em construção

A vida acontece no durante

Flávia Bechtinger

A Flávia é formada em Comunicação Social e autora na página Poesia que sorri. Desde pequena, escreve. Escreve para estar presente, para sentir, para ser. Escreve. Busca escolher palavras que ultrapassam o valor das palavras.

O amor é uma gaivota, e não é de papel

É difícil definir o amor. Não tem cheiro, sabor, forma e nunca conheci alguém que tivesse conseguido pegá-lo. Talvez a graça toda esteja aí, inclusive. O que se define se conclui e há sempre tanto mais para se descobrir.


Amor é um livro que quanto mais a gente lê menos sentido a gente encontra.
Amor não é uma palavra. Talvez seja poesia. Talvez.

O mais próximo que cheguei de entender o que é amor foi quando vi uma gaivota.
Vi vi, de verdade. Olhei para cima e vi ela ali: livre, cortando o céu, com sua solitude plena.
Ela até voa em bando vez ou outra, mas essa estava sozinha.

Nesse dia, entendi que para amar temos que nos sentir livres de verdade. Podemos estar em qualquer lugar, mas escolhemos estar ali: deitados no sofá da sala ou na fila do cinema. Ali. E ela estava no céu.

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O amor é como um mergulho daqueles que a gaivota faz para pegar sua comida. Mergulho desses de cabeça mesmo. Mergulho desses em que você coloca seu coração acima da sua cabeça e vai, assim como ela faz quando entra no mar. Mergulho de cabeça, mas com o coração.
E ela vai fundo. Pode ser que tenha medo, mas vai.
Sem garantias, sem regras e sem reservas.
Tudo ou nada mesmo. No caso tudo porque até quando não se pega o peixe, valeu o mergulho.
É pássaro fora da gaiola.

O amor é conexão, um sentir que faz parte do todo. Como ela faz da paisagem.
O amor é pleno, soberano. Quem acha que a gaivota não é?
O amor é silêncio. Só o vento batendo nas asas. Batidas do coração e barulho de brisa.
O amor te faz voar e perceber que o limite é o céu inteiro.

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O amor é lindo. E elas também.
O amor é paz. Relaxar em quem nós somos. E como elas sabem fazer isso bem.
O amor faz a gente querer bater as asas e espalhar mais amor por aí.
O amor não tem medo de altura. E se tem, topa o desafio de ir com medo mesmo. E ele se joga.

O amor existe. E elas estão aí para mostrar o quanto é belo.
O amor é um vôo solo, mesmo o amor de dois. É você completo, o outro também. Um e um, que podem ser dois. Mas que antes de tudo, são um.
E você vai mesmo quando o outro não está ali. É tudo ou nada, lembra?
O amor é dança. E como elas dançam lá em cima.
Disse que não era de papel porque o amor amor é sempre de verdade e não rasga.

O amor é encontro. Encontro desses de verdade, em que a gente realmente está ali, com tudo o que somos. Assim como foi o dia em que as encontrei.

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E para os que buscam uma resposta do que é amor no dicionário, sugiro que olhem para o céu.


Flávia Bechtinger

A Flávia é formada em Comunicação Social e autora na página Poesia que sorri. Desde pequena, escreve. Escreve para estar presente, para sentir, para ser. Escreve. Busca escolher palavras que ultrapassam o valor das palavras..
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