em cada esquina

Que os acasos insistam em nos encontrar

Marina Zotesso

Psicóloga, bailarina e escorpiana. Definida por ser curiosamente ativa, acredita em destino e em amores impossíveis.

@mazotesso

Condenados a serem 8 ou 80: uma realidade bipolar

A busca incessante pelo 40. Entre a euforia e a depressão está o desejo do bipolar.


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A sociedade aumenta cada dia mais os rótulos e classificações psicopatológicas destinadas aos indivíduos. É interessante pensar como cada vez mais as pessoas procuram seus rótulos nos manuais diagnósticos, como se a partir do dado momento houvesse uma justificativa para toda consequência comportamental. Dessa forma, ninguém mais passa a ser responsável pelas suas próprias atitudes e decisões, afinal eu sou um dos números no Código Internacional de Doenças (CID-10).

Crianças são ativas, LOGO hiperativas e tratadas com Ritalina. Pessoas tem alterações de humor, LOGO são bipolares e tratadas com Lítio e/ou estabilizadores de humor. Gostaria que esse “logo” demorasse um pouco mais, por meio de um bom diagnóstico e, claro, de uma liberdade de viver, afinal, quem nunca alterou seu humor por decorrência de uma briga no trabalho, de um cansaço ou simplesmente por estar faminto?

Muitas vezes, o meio midiático tenta introduzir uma temática cultural e acaba generalizando a patológica, eles esquecem que, em especial, as novelas são a principal fonte cultural de determinadas camadas sociais, e mostram temas como a esquizofrenia, o autismo e o transtorno bipolar de forma radical, que não condiz totalmente com a realidade, levando os espectadores a uma visão turva da situação.

O caso é que, muitas vezes, se desconhece a realidade do transtorno bipolar e de como vivem e convivem as pessoas com tal patologia.

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Duas pessoas em uma única, condenados a lidarem com sua própria dualidade, vivendo sob certezas e incertezas. Os dias são um mistério, para ele e para você. Mas, a pior dor, acredite, é aquela que você, de fora, não consegue ver, não consegue tirar ou mudar. Pensamentos que mudam, decisões que comprometem e consequências que se estendem a toda uma vida.

A batalha somente termina quando o dia acaba, mas a guerra continua na próxima manhã. A busca pelo controle emocional e redução de comportamentos impulsivos dá sentido para o dia seguinte.

Todos somos portadores de alterações de humor. Todos almejamos as melhores escolhas e lutamos para que nosso pensamento seja conivente às nossas escolhas e metas. Todos temos sonhos e, acima de tudo, todos lutamos de forma igual e sem rótulos para alcançar nosso lugar ao sol.

“Em um mesmo dia eu posso te amar e odiar. Eu sou água e fogo, inferno e paraíso, a doçura e a arrogância, a dor e a alegria. Eu jamais serei o mesmo por muito tempo. Eu sou duas pessoas ao mesmo tempo, uma boa e uma ruim, porém, ambas têm sede do impulso, do proibido. Elas não vão medir esforços para conseguirem o que querem, por vezes, uma delas pode até te magoar, mas a outra sentirá sua falta quando você a deixar. Talvez, haja um desejo inconsciente de que a vida tenha seu fim, em contrapartida, o outro lado ressuscitará como uma fênix e recomeçará. Haverá aquela que optará pela escolha padrão e racional, enquanto a outra se empossará de um desejo inexplicável e repentino. Uma delas te beijará com descaso, enquanto a outra suplicará seu amor. Eu somente posso lhe desejar boa sorte, para qual delas você vai conhecer”.


Marina Zotesso

Psicóloga, bailarina e escorpiana. Definida por ser curiosamente ativa, acredita em destino e em amores impossíveis. @mazotesso.
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