em construção

A vida acontece no durante

Flávia Bechtinger

A Flávia é formada em Comunicação Social e autora na página Poesia que sorri. Desde pequena, escreve. Escreve para estar presente, para sentir, para ser. Escreve. Busca escolher palavras que ultrapassam o valor das palavras.

Alguém não querer estar ao seu lado deveria ser suficiente para você não querer também

O que nos faz querer estar com alguém que não quer estar conosco?
Esses dias eu li que não receber mensagem também é uma mensagem. Só que, muitas vezes, ouvir o que não está sendo dito, perceber o que está nas entrelinhas é bem difícil. Ou a gente prefere não perceber mesmo. Muitas vezes é tão óbvio que, se fosse dito, o mundo todo poderia ouvir, mas é normal a gente preferir se apegar apenas ao que queremos e às projeções e histórias que a nossa cabeça inventa. Talvez seja mais fácil viver num mundo encantado do que acordar para a vida e para o fato de que aquela pessoa simplesmente não quer estar ao seu lado.


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Há uns dias, conversei com uma amiga e ela me disse que o cara que gosta não parece gostar tanto dela assim. Falou que quando estão juntos é maravilhoso: ele diz coisas incríveis, é carinhoso, a conexão é ótima, dentre tantas outras coisas. Mas depois some, fica dias sem responder uma mensagem, é meio grosso e age com indiferença. Resumindo: ele dá muito menos do que ela merece. Enquanto ela falava, percebia que buscava encontrar um motivo para cada comportamento dele que estava machucando-a. É mais ou menos assim: ele pode errar o quanto quer porque ela entende. Já ela, não. A cada comportamento que ela julga que pode não agradá-lo, se condena. Parece acreditar que ele tem motivo para não querer estar com ela. Ou seja, ela aceita ele, mas não se aceita. Em outras palavras, ela escolhe colocar o outro num lugar muito mais importante na sua vida do que ela própria. E, com isso, se machuca. Louco, não é? E o pior: a responsabilidade é toda dela. O outro só machucou uma vez, mas ela está ali pedindo para ser machucada de novo e de novo e de novo. Quantas expectativas frustradas, quanta energia gasta, quanto tempo dedicado a pensar em alguém que não está nem aí.

Quando damos esse poder todo para o outro, gastamos energia à beça e sofremos muito.

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Não estou fazendo juízo de valor. Nem dizendo que eu faria diferente. Só que, olhando para a história de outra pessoa, conseguimos ver com mais clareza. E se podemos aprender com o erro dos outros, ótimo. Porque isso nos ajuda a fazer melhor da próxima vez em que alguma situação similar acontecer na nossa vida.

E essa história realmente me levou a pensar.

Lembrei de quando eu era pequena. Sempre que via uma rodinha de crianças brincando, eu logo ia perguntar se podia brincar com elas. Se dissessem que não, eu simplesmente ia para outra rodinha e perguntava de novo, até ter alguém que me aceitasse perto.

Não deveria ser assim? O outro também tem o direito de não nos querer, oras. E se o carinho que sentimos pela pessoa é real, queremos mesmo é vê-la feliz. Se não for com a gente, tudo bem. Um dia alguém vai querer estar ao nosso lado, vai nos admirar pelo o que somos, com todas as nossas maluquices, com todo o nosso mau humor e comportamentos “errados”. Enquanto isso, vamos nos divertir com a nossa companhia e com a presença daqueles que nos querem por perto. Assim, a brincadeira fica muito mais divertida, eu garanto.

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Enquanto não nos empoderarmos de quem somos e nos dermos o amor que estamos dispostos a dividir com o outro, continuaremos tristes e infelizes. E é normal, no meio disso tudo, acreditarmos que não somos dignos de receber amor. Ora, se nem nós nos damos amor, como vamos querer que o outro dê?

Parece óbvio, não é? O que nos faz querer estar com alguém que não quer estar conosco?

A pessoa pode ser linda, ter um monte de afinidades com você, ser o cara ou a mulher com quem você sempre sonhou, ser inteligente e tudo o mais que você valoriza em uma pessoa para estar com você, mas se ela não pensa o mesmo, paciência! É aceitar e seguir adiante, sem aquela ideia de que “você não é bom para ninguém” ou qualquer outra abobrinha que a sua cabeça invente para colocar você para baixo.

Por vezes, travamos uma batalha com nós mesmos e passamos a acreditar que aquela pessoa é um prêmio que, se ganharmos, seremos felizes para sempre. Pensa bem: como ela pode ser um prêmio se um prêmio vem para te trazer alegrias e, nesse caso, não traz?

Vamos fazer assim? A pessoa pode ser um sonho, mas se você fizer disso um pesadelo, acorde, siga por outro caminho e escolha outra rodinha para brincar. Combinado?

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Flávia Bechtinger

A Flávia é formada em Comunicação Social e autora na página Poesia que sorri. Desde pequena, escreve. Escreve para estar presente, para sentir, para ser. Escreve. Busca escolher palavras que ultrapassam o valor das palavras..
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