em construção

A vida acontece no durante

Flávia Bechtinger

A Flávia é formada em Comunicação Social e autora na página Poesia que sorri. Desde pequena, escreve. Escreve para estar presente, para sentir, para ser. Escreve. Busca escolher palavras que ultrapassam o valor das palavras.

O maior aprendizado é o que você não sabe explicar.

Ao longo da vida, vamos construindo essa estrutura de saber, esse campo de onde tiramos as certezas, de onde tiramos o que é correto. Esse lugar onde nos sentimos mais seguros, com mais controle do que vem. É fácil de entrar porque usar a mente nos protege de sentir. Quando racionalizamos o que acontece já reeditamos a história. Experimente falar sobre a liberdade. É quase prender um pássaro dentro da gaiola, fechar a gaiola e esperar que ele voe. Você prende o conceito, retrai o significado e esconde o potencial de tudo o que ele pode ser.


Fading_away_by_OlexD.jpg

(Fonte: http://www.gizdaalma.com.br/desconstrucao/)

Tem um saber que vem da mente, do intelecto, que acaba com as discussões, que apresenta argumentos, que, de vez em quando, vence a disputa. Quem possui esse saber tem um certo poder. É lógico, faz sentido, ajuda a entender. Ele desconstrói, mas também constrói. Barreiras, principalmente. É o que, muitas vezes, separa, afasta, desencontra. É aquele que sabe muito e não sente na mesma medida.

Ao longo da vida, vamos construindo essa estrutura de saber, esse campo de onde tiramos as certezas e o que é correto. Esse lugar onde nos sentimos mais seguros, com mais controle do que vem. É fácil de entrar porque usar a mente nos protege de sentir. Quando racionalizamos o que acontece já reeditamos a história. Experimente falar sobre a liberdade. É quase como prender um pássaro dentro da gaiola, fechar a gaiola e esperar que ele voe. Você espreme o conceito, retrai o significado e esconde o potencial de tudo o que ele pode ser.

Fazemos isso com ideias, pessoas, situações, formas. Usamos para entender, para julgar, para condenar, para definir, para delimitar, para organizar, para planejar, para encaixar. Nunca para expandir. O controle é necessário aqui porque precisamos saber onde isso vai dar. Se não, é abstrato demais para manter.

Falamos de opostos, enquadramos, fechamos e ainda esperamos sair maiores do que chegamos.

Até esse ponto, tudo normal porque é assim que é mesmo. Foi desse jeito que prendemos até aqui. Isso nos trouxe para o lugar onde estamos e estava tudo bem. Mas agora, começamos a sentir um incômodo por sentir que existe alguma coisa fora do lugar. O que eu sabia já não sei; duvido das minhas certezas porque já não sou quem eu era. E você também. Não faz mais tanto sentido e parece que falta um pedaço da história. Na verdade, a história já virou histórias, um monte delas que nos levam para vários lugares ao mesmo tempo.

Tomo um pouco d'água e penso em seguir viagem, mas o caminho que escolhi já não foi mais feito para os meus pés. Preciso de ar porque me sinto perdida. Com você também é assim?

Desconstrucao-esquecimento4-Lucas-Braga-UFMG.jpg
(Fonte: Desconstrucao-esquecimento4-Lucas-Braga-UFMG)

Preciso de uma resposta que não está nos livros que já li, nem nos lugares que conheci e muito menos nas pessoas com quem encontrei. Preciso não saber para saber. Preciso perder as referências para me achar. Não quero mais saber porque saber me trouxe até aqui e eu sempre quis ir além. Desconfio que com você seja igual.

Que tal entender além das palavras, nos perder nos significados e tomar um sorvete antes de completar a frase? Vamos nos perder nos símbolos, assim como seria incrível dançar por entre as nuvens.

Sentir...porque assim se aprende de verdade. Sentir nos leva para nós. Sentir nos conecta com o outro e nos faz encontrar as respostas que procuramos por tanto tempo.

Fechar os olhos e esperar o silêncio gritar é se abrir para a vida que acontece fora das teorias.

mulher-fazendo-bolhas-de-sabao-1.jpg
(Fonte: https://amenteemaravilhosa.com.br/sentir-falta-nao-significa-querer-volte/)

Viver dentro de um livro é história para os personagens. Quero viver a vida de verdade, sentir o vento, rir mesmo sem entender e dançar para contemplar a lua. Quero mais da vida. Quero sentir o vento morno e até me esquecer de falar que está gostoso. Quero me perder porque só assim consigo me achar. E quero não saber...quero desconstruir e reafirmar para mim que não existe lugar para chegar. O lugar é aqui e você tem tudo de que precisa para ser tudo o que quiser.

Já aprendi muitas coisas e agora quero desaprender. Deixar ir porque minhas mãos são pequenas para aguentar tanto peso.

Quero perguntas que venham de respostas sinceras. Quero encontros que estiquem a hora de partir. Quero dias que virem a madrugada, quero a verdade de um dia de sol. Quero não saber para aprender. Quero não explicar para não perder.

E por fim, se alguém perguntar o que aprendi, respondo que foi rir de não saber a resposta certa, reconhecer que estou fazendo tudo errado e achar graça mesmo assim. Que não experimentei porque não tive coragem mesmo. Não sei de nada...nunca soube e é normal sentir medo do que vem.

Quero estar distraída quando me fizerem perguntas que tenham respostas. Quero estar ocupada demais sentindo o vento que bate morno no meu rosto. Quero saber que da vida levarei aquilo que ainda vou descobrir. Quero sentir frio na barriga sem entender o motivo. Quero não saber explicar porque quando eu não souber, tudo saberei. E a vida vai entender que aprendi tudo o que precisava aprender: nada.

barquinho-de-papel_destaque.jpg
(Fonte: http://guararematem.com.br/barquinhos-de-papel/)


Flávia Bechtinger

A Flávia é formada em Comunicação Social e autora na página Poesia que sorri. Desde pequena, escreve. Escreve para estar presente, para sentir, para ser. Escreve. Busca escolher palavras que ultrapassam o valor das palavras..
Saiba como escrever na obvious.
version 24/s/geral// //Flávia Bechtinger