Renan Bini

Renan Bini é mestrando em Letras-Linguagem e Sociedade; graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo; Acadêmico do curso de Letras - Português/Italiano e suas respectivas literaturas; Discente do MBA em Gestão de Marketing, Propaganda e Vendas; Cofundador da Revista Eduque e Assessor na Universidade Estadual do Oeste do Paraná.

Quais os riscos de nos tornarmos virtuais?

Se o contato com outros seres humanos mediado pelas máquinas é capaz de superficializar tanto nossas relações e nossos anseios a ponto de tornarmo-nos cada vez mais descartáveis na vida daqueles que já vivenciaram a humanidade em toda a sua potencialidade, imagine como toda a tecnologia influenciará de maneira irreversível o conceito de humanidade aos nativos digitais?


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Sorrisos lindos e, muitas vezes até mais claros do que realmente são, exaltam nossas vidas mais do que especiais. Belos trajes acompanham pessoas agradáveis em cenários fantásticos que incluem boa comida e boa bebida. É... O ambiente virtual é tentador. Nele, construímos o perfil que consideramos ser o mais próximo do ideal, ressaltamos nossas qualidades, reverenciamos nossas ideologias e fazemos as utopias parecerem cada vez mais próximas à realidade.

Quanto ao ambiente familiar, todos possuem as famílias mais compreensíveis do mundo, possuem pais sempre amorosos e filhos exemplares que tiram boas notas e recebem estrelinhas por bom comportamento. Os cônjuges são todos carinhosos, fieis e gratos pela cumplicidade da relação perfeita que compartilham. E os solteiros? Já que são perfeitos e possuem vidas admiráveis, são assim por opção.

A tecnologia tornou sim a vida da maior parte da população mais confortável. E os meios de comunicação venceram barreiras antes aparentemente inexpugnáveis, como o tempo e o espaço. No entanto, nos tornarmos superficiais. O mundo dos cliques e da perfeição que aparenta remeter-se à Eîdos de Platão, mostra-se, na verdade, um meio de escancarar quão frágil é nossa humanidade.

Você já se perguntou quão frágil é sua humanidade? Sua resposta vai depender de sua idade, sua visão de mundo e principalmente do contexto do qual você insere-se. Porém, considerando que nossa subjetividade é desenvolvida não apenas a partir dos fatores biológicos, mas, principalmente pelos fatores externos; seguindo o pensamento niilista nietzschiano e, a visão de Pechêux, de que somos sujeitos históricos-linguísticos, frutos do esquecimento e da ideologia, não me restam dúvidas de que nossa humanidade está por um fio, ou por um clique.

Tudo fica cada vez mais intenso e descartável depois da virtualização: suas emoções, suas paixões, seus relacionamentos. A diversidade de conteúdos da rede tende a deixá-lo cada vez mais próximo apenas do que lhe parece agradável ou coerente com seu ponto de vista. Você torna-se cada vez mais extremista, incluindo quando se trata da falta de posicionamentos. E a criticidade? Onde fica? E a humanidade?

Se o contato com outros seres humanos mediado pelas máquinas é capaz de superficializar tanto nossas relações e nossos anseios a ponto de tornarmo-nos cada vez mais descartáveis na vida daqueles que já vivenciaram a humanidade em toda a sua potencialidade, imagine como toda a tecnologia influenciará de maneira irreversível o conceito de humanidade aos nativos digitais?

Talvez tudo isso seja apenas uma questão de adaptação à fase pós-modernista de transformação de paradigmas e do choque da hibridização da cultura mundial, o que também parece cada vez mais inevitável. Tudo ainda é muito novo e é impossível afirmar algo diante de um futuro que ainda não chegou. Talvez isso seja apenas o amadurecimento do paradigma anterior da sociedade ocidental, o medo da solidão; e as próximas gerações se tornem cada vez mais independentes e seguras de si... Porém, não devemos deixar que nossa essência seja substituída, diante de nossos olhos, como uma simples atualização de um software antigo para um outro melhor. Você é mais do que uma simples máquina. E as pessoas atrás de touchs e de cliques também.


Renan Bini

Renan Bini é mestrando em Letras-Linguagem e Sociedade; graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo; Acadêmico do curso de Letras - Português/Italiano e suas respectivas literaturas; Discente do MBA em Gestão de Marketing, Propaganda e Vendas; Cofundador da Revista Eduque e Assessor na Universidade Estadual do Oeste do Paraná..
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