em uma grande cidade

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Julius Lima

Cinefilia.Em estado bruto.

O resgate do astronauta solitário em Marte

Vinte anos depois, o diretor Ridley Scott acerta com um filme de ficção cientifica


No auge dos 80 anos, o diretor Ridley Scott tem uma carreira irregular. São dele obras indiscutíveis como “Alien O 8º Passageiro” (79) e “Blade Runner” (82). Mas sua primeira indicação ao Oscar foi em 91 com “Thelma e Louise” e só voltou a se repetir em 2000 com “Gladiador”, obra vazia, mas vencedora do prêmio de melhor filme. No ano seguinte, ele apareceu com uma suspeita indicação por “Falcao Negro em Perigo”, filme do produtor Jerry Bruckheimer. Entre os citados, houve outros momentos irregulares como “Hannibal” (2001), “Cruzadas” (2003) “Robin Hood” (10), “Prometheus” (12) e mais recentemente, já que a lista é imensa, teve o fiasco “Exodus: Deuses e Reis” (14). É reconfortante saber que “Perdido em Marte” é o seu melhor filme em mais de vinte anos.

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Se quisermos estabelecer uma estatística dos cenários mais visitados da ficção científica no cinema, não há dúvidas que Marte terá lugar de destaque. E no interior do gênero, das viagens espaciais, o filme de Scott será emblemático. O planeta vermelho é ventoso, onde rajadas andam em média pelos 80 ou cem quilômetros por hora, podendo atingir ciclones de 170. É uma tempestade assim, de proporções bíblicas, que dita o infortúnio do astronauta da NASA, Mark Watney, (Matt Damon) que fica sozinho no planeta quando os companheiros, julgando-o morto, veem-se forçados a partir às pressas para evitar a perda da nave no meio do turbilhão da ventania.

É a partir desse momento-chave que se desenrola toda a aventura do astronauta herói, que tem de ir ao fundo do baú dos seus recursos – materiais, de criatividade e conhecimentos científicos – para poder sobreviver em completa solidão em um ambiente hostil, até que uma nova missão da NASA pudesse resgatá-lo. Grande parte do charme do filme vem do empenho com que Ridley Scott apresenta o seu herói, não por meio de qualquer angústia niilista, mas por um peculiar misto de dramatismo e humor. Matt Damon, por sua vez, em uma comparação ao personagem de Tom Hanks em “Náufrago” (00) e também de Sandra Bullock em “Gravidade” (13), domina toda a tela.

Tem um carisma que nos faz estar sempre interessados nele e no seu destino. Contagia no desenrolar da trama com o esforço empreendido para sobreviver na solidão do espaço, em uma elegante montagem que, com grande senso de ritmo, alterna aventuras, pequenas grandes conquistas e eventuais frustrações, com a angustiante interação da equipe na Terra. Scott consegue ser rigoroso e clássico nessa adaptação do livro Andy Weir, constrói uma narrativa de respeito a todos os filmes que um dia visitaram o espaço. Somos todos duros de morrer quando nos tornamos deuses de nós mesmos.


Julius Lima

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