em cada esquina

Que os acasos insistam em nos encontrar

Marina Zotesso

Psicóloga, bailarina e escorpiana. Definida por ser curiosamente ativa, acredita em destino e em amores impossíveis.

@mazotesso

Os trinta anos

Nos 30 os joelhos começam a dar sinal de dor. Dores essas provenientes das imprudências dos 20 muitas vezes, ou apenas sinal de que a mudança se faz necessária e é importante reavaliar se irá de salto ou de tênis no próximo evento começam as ser decisões importantes.


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Trinta anos é uma fase marcante, pois não é mais os 18 em que o sonho é tirar carta, nem tão pouco os 60, que a expectativa já é baixa na verdade, e se reavalia toda sua trajetória ao tirar o cartão de idoso para o estacionamento. Os 30 está logo ali, no meio. Entre fases marcantes o 30 é característico de mudança de etapa, mudança da casinha dos 20, onde neles tudo é permitido, todo proibido é gostoso, toda festa é pouca e a juventude é o calor.

Nos 30 os joelhos começam a dar sinal de dor. Dores essas provenientes das imprudências dos 20 muitas vezes, ou apenas sinal de que a mudança se faz necessária e é importante reavaliar se irá de salto ou de tênis no próximo evento começam as ser decisões importantes.

Coisa estranha essa né... um dia 29 e ta tudo ok, no outro o 30 traz o ar de cobrança pela responsabilidade, pela maturidade que nos é exigida.

Quando fiz meus desejados 18 anos, imaginava que ao chegar nos 30 estaria bem-sucedida, casada e pensando em ter filhos. Mas na verdade estou solteira, paquero visualmente alguns personais trainers na academia para minimamente esse lugar ser reforçador, visto que de fato os joelhos doem por bem pouco. Não dá pra negar, todavia que conquistei algumas coisas, realizei muitos sonhos, mas as vésperas de trintar, a reflexão sobre o olhar para trás, e para frente do ponto de vista panorâmico exato de onde estou, me assusta.

3 décadas é um tempo significativa para ter lembranças, saudades e também arrependimentos. Mas de forma simbólica e até mesmo supersticiosa gera um medo... do novo, da nova caminhada que chega e me convida para uma vida adulta. Afinal ser adulto dói tanto. Ahhh se eu pudesse dizer algo àquela menina que queria tanto fazer 18 anos. "Menina, não queira crescer não! Ser adulto não é mole... Os boletos te afogam todo mês e as costas doem, a sociedade te cobra de casar e ter filhos... não cresce não... vive devagar!".

Mas olhar para frente... passar para a casinha dos 30, quais surpresas a vida me reserva? Não só não sei, como nem tão pouco imagino. A única certeza que tenho é que após os 30 anos, começamos a refletir sobre todos os amores colecionados, lembranças, medos, tristezas, sonhos realizados, pessoas que vieram e foram, batalhas que lutadas, ganhadas e muitas as que superamos nós mesmos. E acima de tudo, que diariamente necessitamos renovar-nos, e estarmos prontos e de coração aberto para recomeçar.

Hoje dei as mãos para mim mesma, e percebi que não há melhor companhia que a minha própria. Não há melhores amigos, do que aqueles que aparecem despretensiosos e mudam nosso destino. Não há melhor viagem do que aquela ao mais fundo de si mesmo, descobrindo só assim o prazer da liberdade, de construir e alcançar seus sonhos de pequena, saber que agora a viagem é por conta própria, porém a paisagem, vista somente dos olhos de quem já viveu 3 décadas, é impagável e o vento nos cabelos e o sol no rosto tem um gosto diferente, de quem é grata por diariamente “flore SER”.

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Marina Zotesso

Psicóloga, bailarina e escorpiana. Definida por ser curiosamente ativa, acredita em destino e em amores impossíveis. @mazotesso.
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