em uma grande cidade

Uma pressa em falar para o Mundo sobre o que vi, ouvi e vivi(só por garantia).

Julius César

Libriano.Jornalista e conselheiro amoroso, a história que você contará, ele irá compor um enredo de sua observação diária, sobre como é viver e amar em uma grande cidade.

Um futuro magnificamente imperfeito

Em Blade Runner o futuro de 2019 é sujo, barulhento e multicultural. Obra é considerada uma referência da ficção cientifica. Título que lhe foi negado na época do lançamento nos anos 80


"Blade Runner– O Caçador de Androides” nos surpreende hoje ainda, quase 35 anos depois. Adaptação do livro de Philip K. Dick:"Do Androids Dream of Electric Sheep?" A obra de Ridley Scott marcou por sua incrível beleza e minúcia estética em uma história de outro tempo e de outro espaço guardamos a impressão de termos assistido a um espetáculo de signos, como se Scott tivesse emprestado às imagens e aos sons de sua obra uma outra voz: uma melodia codificada na ordem das formas do sonho.

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Rememorar Blade Runner é apenas homenagear uma obra que há muito assumiu como poucos tais espíritos melancólicos e futurísticos de crise existencial. Nela, a concepção estética funde-se plenamente com o sujeito, pelo encontro totalmente consumido do filme noir com a ficção-científica. Filme lançado no verão de 1982 foi preterido pelo conto de fadas de Spielberg “E.T. - O Extraterrestre” que estreou no mesmo final de semana. Sofreu na época todo tipo de pressão dos produtores que achavam a obra incompreensível e Ridley Scott teve que realizar diversos cortes e mudanças. A versão final só viu a luz na década de 90 na versão do diretor. É que esta versão remasterizada, visual e sonoramente melhorada e com alguns acréscimos e aperfeiçoamentos, sem narração em off nem final feliz ao sol, é a definitiva de “Blade Runner”, tal como o diretor a desejou. Essa versão de 92 virou objeto de culto e recebeu reparações de críticos que na época tinham torcido o nariz e foi considerado um dos melhores filmes de ficção científica de sempre, contemplando uma das mais elaboradas, detalhadas e consistentes visões do futuro já filmadas, numa história que combinava temas como a clonagem, a vida artificial, o descontrole ambiental, o caos urbano, a explosão da imigração, a desumanização da humanidade e a humanização dos androides. timthumb.gifX.gif

Os primeiros minutos de "Blade Runner" bastam para traçar o cardiograma da humanidade de Los Angeles 2019. Dois homens num falso diálogo em que se procura determinar a "não humanidade" do interlocutor, reúnem-se em torno de um instrumento, único juiz a sondar a pupila de sua vítima como se fosse um furo na parede. Não há lugar para sentimentos. No questionário, o detetive fia-se pela empatia e pela projeção de emoções frente a questões simples, que envolvem o cotidiano. Reações são digitadas, catalogadas, automatizadas, decodificadas, comparadas, interceptadas. Entre o discurso e a palavra, a imagem do olho à espera de uma pista, da retina espelhada; em busca de uma falha, de vestígios que consigam distinguir entre gestos demasiadamente humanos de outros, robóticos, que nos imitam com perfeição. Nessa metrópole poluída, escura, sobrepovoada e cheia de neons, uma chuva ácida cai sobre a cidade sem parar. Ricos moram em arranha-céus gigantescos e andam de aeronaves, sem jamais pisar no chão. É uma torre de Babel cibernética. Seus habitantes falam um idioma que mistura inglês, japonês, húngaro e alemão.

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O detetive particular Rick Deckard (Harrison Ford) na missão de caçar e exterminar cinco replicantes (androides de aparência humana que fugiram de uma colônia espacial e vieram para a Terra). Ele precisa se aventurar pelos mercados negros e bares do submundo, no nível do chão, onde a polícia não consegue entrar. No mais puro noir cibernético, “Blade Runner” não dispensava nem mesmo a clássica femme fatale que seduz o herói: a misteriosa Rachael (Sean Young), que desconfia ser, ela mesma, uma replicante. O personagem mais complexo do filme não é humano, trata-se de Roy (Rutger Hauer), o impiedoso líder dos replicantes rebeldes, tem uma personalidade fascinante. Violento e determinado, Roy lidera o grupo em busca de um prolongamento para sua existência, fixada em quatro anos pelos construtores. Ele mantém um confronto com Tyrell (Joe Turkel), o magnata responsável pela construção deles, que remete diretamente ao mito de Cronos, o deus grego morto pelos próprios filhos sedentos de poder. “Vi coisas que vocês nunca acreditariam. Todos estes momentos se perderão no tempo como lágrimas na chuva”, diz. O tema do filme está implícito nessas palavras: o mistério da existência, a inquietude com a escuridão que nos aguarda após a morte. Um tema universal, arquetípico.


Julius César

Libriano.Jornalista e conselheiro amoroso, a história que você contará, ele irá compor um enredo de sua observação diária, sobre como é viver e amar em uma grande cidade..
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