em cada esquina

Que os acasos insistam em nos encontrar

Marina Zotesso

Psicóloga, bailarina e escorpiana. Definida por ser curiosamente ativa, acredita em destino e em amores impossíveis.

Desde que você se foi

Desde então, meu olhar ainda insiste em buscar o seu em meio a multidão...


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Sabe, é difícil explicar, mas às vezes me faltam palavras, me falta mesmo é um pedaço. Eu sabia desde o minuto que você se foi, que começariam a faltar determinadas coisas na minha vida. Começou faltando a graça, os risos, faltou o abraço, o sorriso, e aos poucos foi faltando até mesmo o ar. Se você soubesse a falta que fez nas minhas manhãs de sábado, deitado ao meu lado. Em cada uma dessas manhãs havia mais do que você, existia também uma pessoa diferente no meu lugar, era alguém completa.

Você se foi, sem ao menos dizer adeus. Levou consigo meus sonhos, levou nossos planos do final de semana, não deixou se quer um rastro para que pudesse segui-lo. Das lembranças que ficaram, seu cheiro foi a maior delas. Se você imaginasse como é difícil andar pelos corredores do supermercado e se deparar com o seu perfume no ar... Procurar por você de forma desesperada, na esperança de que tenha voltado e que nossos destinos iriam se trombar ali, na sessão de alimentos, talvez você de fato voltaria. Mas não, não era você, e o vento se encarregou de levar seu cheiro embora com um estranho qualquer, assim como levou você em uma tarde qualquer.

Eu sei que reclamei tantas vezes de tirar o pijama pra ir a sua casa só por que você queria um abraço, mas hoje querido, eu ando tirando todo o esmalte das unhas esperando que você me chame para um outro abraço.

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Entrar no meu carro não é tão simples como antes. Você era meu copiloto, sabia como ninguém arguir o modo como eu dirigia, e ria tanto das inúmeras vezes que eu insistia em passar pelo mesmo buraco, todos os dias. Se hoje você voltasse, eu te juro, deixaria que mudasse as músicas do meu rádio, que deixasse os vidros abertos, mesmo que meu cabelo voasse todo no meu rosto, e deixaria que colocasse os pés no banco do carro, mas prometa que nunca mais iria partir?

Você não sabe, mas eu me segurei firme para não ver sua mudança sair daquela casa antiga, não ver nossos pedaços caídos na calçada. Me segurei tanto para não ir ao seu encontro e lhe implorar para ficar. Hoje, quando passo em frente daquela casa lembro-me de tantas horas que perdemos sentados na soleira, rindo da vida e olhando as estrelas; do modo estranho como observávamos a todos que pelo parque passavam e riamos de mãos dadas do comportamento deles, sem que ao menos imaginassem que estávamos ali, olhando!

Por todos os apelidos que demos um ao outro, desde aqueles que você odiou e implorou para eu parar (e nunca parei de chama-lo) até por aqueles que hoje, dá vontade de enviar uma mensagem logo cedo dizendo “bom dia amor”. Entre outros que a gente gostava tanto que até pareciam que já eram parte de quem sempre fomos. Uma princesa ou um querido, a gente sabia o valor que cada um deles tinha pra nós.

No fundo a gente bem sabe que o adeus nunca foi o nosso plano. O combinado era pra ficarmos bem, e esperar o dia que o “até logo” chegaria. Então, que seja breve, que seja rápido, que o logo aconteça quando eu abrir meus olhos amanhã de manhã.


Marina Zotesso

Psicóloga, bailarina e escorpiana. Definida por ser curiosamente ativa, acredita em destino e em amores impossíveis. .
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