em construção

A vida acontece no durante

Flávia Bechtinger

A Flávia é formada em Comunicação Social e autora na página Poesia que sorri. Desde pequena, escreve. Escreve para estar presente, para sentir, para ser. Escreve. Busca escolher palavras que ultrapassam o valor das palavras.

A frase que mudou a minha vida

Julguei o livro pela capa mesmo. E ainda bem que topei ler mesmo assim. Por fim, achei o livro legal e a leitura leve, mas o que me impressionou mesmo foi uma frase que quase passa batido por mim: a gente aceita o amor que acha que merece.


15942077_10154326224038207_53430440_n.jpg
Foto: Pedro Petersen

Todas as vezes que vou descer para levar meu cachorro para fazer xixi na rua, levo um livro para ler. Tem sido assim há pouco menos de dois anos.
Num dia como todos os outros, meu porteiro me deu um livro porque disse que eu lia muito e, em pouco tempo meu estoque de livros ia acabar. Quando vi a capa do livro, pensei que não conseguiria ler um livro desses. Parecia uma historinha boba de adolescente em busca de experiências novas. Não me dava a mínima vontade de ler.

Julguei o livro pela capa mesmo. E ainda bem que topei ler mesmo assim. Por fim, achei o livro legal e a leitura leve, mas o que me impressionou mesmo foi uma frase que quase passa batido por mim: a gente aceita o amor que acha que merece.

Isso ficou ressoando aqui dentro um bom tempo. Na verdade, está vibrando até agora e penso que ficará para sempre porque se não foi a frase mais importante que já li, está no topo da lista.

Pensa bem: a gente aceita o amor que acha que merece.

Faça uma busca nas suas histórias. Quantas vezes você aceitou menos? Quantas vezes você pegou as migalhas porque era o que de melhor o outro tinha a oferecer para você? Quantas vezes você se culpou pela indiferença da outra pessoa? Quantas vezes você deixou de acreditar que você é especial só porque o outro coloca você para baixo? E quantas vezes mais vai aceitar receber pouco amor?

15909698_10210846798821664_886772892_n.jpg
Foto: Maurício Souza

Todos nós merecemos e temos muito amor disponível. Pode ser que venha da família, de amigos, de companheiros, de conhecidos, de colegas de trabalho e de mais um monte de desconhecidos com quem esbarramos por aí. Não importa. Já temos muito amor. Só que nós queremos aquele amor, daquele jeito e, muitas vezes, de pessoas que não merecem. E não é que não mereçam porque são isso ou aquilo, mas simplesmente porque não estão dispostas a nos retribuir.

E, às vezes, estamos tão acostumados a receber pouco que buscamos aumentar as ações das pessoas para nos convencer de que estão dando o bastante. Dentro de nós sabemos que é muito pouco. No fim das contas, fica um buraco.

A vida vai passando e esse buraco vai aumentando. Estamos com as pessoas e buscamos viver para nos sentir plenos, mas a cada dia que passa, a vida se mostra mais vazia, com menos afeto, menos carinhos, menos amor. Menos.

O que é amor para você? Talvez sua resposta seja completamente diferente da minha. E pode ser que nunca consigamos chegar a uma conclusão do que é o amor, só que o ponto aqui é que vale o convite para você parar para pensar o que é bom de verdade para você. O que te preenche, o que é suficiente para você.

Quando nos olhamos no espelho e começamos a perceber que dentro de nós existe alguém especial que merece todo o amor do mundo, tudo vai ficando mais claro e passamos a buscar situações plenas de verdade para viver; não mais mentirinhas contadas por pessoas que parecem não se importar muito conosco.

Um relacionamento deveria ser como uma dança: cada um faz sua parte. E, se são duas pessoas, cada uma faz a metade do trabalho. Ninguém culpa ninguém porque a ideia do encontro é somar e cada um assume a sua parcela de responsabilidade ali, que é de 50%. Se você precisa ir até mais do que o meio do caminho para manter a relação, repense se é isso mesmo que você quer. Se for, continue. Se não for, mude. E mude já.

O primeiro passo é olhar para você como quem olha para a pessoa mais importante da vida. O que você gosta? O que deixa você feliz de verdade? O que é importante para você? Você sabe? Já pensou nos seus sonhos?

E essa pessoa aí? Ela faz questão de estar ao seu lado como faz de estar com ela? Ela se importa com você?

Pode ser que a gente demore uma vida para entender o que é o amor. Pode ser que a gente nunca entenda. Mas no fundo a gente sabe quando existe equilíbrio. E sente quando tem desequilíbrio também.

15942068_10154326216248207_1876629869_n.jpg
Foto: Pedro Petersen

Quando eu amo por dois, minha energia se esgota rápido demais e fica cada vez mais difícil de carregar o relacionamento. É pesado um segurar o que é de responsabilidade de dois. Quando a gente divide, fica mais justo, fica mais leve e a gente consegue levar por muito mais tempo.

Pode ser que você ainda se engane muitas vezes e acabe entregando muito mais para o outro do que ele merece, mas o importante é perceber isso o quanto antes e ir em busca de encontros mais inteiros.

A conclusão disso tudo? Deixe que a vantagem de ser invisível seja só o nome do livro mesmo.



Flávia Bechtinger

A Flávia é formada em Comunicação Social e autora na página Poesia que sorri. Desde pequena, escreve. Escreve para estar presente, para sentir, para ser. Escreve. Busca escolher palavras que ultrapassam o valor das palavras..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @obvious, @obvioushp //Flávia Bechtinger