e filiada ao Comitê Paraolimpico. Hoje, Edson Graef Borges é tricampeão brasileiro de Paratletismo nas modalidades: Disco e Peso (2008, 2009 e 2010) e tem atualmente o recorde pan-americano de peso.

_ Bom dia!

_ Olá Edson! Conhece esse moço? – diz Victor.

_ Não!

_ Ele disse que te ligou!

_ Sim, sim.

_ Vim aqui conhecer o trabalho de vocês.

Apesar de todos os seus títulos, e a credibilidade em um projeto chefiado por um atleta com tantas premiações, é perceptível a falta de investimento no “Paratletismo”. O projeto é desenvolvido no Centro esportivo de Cascavel Ciro Nardi, sendo aplicado nas diversas áreas do local em diversas modalidades esportivas, e alunos com diferentes necessidades especiais.

_ Não há falta de investimentos, e sim em direcionamento das verbas. Falta regionalizar mais os investimentos e tornar o processo menos burocrático – diz Graef.

_ Por que burocrático?

_ Os alunos precisam ter a deficiência comprovada para que nós possamos receber o investimento e eles o bolsa atleta, mas, para que haja a comprovação, são necessários diversos exames físicos e psicológicos. Como o nosso projeto beneficia muito o desenvolvimento deles, alguns tem a deficiência reduzida e perdem o benefício.

O esporte aprimora a força, a agilidade, a coordenação motora, o equilíbrio e mais: Ele promove a oportunidade de interação entre pessoas com e sem deficiências, tornando-as mais independentes no dia-a-dia, aumentando o otimismo e a segurança para alcançarem seus objetivos.

Isso parece pouco, mas só quem apresenta alguma limitação sabe o quanto é doloroso se sentir incapaz de coisas simples.

_ Essa semana, um aluno nosso fez um gol, ele nunca havia feito um gol em sua vida, foi emocionante! Ele dizia: “Obrigado Deus! Eu fiz um gol! Jesus me ajudou”!

Segundo Graef, a espiritualidade é muito importante, bem como a convivência com outras pessoas que também possuem redução na mobilidade ou em seus processos cognitivos.

_ Sabe, só quem também é assim, sabe como eles se sentem, quando eu comecei a perder a mobilidade da minha perna eu me senti muito mal! O médico me recomendou praticar exercícios físicos, e depois no Paratletismo eu encontrei uma forma de me sentir melhor!

É preciso saber viver...

Desde o ano de 2005, a APAC oferece a muitos a promoção da saúde e a inclusão social por meio do esporte, contribuindo, também, em resultados expressivos no Paratletismo: medalhas de ouro, campeões brasileiros e quebra de recordes. Hoje a APAC atende 64 alunos, sem distinções a nenhum tipo de deficiência, apresentando convênios com a APAE e a rede estadual de Ensino.

_ Sou Jorge Henrique Ferreira Machado, tenho 18 anos e estou desde 2010 no atletismo. Tenho muitas dificuldades, mas sei que nada é impossível! Só basta tentar e vencer as dificuldades dia-a-dia.

_ Qual é o seu sonho?

_ O meu sonho é estar na Olimpíada em 2016, e se Deus quiser bater um recorde Mundial! Por isso não desisto e me capacito todos os dias para ser um vencedor!

_ O que você acha do preconceito?

_ Cada um tem a sua deficiência, mas isso não quer dizer nada! Todos são humanos. Os humanos normais também erram, e porque um deficiente não pode tentar vencer na vida? Se eles desenvolverem suas capacidades, eles vão mostrar para a sociedade que são como qualquer um! Espero que um dia o preconceito acabe, o povo que fala da gente não sabe que nos magoam! Mas eu creio em Deus, e acredito que um dia a história vai mudar!

Segundo o professor Victor, o deficiente sempre ficou restrito à sua casa, porque os próprios pais muitas vezes têm vergonha em ter um filho deficiente:

_ Para a sociedade eles são diferentes. Atitudes diferentes, comportamentos diferentes, muitos precisam ser cuidados, não podem ficar sozinhos. Antes eles se limitavam apenas ao colégio e a escola especial, agora, com a Associação, essas pessoas veem que não são apenas deficientes, pelo menos para nós, dentro do esporte, elas têm eficiência dentro das possibilidades que elas possam realizar! Quem tem deficiência nas pernas, pode fazer com os braços; se elas tem deficiências nos braços elas podem correr; se não correm bem, podem nadar; a gente procura adaptar o exercício de acordo com a deficiência da pessoa.

Para a professora Cintia Polliana Bastos, as pessoas especiais precisam de mais oportunidades:

_ Eu sempre me identifiquei com essas crianças. Acho que elas precisam dessa oportunidade de crescer e mostrar suas capacidades físicas e intelectuais, e a sociedade não dá a eles essa oportunidade. Agora com o esporte, todos ficam iguais! Através do esporte, elas conseguem mostrar que são iguais aos outros. A APAC abriu muitas portas aos deficientes de Cascavel!

_ Você acha que os deficientes ainda enfrentam preconceito?

_ Sim. Infelizmente eles ainda enfrentam bastante, mas o nosso papel é divulgar o trabalho, para que as pessoas venham fazer parte do esporte, fazer parte dessa integração, sentindo-se, assim, como iguais, pertencentes à sociedade, e a sociedade passará a vê-los como atletas!


Renan Bini

Renan Bini é mestrando em Letras-Linguagem e Sociedade; graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo; Acadêmico do curso de Letras - Português/Italiano e suas respectivas literaturas; Discente do MBA em Gestão de Marketing, Propaganda e Vendas; Cofundador da Revista Eduque e Assessor na Universidade Estadual do Oeste do Paraná..
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