em uma grande cidade

Uma pressa em falar para o Mundo sobre o que vi, ouvi e vivi(só por garantia).

Julius Lima

Cinefilia.Em estado bruto.

ORGULHO GAY

Filme premiado registra a luta dos direitos homossexuais quatro décadas atrás


“Milk- A voz da Igualdade” retrata a história de Harvey Milk, o primeiro homossexual assumido a ser eleito para um cargo político nos Estados Unidos. Sean Penn levou o Oscar por uma comovente interpretação. O diretor Gus Van Sant, de obras arrebatadoras como “Elephant”, “Últimos dias”,”Restless” e “Paranoid Park” une-se ao roteirista, também vencedor, Dustin Lance Black e realizam um libelo carinhoso sobre os direitos dos homossexuais.

Eles, que são gays assumidos, deixam transparecer esse engajamento pela história de Milk, que nasceu em 22 de maio de 1930, em Woodmere, Nova York, em uma família com ascendência lituana. Soube desde cedo que era homossexual, e, apesar de não ter tido problemas em aceitar os seus desejos, decidiu não partilhar com ninguém esse aspecto da sua identidade. Na adolescência desenvolveu uma paixão pela ópera, como se houvesse já em si a vaga intuição de um destino trágico como aqueles que inspiram as mais melancólicas composições. Diplomou-se em matemática, cumpriu serviço militar na marinha, e, de retorno a Nova York, trabalhou como professor universitário e como investidor em Wall Street. Apesar do estilo de vida, os valores políticos e sociais de Milk nos anos 60 eram ainda conservadores.

Foram os movimentos de contracultura de finais da década que lhe abriram as portas do armário em que vivia fechado. Em 1972, movido pela angústia de ter chegado aos 40 anos sem ter feito na vida nada digno de nota, mudou-se com o namorado da altura, Scott Smith, interpretado no filme por James Franco, para São Francisco, onde abriram uma loja de material fotográfico em Castro Street, no coração daquele que estava a tornar-se o bairro gay da cidade. Aí começa a história de ativismo em prol dos direitos da comunidade gay e lésbica, bem como a ascensão prática das suas ambições políticas. milk_f_015.jpg

Harvey Milk seria assassinado em 27 de novembro de 1978, na Câmara de São Francisco, com o major George Moscone, por Daniel White, um conservador de 32 anos que havia abandonado o Conselho de Supervisores e que teria ficado desvairado quando Moscone inviabilizou o seu retorno e que nutria desafeto por Milk , Dan White, papel que no filme cabe a Josh Brolin, seria julgado, concluindo o processo, White acabaria por se suicidar em 1985. Milk morreu, posteriormente se evidencia a AIDS, o sexo e os anos 70 ficaram retidos no domínio da fantasia mais nostálgica, restando um extremado sentimento de perda.

Por isso parece sintomático a Irlanda ter legalizado o casamento entre pessoas do mesmo sexo via voto popular, 22 anos após descriminalizar a homossexualidade. Passado agora pela decisão dos Estados Unidos, que no dia 26 de junho decidiu que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é garantido pela Constituição em todo o país. Milk morreu por esse dia, e o sentimento de perda inerente a todo ser humano que se descobre gay, pois pela vida terá que lidar com as perdas pela a escolha de ser feliz ecoou em todo o mundo, é a voz desde e sempre dizendo que não há diferença nessa forma de se relacionar que casais heterossexuais também vivenciam.

No Brasil, segue-se caminho semelhante em direção ao reconhecimento do casamento gay. Em 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que casais de pessoas do mesmo sexo podem estar sob a proteção legal do regime de união estável. Neste ano, o Conselho Nacional de Justiça obrigou cartórios de todo o País a registrar casamentos homossexuais. Que a decisão da Suprema Corte dos EUA sirva de incentivo para o Brasil. Não faz sentido o Estado distribuir benefícios de forma desigual entre seus cidadãos.


Julius Lima

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