em construção

A vida acontece no durante

Flávia Bechtinger

A Flávia é formada em Comunicação Social e autora na página Poesia que sorri. Desde pequena, escreve. Escreve para estar presente, para sentir, para ser. Escreve. Busca escolher palavras que ultrapassam o valor das palavras.

Me desculpe, eu ainda não sei bem o que é o amor

Eu ainda não sei amar. Talvez seja tarde para falar isso, eu sei. É que só agora eu consegui perceber que eu realmente não sei o que é o amor. Deixei passar muito tempo. Deixei passar você.
Me desculpe por tudo o que eu fiz. Queria me sentir amada, mas eu ainda não entendia que amor não acontece de um lado só. Como eu poderia esperar amor quando tudo o que eu dava era bem diferente disso? Eu só queria ser amada e não soube amar.


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Me desculpe pelas vezes em que eu insisti em discutir assuntos desconfortáveis para você, só porque eu queria falar. Eu sentia que você não queria comentar sobre eles, mas como era importante para mim e eu queria obter algumas respostas, eu insisti e passei por cima do seu desconforto.

Algumas vezes, falei coisas para você só para ouvir o que eu queria. Não era lá muito verdade, mas eu queria me sentir especial para você.

E eu tive raiva de você quando senti que você não dava atenção para mim do jeito que eu queria. Falando assim parece muito infantil, mas eu fiz isso mesmo, exatamente como estou falando aí. Sabe o que é pior? Eu exigia algo de você que eu mesma não estava disposta a dar.

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Contei algumas mentiras, sabia? Sabe quando eu disse que queria muito gostar de alguém mas tinha dificuldade porque não conseguia me apaixonar? Pois é. Acho que foi por medo de sentir algo mais forte por você e levar um pé na bunda. Preferi me fazer de forte. Fiz um jogo bobo. Assim, se você resolvesse sair, não poderia imaginar que eu choraria um pouco. Não sei se já te disse que não gosto que me vejam chorando. Aprendi com a vida que temos que ser firmes e eu procurei me manter assim, até quando estava desmoronando por dentro.

Desculpe também por fingir que doía em mim quando tudo o que eu queria era um abraço. Eu inventei algumas tristezas só para você me proteger. Eu queria me sentir protegida nos seus braços, mas agora percebo que teria sido tão mais fácil se eu tivesse dito isso.

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Joguei muito lixo em você só para você me dar atenção. E olha, pensando agora, percebi que eu falei tanto que me esqueci de ouvir você. Uma pena porque sinto que eu poderia ter aprendido muito com você.

Não te dei espaço para ser quem você é. E por estar tão preocupada em parecer incrível, me esqueci de ser eu. Não me encontrei, não te encontrei, não nos encontramos. Como eu fui egoísta.

Você é muito especial e eu não me lembro de quando eu fiz um elogio sem esperar outro em troca.

Quando me senti sozinha ou quando alguma situação saiu diferente do que eu tinha imaginado, eu fiquei brava com você. Não fiz por mal; é que aprendi desse jeito. Eu aprendi a exigir amor, a cobrar por isso.

Amor mesmo é livre e eu não entendia assim. Livre para eu e você sermos as únicas coisas que podemos ser: nós mesmos.

Inventei alguns motivos para a gente brigar, mas na maioria das vezes foi só para a gente poder fazer as pazes depois.

Mesmo assim, me desculpe. Tudo o que eu queria era ser vista. E eu não te vi. Tudo o que eu queria era um olhar profundo e mal dei um olhar de relance.

Me perdi de mim e talvez tenha perdido você.

Tudo bem, passou. Que sirva de lição para o que viveremos daqui para a frente. Só precisava dizer isso porque culpei muito você. Ainda que eu não falasse isso, dentro de mim eu achava que a culpa era toda sua e que a minha parte eu fiz certo. Mais uma vez, eu errei. Acho que é por isso: eu não sei amar. Ainda estou aprendendo.

E para hoje, eu desejo que a gente reescreva novas histórias, novos roteiros e deixe a vida nos ensinar o que é o amor de verdade. Não sei em quanto tempo terei aprendido. Também não sei se um dia pararei de aprender, mas por hora sei que sei mais do que ontem. E amanhã é um novo dia.

Você me desculpa?

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Flávia Bechtinger

A Flávia é formada em Comunicação Social e autora na página Poesia que sorri. Desde pequena, escreve. Escreve para estar presente, para sentir, para ser. Escreve. Busca escolher palavras que ultrapassam o valor das palavras..
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