em cada esquina

Que os acasos insistam em nos encontrar

Marina Zotesso

Psicóloga, bailarina e escorpiana. Definida por ser curiosamente ativa, acredita em destino e em amores impossíveis.

Não é porque sou psicóloga (o) que estou te analisando

Sobre a ideia que as pessoas cultivam de que psicólogos estão te analisando a todo momento, e em qualquer lugar...


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Quem, psicólogo ou estudante do curso, nunca se deparou com uma cena fatídica no churrasco de domingo com os familiares: Todos sentados à mesa, conversando, rindo e implicitamente arrumando um jeito de contar seus problemas mais íntimos, achando em uma total ilusão que está sendo discreto, e após um tempo considerável dessa conversa olhe profundamente para você e diga “Olha a(o) psicóloga(o) me analisando!”.

Pessoas do meu Brasil brasileiro, entendam de forma clara e sucinta o que agora vou lhes dizer... e digo isso a você: tio, amigo, colega, vizinho, porteiro, gato e papagaio: Não, eu não analiso as pessoas em tempo integral!! Eu não acordo todos os dias pela manhã e olho para minha colega de quarto e penso “Que comportamento mais inadequado de não me dizer bom dia... acho que preciso condicionar melhor seu comportamento a fim de evitar situações como essa no futuro, e evitando também que minha colega sofra com uma possível falta de habilidades sociais em sua vida pessoal”. Ou então “Minha tia tem tantos problemas distintos – relatados ao longo dessas 2 horas de jantar- acho que há algum trama em sua infância que possa explicar sua fala e todos esses sonhos que ela relata”. E por falar em sonhos... quero dizer que NÃO, eu não vou saber te dizer se seu sonho com um rinoceronte pulando de paraquedas tem algo a ver com sua vida. Talvez a melhor explicação seja que você tenha esporadicamente alguns sonhos estranhos com detalhes, e isso é normal, até eu tenho e não procuro desvenda-los magicamente. Eu sei, que vocês tem medo que o psicólogo lhes analise, entre em sua mente e roube seus pensamentos (haha), mas não! Na verdade ninguém faz isso, tá? Em grande parte das vezes a única analise que eu particularmente faço frente a relatos tão complexos no meio do churrasco é: “Meu, que horas sai a carne?”. Então fique tranquilo, não sou ninguém para te julgar!

Tia (ou afins), no churrasco da família, eu sou apenas uma sobrinha, uma filha, um outro ser humano qualquer que está ali para viver a vida, para desfrutar dos bons momentos, das risadas e companhia em geral. É claro, que por muito tempo estudando comportamento humano e suas variações eu não consigo desligar meu “radar de psicóloga” frente a situações nas quais sei que posso dar meu apoio, e sugerir encaminhamento a um profissional que não seja da família, mas isso não quer dizer que estarei lhe julgando mentalmente a cada nova história que contar.

Percebo ao longo desses anos, no qual acredito piamente que a psicologia me escolheu mais do que eu mesma a tenha escolhido, que as pessoas querem a cura para suas dores internas, mas tem medo que qualquer mínima resposta para seus relatos (feitos em sua totalidade em contextos inapropriados) lhes seja dada.

Psicólogos são seres lindos (embora eu seja suspeita a falar, haha), temos a habilidade de ser profissional e ético no momento de trabalho, mas também somos amigos na roda de bar, somos filhas(os), pais e mães, quando o momento nos chama a viver. Minha profissão não julga ninguém, nem tão pouco trabalha em tempo integral avaliando cada nova mudança diária minha ou daqueles que convivem comigo.

Os profissionais da área de psicologia lutam diariamente para que a profissão não seja banalizada por terceiros ou até mesmo que seus pacientes ganhem rótulos, como “loucos” e “problemáticos”. Não vai ao psicólogo quem tem problemas. Problemas todo mundo tem. Vai ao psicólogo quem quer resolvê-los.

Acredite se quiser, ninguém ficará ileso nessa vida, sem em algum momento passar por um psicólogo. Se a terapia não partir da busca autônoma do cliente, você com certeza irá encontrar um psicólogo na escola do seu filho, na sua entrevista de emprego, no exame para futuros motoristas, no hospital ou na Universidade... Acredite, você vai nos encontrar! Mas lembre-se, fora de nosso ambiente de trabalho nós NÃO estaremos te analisando!

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Marina Zotesso

Psicóloga, bailarina e escorpiana. Definida por ser curiosamente ativa, acredita em destino e em amores impossíveis. .
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