Renan Bini

Renan Bini é mestrando em Letras-Linguagem e Sociedade; graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo; Acadêmico do curso de Letras - Português/Italiano e suas respectivas literaturas; Discente do MBA em Gestão de Marketing, Propaganda e Vendas; Cofundador da Revista Eduque e Assessor na Universidade Estadual do Oeste do Paraná.

Limites entre o real e o inventado pelo homem: textos épicos

O tempo das narrativas épicas traz um pensamento artístico que quer mostrar diferentes formas de verdade para que o leitor as interprete a partir de seu próprio contexto.


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As criações artísticas e a Literatura, por meio do verossímil, estabelecem elos e limites entre o homem e a natureza. Nos mais diferentes contextos, nos reconectam com o universo, com nós mesmos, e representam a expressão mais profunda da subjetividade e da singularidade de um povo. Por isso, os gêneros são reinventados.

O homem muda: há a necessidade da criação de novos gêneros. De acordo com Mikhail Bakhtin, na obra “Questões de literatura e de estética”, os gêneros literários não devem serem vistos somente como um encontro de linguagens, de tempos históricos distantes e de civilizações. A literatura representa uma tentativa de representar a vida, embora a liberdade dos escritores, na representação da vida, seja diferente daquela que o historiador exerce, portanto, literatura e história se complementam.

Os textos épicos, ou Epopeias, conforme definição de Aristóteles, apesar de serem anteriores aos filósofos clássicos gregos (que viveram entre os séculos III, II e I a.C.), amparados na mitologia, carregam os germes da cultura precursora da filosofia ocidental. E segundo Ítalo Calvino em “As cidades invisíveis: imaginário constitutivo”, são obras clássicas por tecerem como um viajante se posiciona diante da cultura do outro:

“Os clássicos são livros que exercem uma influência particular quando se impõem como inesquecíveis e também quando se ocultam nas sobras da memória, mimetizando-se como inconsciente coletivo ou individual”.

As Epopeias apresentam o conhecimento do passado a partir das ideias contidas nas narrativas orais. Grandiosas em tudo o que contém, foram organizadas por meio da coleta de lendas por rapsodos como Homero (responsável pela assinatura de “Ilíada” e “Odisseia” entre os séculos VIII e V a.C., o autor talvez seja uma figura mitológica e nunca tenha existido, sendo os grandes textos épicos, escritos por várias mãos).

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Diferentemente de outras expressões religiosas da época (e até mesmo das atuais), a mitologia grega divergia e destacava-se pela representação de proximidade entre deuses e homens. De forma poética, formatado como narrativa em versos, o gênero épico apresenta teor de enaltecimento e de grandiosidade da nação grega, de seus feitos heroicos de um passado histórico distante.

O gênero épico traz o pensamento das civilizações que hoje formam a Grécia e a Turquia. Suas lendas beberam nas culturas Celta, Druída e Egípcia por meio da hibridização de culturas (encontro de várias línguas e várias formas de crenças). Nesse aspecto, podemos considerar a Ilíada como a grande tecnologia de sua época, por ser a memória daquele tempo, ou seja, uma fotografia de como a sociedade se organizou.

A partir da análise das grandes Epopeias, nota-se o surgimento de valores que são importantes e “nobres” até hoje, como o respeito à cultura do outro, a honra, a coragem, entre outros. Aqui, em "Ilíada", pode-se exemplificar quando Príamo, um ancião grego, beija a mão de Aquiles para solicitar o corpo de Heitor, morto em combate, e este o concede, nota-se um retrocesso moral atual em relação às guerras: As novas guerras têm por objetivo único, silenciar a cultura do outro.

O tempo das narrativas épicas traz o passado longínquo – característica da dubiedade – pensamento artístico que quer mostrar diferentes formas de verdade para que o leitor as interprete a partir de seu próprio contexto.


Renan Bini

Renan Bini é mestrando em Letras-Linguagem e Sociedade; graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo; Acadêmico do curso de Letras - Português/Italiano e suas respectivas literaturas; Discente do MBA em Gestão de Marketing, Propaganda e Vendas; Cofundador da Revista Eduque e Assessor na Universidade Estadual do Oeste do Paraná..
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