Lucas Neves

Jovem latinista, futuro professor. Fascinado pelas palavras, seus poderes e funções. A cada instante que passa, mais ávido por (des)aprender.

Aluno: aquele que não tem luz?

Você já ouviu isso? Pois saiba que não é bem assim...


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A etimologia popular é um fenômeno presente em todas as línguas do mundo. Acontece quando uma pessoa, ao ouvir uma palavra, relaciona esse vocábulo a outro já existente no idioma, atribuindo ao primeiro uma falsa origem e, consequentemente, uma significação inapropriada.

No português há vários casos. Um dos que mais me incomoda consiste em afirmar que a palavra "aluno" significa "aquele que não tem luz". Ouvi essa afirmação hoje pela milésima vez. Justifica-se isso afirmando que o "a" inicial é uma partícula de negação, como em "anormal" ou "atípico". "Luno", por sua vez, teria relação com "luz", palavra que, nesse contexto, acarretaria a noção de conhecimento. Aluno, portanto, seria o sem-luz.

Esse tipo de significação reitera uma ideia problemática de que, em uma sala de aula, o estudante é recipiente vazio de conhecimento, de que o professor é o detentor da sabedoria, de que o saber é dado por uma via unilateral, do mestre para o estudante, fim. E isso não é legal. Reforça um tipo de ensino que desconsidera o papel do estudante na construção do conhecimento.

Em tempo, "aluno" vem do latim "alumnus", palavra que tem relação com o verbo "alere", que significa alimentar. Aluno, de "alumnus", aquele que está sendo alimentado, que está crescendo.

Aluno não é aquele que não tem luz. Sem luz é quem se utiliza disso pra propagar essa ideia.


Lucas Neves

Jovem latinista, futuro professor. Fascinado pelas palavras, seus poderes e funções. A cada instante que passa, mais ávido por (des)aprender..
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