em cada esquina

Que os acasos insistam em nos encontrar

Marina Zotesso

Psicóloga, bailarina e escorpiana. Definida por ser curiosamente ativa, acredita em destino e em amores impossíveis.

@mazotesso

“Não sou um homem fácil” Um filme que precisa ser visto

E ai eu te pergunto, e se do dia para a noite o mundo invertesse os papeis tradicionais que temos hoje, e as mulheres entrassem no comando, como de fato seria? Talvez uma possível ideia para essa resposta esteja nesse filme...Não deixe de –mesmo que momentaneamente- visualizar o poder sobre as mãos femininas.


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O filme “Não sou um homem fácil” pode ser encontrado na Netflix. De forma sucinta a sinopse do filme trata da inversão do poder do homem para a mulher, estando essas sob o controle na sociedade.

A princípio para quem lê esse pequeno resumo do filme nem se quer imagina como seria tal situação, tendo em vista que desde sempre os homens “comandam” a sociedade, por meio de posturas e comportamentos machistas, mesmo que esses muito sutis e implícitos.

Um exemplo básico que é abordado no filme, e que quando invertido para o papel da mulher chega a confundir-nos a ponto de refletirmos como nós mesmos temos raízes do machismo. Comumente os homens tiram a camisa quando estão com calor, em churrascos e para jogar futebol, agora por um segundo imagine se a mulher fosse quem andasse sem camisa. Como seria? Se não tivéssemos que nos cobrir atrás de sutiãs e blusas? Acuso dizer que libertador.

E afinal, qual a função de nossas bolsas pesadas? Seria de fato praticidade ou status social ao qual fomos impostas? Por que somente nós mulheres temos que nos submeter a dores de depilação, e quando não o fazemos, sermos julgadas de “sujas” ou por “falta de higiene”, e por que homens com mais pêlos expostos aparentam mais masculinidade e popularmente aptos a serem desejados?

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Mas ai entro em um grande questionamento, seria o melhor, o ideal ou correto o poder ser dado as mulheres? Calma! Não estou lhe levando a um pensamento machista. No filme é exposto o “poder” sempre nas mãos de um dos gêneros abordados, mas não seria o melhor que esse poder não tivesse que ficar sob as mãos de homens ou de mulheres, mas sim dividido, de forma igualitária. Afinal de contas, como diria o brilhante filósofo Mario Sergio Cortella: “Machismo não é o contrário de feminismo, o contrário de machismo é inteligência”. A igualdade dos gêneros, e inteligência, como bem posto por Cortella nos levaria a condições mais humanitárias, como sempre foi proposto pelos Direitos Humanos. Seu sexo ou opção sexual não deveriam nortear questões e posturas de poderes ou submissões entre os demais. A inteligência deve vir para respeitar, aceitar e reduzir os rótulos que muitas vezes, e de forma implícita, pregamos para nós e para a comunidade de forma geral, nos ajudaria a visualizar quais seriam as condutas adequadas, bem com comportamentos que deveríamos ter para com o próximo.

Quando o filme brilhantemente traz esse título “Eu não sou um homem fácil”, podemos claramente perceber que se trocarmos as palavras homem por mulher, a frase toma uma nova conotação. A violência contra a mulher é diária, em “pequenas” frases como essa, e na qual quando há a substituição dos gêneros a leitura já não é mais a mesma, passa de uma agressão para um elogio.

Eu não sou uma mulher fácil, nem tão pouco acredito que de fato haja um significado plausível para esse “fácil”, afinal de contas até mesmo essa atribuição é regada de pré-conceitos. Mas quando me refiro na frase anterior a não ser uma mulher fácil, volto seu olhar caro leitor para a minha interpretação: Não, eu não sou uma mulher fácil... não aceito posturas políticas que minimizam as mulheres. Não aceito a agressão seja ela verbal ou não verbal, não aceito ganhar menos do que um homem, não aceito ser tratada com falta de respeito, não aceito ideias ou concepções postas, questiono, estudo e crio minhas próprias teorias, contribuindo diariamente para o conhecimento e para igualdade. Eu não sou uma mulher fácil mesmo! Tenho artigos publicados, mestrado e doutorado, por que ninguém jamais vai me parar e dizer que não sou capaz de questionar e de mudar o mundo.

E ai eu te pergunto, e se do dia para a noite o mundo invertesse os papeis tradicionais que temos hoje, e as mulheres entrassem no comando, como de fato seria? Talvez uma possível ideia para essa resposta esteja nesse filme...Não deixe de –mesmo que momentaneamente- visualizar o poder sobre as mãos femininas.


Marina Zotesso

Psicóloga, bailarina e escorpiana. Definida por ser curiosamente ativa, acredita em destino e em amores impossíveis. @mazotesso.
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