Renan Bini

Renan Bini é mestrando em Letras-Linguagem e Sociedade; graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo; Acadêmico do curso de Letras - Português/Italiano e suas respectivas literaturas; Discente do MBA em Gestão de Marketing, Propaganda e Vendas; Cofundador da Revista Eduque e Assessor na Universidade Estadual do Oeste do Paraná.

O homem com a face na moeda: Júlio César na obra de Plutarco

Na obra “Vidas Comparadas” de Plutarco, Júlio César é apresentado como gênio militar dono de um ego e de um império do mesmo tamanho


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Considerando-se que a objetividade não existe e que ela se torna ainda mais distante quando se trata de narrar a história dos vencedores, torna-se difícil separar o real do folclórico quando se trata de César. O homem que reformou o calendário dando a um mês seu nome, foi amado, conquistou, deixou todos os seus bens para a população de Roma, mas também foi pervertido sexual e assassino impiedoso.

A família de César era aristocrata, mas há anos encontrava-se desprestigiada. Cresceu no subúrbio de Roma e o ambiente regou no rapaz o sentimento de que possuía menos do que merecia. Segundo Plutarco, ainda jovem, Júlio César foi preso por piratas que pediram-lhe 20 talentos por seu resgate (o equivalente hoje a R$280.000,00), César riu e disse que valeria no mínimo 50. Durante os trinta e oito dias em que passou com os piratas, ordenava silêncio quando queria dormir e chamou os bárbaros que não gostaram de suas recitações de ignorantes. Quando finalmente foi libertado, recuperou o dinheiro do resgate e mandou crucificar os piratas.

Ocupava, incontestavelmente, o segundo lugar entre os oradores de Roma: renunciara ao primeiro preferindo a essa, a glória e a superioridade assegurada pelo poder das armas. Cícero, cônsul da República Romana, foi o primeiro a suspeitar e a temer a suavidade de César: “Entrevejo em todos os seus projetos e em todas suas ações, objetivos tirânicos; mas, quando olho seus cabelos tão artisticamente penteados e quando o vejo coçar a cabeça com um só dedo não posso acreditar que esse homem possa conhecer o desígnio tão negro de derrubar a república”.

Desde a mais remota antiguidade, costumava-se em Roma pronunciar discursos fúnebres em honra das mulheres falecidas em idade avançada; esse costume, porém, não era adotado em relação às mulheres moças. César foi o primeiro a introduzi-lo: pronunciou o discurso fúnebre de sua primeira esposa que morreu jovem. Essa novidade foi elogiada pelo povo que viu na sensibilidade um sinal de costumes honestos e suaves.

Quando tornou-se cônsul pela primeira vez, iniciou a campanha militar pela conquista da Gália. O saldo dessas guerras 800 cidades capturadas, 300 tribos submetidas, um milhão de gauleses escravizados e outros três milhões mortos nos campos de batalha.

O senado liderado por Pompeu ordenou o regresso de César e a desmobilização das suas legiões na Gália. Júlio César não cumpriu a ordem e, atravessando o norte da Itália, deu início a uma guerra civil que duraria dois anos. Derrotou Pompeu e regressou a Roma, tornando-se ditador.

Entre o povo, devido aos triunfos militares que enriqueciam a cidade, a popularidade de Júlio César era imensa, porém, entre a aristocracia e o senado, era visto como tirânico e como centralizador de poder. Nesse meio tempo, dentre as diversas aventuras sexuais do imperador utilizadas também para domínio e poder, relacionou-se com Cleópatra, rainha do Egito, com quem teve um filho que jamais reconheceu.

Os senadores não só desaprovavam a união como usavam-na como pretexto para difamá-lo. César que se proclamou como deus vivo foi assassinado em 15 de março de 44 a. C por 23 golpes de adaga.


Renan Bini

Renan Bini é mestrando em Letras-Linguagem e Sociedade; graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo; Acadêmico do curso de Letras - Português/Italiano e suas respectivas literaturas; Discente do MBA em Gestão de Marketing, Propaganda e Vendas; Cofundador da Revista Eduque e Assessor na Universidade Estadual do Oeste do Paraná..
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