Renan Bini

Renan Bini é mestrando em Letras-Linguagem e Sociedade; graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo; Acadêmico do curso de Letras - Português/Italiano e suas respectivas literaturas; Discente do MBA em Gestão de Marketing, Propaganda e Vendas; Cofundador da Revista Eduque e Assessor na Universidade Estadual do Oeste do Paraná.

O que é ética?

Considerando as profissões e os papeis sociais formadores de opiniões e, consequentemente, influenciadores no processo de formação subjetiva, como professores, políticos, jornalistas, religiosos, entre outros, será mesmo que conseguem separar suas opiniões pessoais e bandeiras que levantam do conhecimento científico e serem éticos e objetivos?


Ética.jpg

De acordo com o livro “O que é ética?” do pesquisador Álvaro Valls, publicado em 1994, pela editora Brasiliense, popularmente, a ética é entendida como um estudo ou uma reflexão, científica ou filosófica, e eventualmente até teológica, sobre os costumes ou sobre as ações humanas. Mas também consideramos conceitos da ética, nossa própria reflexão sobre a vida, quando conforme a partir de nossos costumes e do que nos foi ensinado, consideramos algo correto ou errado.

Se você achar que, por se tratar de um livro que foi publicado em 1994, ele está desatualizado, seu conceito sobre o que é ética provavelmente está errado. O que mudam, são as leis, a moral e os paradigmas sociais; e não a ética. Sendo esta, a área de pesquisa e reflexão sobre os conceitos anteriores.

Valls separa os problemas teóricos da ética em dois campos: no primeiro, os problemas gerais e fundamentais (como a liberdade, a consciência, o bem, o valor, a lei e outros); e no segundo, os problemas específicos e de aplicação concreta, como os problemas da ética profissional, da ética política, de ética sexual, de ética matrimonial, de bioética, etc.

E é a partir da volatilidade e da discrepância social e cultural em relação ao primeiro campo, analisado no viés do segundo campo que surge o nosso debate: Considerando as profissões e os papeis sociais formadores de opiniões e, consequentemente, influenciadores no processo de formação subjetiva, como professores, políticos, jornalistas, religiosos, entre outros, será mesmo que conseguem separar suas opiniões pessoais e bandeiras que levantam do conhecimento científico e serem éticos e objetivos?

As questões da ética nos aparecem a cada dia. Em épocas mais difíceis, como por exemplo, durante a Ditadura Civil Militar no Brasil, muitas pessoas podem ter se perguntado se uma lei injusta do Estado autoritário precisava ou não ser obedecida. E quando temos "problemas de consciência", como o próprio livro exemplifica, quando sentimos “culpa”, coisa que ocorre a todos, não se torna importante saber se este sentimento corresponde de fato a uma culpa real? Cabe à ética questionar se nós somos realmente culpados, ou se o que existe é apenas um sentimento de um mal-estar sem fundamento.

Porém, essa fórmula parece se tornar mais difícil quando trata-se de ocupar um papel social de maior hierarquia em relação a um ambiente heterogêneo e possivelmente híbrido em relação a costumes e a determinados paradigmas. Então, o que seria um comportamento correto, em ética? Para Valls, não seria nada mais do que um comportamento adequado aos costumes vigentes, e enquanto vigentes, tivessem força para coagir moralmente.

Apesar desse aspecto, não são apenas os costumes que variam, mas também os valores que os acompanham, as normas, os ideais e a sabedoria, de um povo a outro. E os grandes pensadores éticos, como Sócrates, Kant e Nietzsche, sempre buscaram formulações que explicassem, a partir de alguns princípios mais universais, tanto a igualdade entre os homens, quanto as naturais variações. Assim, uma boa teoria ética deveria atender a pretensão de universalidade, e, simultaneamente, ser capaz de explicar as variações de comportamento das diferentes formações culturais e históricas.

Considerando a responsabilidade ética do professor no papel social em que ocupa, o pesquisador e linguísta Carlos Bagno, em seu livro “Pesquisa na Escola”, ao abordar a questão da ética em sala de aula, aponta que muitos professores assemelham-se a “procustos modernos”. Na mitologia grega, Procusto era um malfeitor que morava numa floresta e que possuía uma cama que tinha exatamente as medidas do seu próprio corpo, nem um milímetro a mais, nem um milímetro a menos. Quando capturava uma pessoa na estrada, Procusto amarrava-a naquela cama. Se a pessoa fosse maior do que a cama, ele simplesmente cortava fora o que sobrava. Se fosse menor, ele a espichava e esticava até ela caber naquela medida.

De acordo com Bagno, é fácil decifrar a simbologia desse mito. Procusto representa a intolerância diante do outros. Representa a visão de mundo totalitária das pessoas que querem moldar todos os demais seres humanos à sua própria imagem e semelhança, o que, segundo o pesquisador, ocorre com frequência em ambiente escolar e, em minha opinião, em todos os segmentos formadores de opinião. É a recusa da multiplicidade, da diversidade, da criatividade, da originalidade: “Quem não se conforma ao meu tamanho não pode andar solto por aí, a menos que vá jogando fora todo o que eu não tenho até caber na minha medida, ou a menos que se espiche e se estique até ter o mesmo que eu e ser igual a mim”.


Renan Bini

Renan Bini é mestrando em Letras-Linguagem e Sociedade; graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo; Acadêmico do curso de Letras - Português/Italiano e suas respectivas literaturas; Discente do MBA em Gestão de Marketing, Propaganda e Vendas; Cofundador da Revista Eduque e Assessor na Universidade Estadual do Oeste do Paraná..
Saiba como escrever na obvious.
version 3/s/literatura// @obvious, @obvioushp, @obvious_escolha_editor //Renan Bini