em cada esquina

Que os acasos insistam em nos encontrar

Marina Zotesso

Psicóloga, bailarina e escorpiana. Definida por ser curiosamente ativa, acredita em destino e em amores impossíveis.

@mazotesso

O gordo preconceito da sociedade moderna

O estilo de vida de pessoas que sofrem com o excesso de peso, muitas vezes é pré-determinado pela sociedade, carregando preconceitos e discriminações, e partilhando de uma exclusão social vinculada a imagem corporal.


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A modernidade está carregada de preconceitos das mais distintas vertentes: De gênero, social e padrões estéticos a serem cumpridos e seguidos. Como se fossem mandamentos, os padrões de beleza, em especial, exigem de cada indivíduo uma cobrança exacerbada, que os limita a estarem dentro de um modelo proposto e pré-estabelecido por não se sabe quem, e quando tal modelo não se é cumprido ou se foge à regra padrão, as pessoas são fadadas ao isolamento e a exclusão social.

Talvez o que a população ainda não tenha compreendido, é que a obesidade não é uma escolha, e sim condição do indivíduo. Ninguém escolhe ser gordo, assim como ninguém escolhe nascer magro, alto ou baixo. No conhecimento popular o excesso de peso é decorrente de condutas errôneas na alimentação somados a práticas sedentárias, ok! Mas alguma dessas pessoas que apontam seus dedos para outros que sofrem com a obesidade, a fim de criticar e julgar, já pararam para refletir em que momento a obesidade começa e termina?

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Dizer que meu vizinho é gordo, e é porque quer é simples, afinal falar, até papagaio fala, não é mesmo? Porém, a pessoa com excesso de peso enfrenta lutas diárias, seja por meio do preconceito e discriminação rotineira que a sociedade o proporciona, ou pelas inúmeras comorbidades que estão associadas, sejam elas de cunho físico, genético, psicológico ou demais. E nesse contexto, a perda de peso passa a ser não mais uma opção, mas uma solução para a saúde e muitas vezes determinante para a vida.

Dessa forma, podemos entender que há muito mais entre o gordo e o magro do que supõe nossa vã Filosofia.

É lindo quando vemos pessoas em prol dos direitos humanos, pessoas que lutam para diminuição de preconceitos raciais, sociais, que buscam o fim da homofobia, de fato é admirável e honrável. Mas me admiro ainda mais quando vejo os mesmos, ou também outros dizerem que “a culpa é do gordo”, que “não vendo roupas para o seu tamanho”, entre outros relatos que me deparo ruas a fora.

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Para quem é magro, volto a dizer, tão simples é aconselhar alguém a emagrecer. Contudo, eu proponho um desafio a você que gosta de julgar quem é gordo: Lhe aconselho a pensar antes de falar, antes de julgar e incriminar alguém que não é parte dos padrões da sociedade, ao final o peso maior está no seu preconceito e no modo arcaico de querer que todos sejam iguais. Viva as diferenças! Os magros, os gordos, os baixos, altos, gays ou héteros. Viva que somos feitos de escolhas, e que essas escolhas é que de fato nos representam.

Chega de dizer para a Letícia usar roupas pretas, ou então listradas na vertical por que isso diminui visualmente seu peso. Chega de manequins tão magros que nem uma criança de dez anos entraria nas roupas que eles vestem. Chega de distorção da realidade nas passarelas. E por fim, sessemos de olhar torto para alguém com alguns quilos a mais, a verdadeira beleza vai muito além dos estereótipos. O peso da obesidade no final das contas, é social.


Marina Zotesso

Psicóloga, bailarina e escorpiana. Definida por ser curiosamente ativa, acredita em destino e em amores impossíveis. @mazotesso.
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