em cada esquina

Que os acasos insistam em nos encontrar

Marina Zotesso

Psicóloga, bailarina e escorpiana. Definida por ser curiosamente ativa, acredita em destino e em amores impossíveis.

@mazotesso

Qual a imagem que você tem cultivado sobre a solidão?

Que ao invés de fugirmos da solidão e da carência, possamos ter coragem convidá-las para tomarem um vinho.


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Interessante o fato como a solidão incomoda muita gente, mas eu te garanto, que gente chata e indecisa incomoda muito mais.

Em minha experiência profissional como psicóloga e também pessoal, como mulher que sou, percebo o quão densa e árdua é a temática da solidão às mulheres. Reflexo indiscutível da cultura patriarcal a qual estamos inseridas, que diariamente nos impõe rótulos, padrões, regras e até mesmo prazo de validade (expressão recente que ouvi acerca da gestação tardia). E sob todas essas variáveis que nos impulsionam ao medo da solidão, somos conduzidas a acreditar em um sistema cultural que limita a mulher, e atribui a felicidade e o prazer pessoal unicamente ligado a uma outra figura, colocando em um parceiro (a) a chave para a completude.

Que na caminhada da vida, possamos buscar diariamente o amadurecimento pessoal. Aquele que que de fato nos garante o amor próprio a partir de escolhas saudáveis. Sem acreditar em contos de fadas, pequenas promessas ou ilusões baratas de que só se encontra o prazer a partir do que o outro pode te ensinar ou proporcionar. Que possamos nos amar em primeiro lugar, pois só aí saberemos identificar quem entra, fica, mas acima de tudo deve sair de nossa história. Que discursos pequenos, e muito pouco infundados não sejam o suficiente para visualizar a felicidade. Que a dominância, e certa violência, seja ela explícita (pela sociedade machista) ou velada por uma capa de proteção momentânea (oferecida por relacionamentos supérfluos) não te limitem a uma ideia e conceito de paz a dois.

Que ao invés de fugirmos da solidão e da carência, cometendo erros básicos, como se deixar em segundo lugar, aceitar relacionamentos mais ou menos, mudar quem somos para tentar nos encaixar a uma história irreal, onde é necessário fantasiar que o sentimento e desejos do outro podem “um dia” serem recíprocos ao seu, e diminuindo-se gradativamente na busca de um encaixe totalmente distorcido. Quem sabe você não descubra que não vale a pena a companhia se ela não tiver os mesmos objetivos e propósitos que os seus, que ao invés disso possamos ter coragem para ao invés de fugir, convidar a solidão e a carência para tomarem um vinho.

Quem sabe ai minha cara, vocês fiquem melhores amigas, e descubram muito mais por trás de cada uma do que imaginavam ou apenas supunham, quem sabe você descubra que elas não precisam ser suas inimigas e andarem atrás de você, lhe seguindo e causando medo, fazendo com que muitas vezes você opte por correr delas, quem sabe depois um belo vinho, elas não se tornem suas amigas, e passem agora a serem reconhecidas como solitude e harmonia, lhe mostrando o real prazer de se caminhar... Não sozinha, mas agora finalmente CONSIGO MESMA (sua melhor companhia).


Marina Zotesso

Psicóloga, bailarina e escorpiana. Definida por ser curiosamente ativa, acredita em destino e em amores impossíveis. @mazotesso.
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