em uma grande cidade

Uma pressa em falar para o Mundo sobre o que vi, ouvi e vivi(só por garantia).

Julius César

Libriano.Jornalista e conselheiro amoroso, a história que você contará, ele irá compor um enredo de sua observação diária, sobre como é viver e amar em uma grande cidade.

'Taxi Driver' é retrato devastador da nossa solidão urbana

Taxi Driver, qual seu grau diário de tolerância?


Clássico do cinema faz estudo da tristeza das grandes cidades

A solidão tem um nome. Travis Bickle. Solitário, perdido e perdedor. O Taxi Driver, obra monumental de um diretor cheio de filmes extraordinários no currículo, Martin Scorsese. Em uma composição genial de Robert De Niro, o anti-herói à procura da inocência perdida dos heróis tradicionais tem um objetivo: "limpar" as ruas de Nova York. Taxi Driver faz parte daquela restrita e subjetiva galeria dos cult movies, em que uma simples imagem se descola do filme para criar vida própria. Nesse caso, a imagem de Travis, com seu sorriso ambíguo e corte de cabelo moicano, enquanto aponta o dedo para a cabeça ensanguentada, como se fosse uma arma, tem a dimensão de uma genuína tragédia.

O zigue-zague de Travis corresponde a uma vertigem que, momento a momento, vai colocar à prova a sua própria identidade. Nessa perspectiva, pode dizer-se que é um filme construído no interior da mente do protagonista: da violência mais exuberante até aos breves hiatos de solidão, em um dado momento em que Travis está ao telefone, Scorsese faz uma panorâmica e nos deixa olhando um corredor vazio. É uma das cenas mais solitárias que o cinema já criou.

É uma narrativa na primeira pessoa em que já não sabemos se essa pessoa coincide com os seus próprios atos e palavras. É a angústia dos grandes centros urbanos que se tornou um dado incontornável em nossa vivência, as grandes cidades estão feridas por dentro e já não conseguem sustentar uma ideia redentora de civilização, ao mesmo tempo, heróis como Travis partilham conosco essa angústia imensa de saber que a própria verdade humana pode estar a ser posta em causa.

O ritmo acelerado da vida urbana, a selva de pedras, a falta de certa natureza no ambiente transformam o homem, o simples cidadão comum, em uma peça operante que faz a engrenagem política e econômica girar. Taxi Driver é uma crônica devastadora e atualíssima, foi feito na década de 70, mas ainda fala ao coração das vítimas da rotina em nossos centros urbanos. imagem488_1.jpg


Julius César

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