Renan Bini

Renan Bini é mestrando em Letras-Linguagem e Sociedade; graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo; Acadêmico do curso de Letras - Português/Italiano e suas respectivas literaturas; Discente do MBA em Gestão de Marketing, Propaganda e Vendas; Cofundador da Revista Eduque e Assessor na Universidade Estadual do Oeste do Paraná.

Quem tem medo da matemática?

Motivo de “trauma” para muitos, se desenvolvida de forma a associar os conhecimentos teóricos ao cotidiano, a matemática poderá se tornar a melhor amiga dos alunos!


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Ensinar matemática não é tarefa fácil. E fazer com que os alunos se apaixonem pelos números pode ser ainda mais difícil. Pesadelo para muitos que concluem os ensinos fundamental e médio, a simples ausência da disciplina no currículo de alguns cursos do ensino superior pode se tornar o motivo de escolha da profissão.

Mas, se o problema fosse com a nossa amiga matemática, ninguém se interessaria pela área de exatas, certo? De acordo com o professor doutor em Matemática Aplicada pela USP (Universidade de São Paulo), Juan Carlos Zavaleta Aguilar, o problema do "trauma" de uma determinada área, não necessariamente a matemática, pode ser explicado por diferentes fatores, entre eles: “o tipo de inteligência que o indivíduo possui, por exemplo, os que têm inteligência lógica e espacial, terão mais afinidade com as áreas de exatas. Já os indivíduos que possuem inteligência linguística, interpessoal, etc., terão mais afinidade com áreas de letras e comunicação. Outro fator importante em indivíduos que, apesar de terem o tipo de inteligência que o associa a uma determinada área, optarem por outras áreas é que ainda não foram suficientemente motivados no desenvolvimento de suas próprias habilidades”, afirma.

Já para a doutora em Educação, bacharel em Matemática e professora da UFPR (Universidade Federal do Paraná), Ana Maria Petraitis Liblik, o motivo do problema é outro: “Maus professores, pois o curso que os formou não foi capaz de fazer bem e melhor”, declara. Pensando nesse aspecto e, considerando ambas as possibilidades de porque tantos olhares antipáticos à disciplina, resolvemos procurar quem é fera na área para ver o que eles acham.

Aluno do 1º ano do ensino médio em escola pública, Pedro Emerick, 15 anos, foi ouro na OBMEP 2014 (Olimpíada Brasileira de Matemática das escolas públicas) e nos conta um pouco do que acha de suas aulas de matemática: “Minhas aulas de matemática são baseadas em repetição de exercícios de aplicar fórmulas, sem uso nenhum de criatividade. Acho que o motivo das pessoas detestarem matemática está principalmente na maneira como ela é ensinada. Te dão fórmulas para decorar sem dizer porque elas são válidas. Desde pequenos também aprendemos que matemática é difícil, assim os alunos têm mais medo do que de fato dificuldade”, afirma.

A aluna do 9º ano do ensino fundamental, também em escola pública e medalhista da OBMEP, Milena Cardoso, 14 anos, relata sua experiência: “Eu, particularmente, odiava a matéria desde as séries iniciais. Apenas no sétimo ano, quando comecei a estudar com quem é meu professor até hoje, que passei a gostar de matemática. Acho que o porquê de muitas pessoas irem mal até chegar ao ponto de odiar a matéria, é o fato de que, desde o início da vida, cria-se o mito de que a matemática é horrível e um ‘bicho de sete cabeças’. Além disso, alguns professores dão aula de forma extremamente apática. Alguns profissionais apenas passam a matéria cheia de regras e nada de divertido. Muitos alunos se sentem aprisionados àquilo como se fossem obrigados a aprender algo que odeiam”, afirma.

Viu só? Se até quem é fera nos números às vezes se assusta, imagine como é para aqueles que, como disse o professor Aguilar, possuem outros tipos de inteligência e afinidades? De acordo com a professora Liblik, o papel dos professores de matemática é fazer com que seus alunos entendam que, o que aprendem na escola serve para a vida: “Se a função da escola é apresentar e socializar o saber construído pela humanidade durante a história, o professor deve explicar isto utilizando a própria história da comunidade onde vive/trabalha. Os cursos de licenciatura em Matemática (e na maioria das licenciaturas) não preparam os futuros professores adequadamente. É um círculo vicioso, mal preparados, maus professores, infelizmente”, afirma.

A medalhista Milena acredita que a solução para tornar as aulas de matemática mais agradáveis está na criatividade: “Os professores se concentram tanto em repassar seus conhecimentos para os alunos, que deixam a criatividade totalmente de lado, tornando tudo odioso, chato e, aparentemente difícil de aprender. Por isso, acho que as aulas deveriam ser mais criativas. Os alunos deveriam poder usar mais a imaginação. As aulas práticas, com experimentos para demonstrar as regras de cada assunto deveriam ser muito mais frequentes. É muito mais fácil aprender algo fazendo você mesmo sem usar o velho ‘ctrl+c/ctrl+v’. Caso contrário, a matemática vai ser eternizada como a pior das matérias”, declara.

A visão da medalhista tem tudo a ver com o que explica a professora Liblik. Segundo ela, ser criativo, é ser capaz de ver, olhar por um outro viés o objeto a ser estudado: “Se a Matemática pode ser considerada como uma ciência de padrões, encontrar padrões nos objetos é, com certeza, tornar-se criativo”, afirma.

Para o professor Aguilar, o papel do professor de matemática é ensinar a disciplina de forma que motive o estudo: “Por exemplo, o professor tem que ter uma sólida formação para transmitir a natureza abstrata dos temas, bem como a importância desses conhecimentos na ciência e na tecnologia. o aluno deve ter consciência da importância da matemática, sem que isso implique necessariamente a escolha pelo aprofundamento de conhecimentos nessa área ou áreas afins. Isso, mostrando a importância da mesma em quase todas as áreas do conhecimento, desde celulares, computadores, previsões do tempo, bolsa de valores, até comportamento social, psicologia experimental, etc”, resume.


Renan Bini

Renan Bini é mestrando em Letras-Linguagem e Sociedade; graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo; Acadêmico do curso de Letras - Português/Italiano e suas respectivas literaturas; Discente do MBA em Gestão de Marketing, Propaganda e Vendas; Cofundador da Revista Eduque e Assessor na Universidade Estadual do Oeste do Paraná..
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