em uma grande cidade

Uma pressa em falar para o Mundo sobre o que vi, ouvi e vivi(só por garantia).

Julius Lima

Cinefilia.Em estado bruto.

Filmes para assistir na Quarentena

15 filmes na NETFLIX que merece sua atenção. São obras de todos os gêneros e décadas.


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99 Casas

Uma coreografia brutal da crise econômica e do dominó das hipotecas. Só pelas cenas em que as pessoas irradiam desespero ao ser despejadas de suas casas, este filme já seria um caso à parte. Quando o agente imobiliário Rick Carver ( Michael Shannon, numa atuação estrondosa) aparece à porta. Lá vem despejo. Uma das primeiras pessoas que se vê passando por esse medo e humilhação é Dennis Nash(Andrew Garfield ) pai solteiro desempregado, muito jovem e que, apesar da aparência pouco intimidadora, tem fibra e brio – um personagem, em suma, talhado para Garfield. Ele e Shannon estão respectivamente excelentes e tiram faísca um do outro. A direção tensa de Bahrani, cheia de ritmo e de crise, também é uma beleza. Filho de imigrantes iranianos criado na Carolina do Norte, Bahrani vem fazendo de sua carrreira uma espécie de crônica da desgraça financeira.

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Sete minutos depois da meia noite

Nem todas as histórias têm os finais que se espera. Essa é a primeira lição que o garoto Conor (Lewis MacDougall) aprende no filme “Sete Minutos Depois da Meia Noite”. Apesar de ser baseada em um livro infantil de mesmo nome – publicado no Brasil pela editora Novo Conceito —, a história trata de temas penosos como doença, morte e bullying, mas usa a imaginação como trunfo para tornar belo até o momento mais dramático. A trama acompanha o pequeno Conor, que vive no interior da Inglaterra e toda noite tem um pesadelo. Ele mora com a mãe (Felicity Jones), que sofre de um câncer em estágio avançado. Com a morte dela cada vez mais próxima, o garoto precisa morar com a avó (Sigourney Weaver), com quem se não dá bem, já que seu pai (Toby Kebbell) vive nos Estados Unidos. Como se não pudesse piorar, ele é vítima constante de bullying no colégio. No meio de todo esse drama, o garoto passa a ser visitado por um monstro (Liam Neeson), na forma da árvore que cresce no cemitério que vê da janela de seu quarto, sempre no mesmo horário: sete minutos depois da meia noite. O ser fantástico avisa Conor que lhe fará três visitas para contar três histórias diferentes, que nunca tem um final feliz como esperado. Ao fim das fábulas, chegará a vez do menino contar uma história ao monstro: o seu pesadelo secreto.

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Segredos de um crime

Na cena de abertura, com a câmera correndo pelo imenso armazém atrás do detetive Malcolm (Joel Edgerton) enquanto ele persegue um bando de criminosos em fuga, pode-se até ter a impressão de que este é um clássico filme de policiais versus bandidos. Mas o território deste suspense australiano escrito pelo próprio Joel Edgerton é outro: um tremendo dilema moral. Que, enquanto progride e se desdobra, vai arruinando vidas. Durante a batida no armazém, Malcolm toma um tiro. É salvo pelo colete a prova de balas. Mas, entre o hematoma e o susto, de noite ele exagera nos drinques. Dirigindo alcoolizado e cansado de volta para casa, Malcolm sem querer dá um peteleco com o retrovisor do carro numa bicicleta, e fica atordoado quando percebe que o ciclista, um menino de 9 anos, foi ao chão com uma fratura no crânio. Malcolm chama a ambulância – mas, quando a atendente pergunta se ele foi parte do acidente, ele vacila e diz que não, que apenas achou o garoto. Esse é só o ponto de partida: daí para a frente, o rolo só aumenta.

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Temporada

O filme é o retrato delicado e atento de uma mulher em mudança. Embora “Temporada” não seja um filme que trata explicitamente de temas como racismo e feminismo, as questões aparecem de forma implícita e natural no cotidiano dos personagens, cujas vidas circulam em torno da periferia do município de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. No longa, que foi vencedor no Festival de Cinema de Brasília, a protagonista Juliana, interpretada pela ótima atriz Grace Passô, é abandonada pelo marido após um aborto inesperado. Ela faz parte de um grupo de agentes do serviço sanitário, encarregados de eliminar focos de dengue. Talvez a coisa mais banal no mundo. Todos já vimos ou ouvimos distraidamente os alertas governamentais sobre isso. Mas quem são, precisamente, essas pessoas que tentam eliminar focos de insetos? Como são recebidos em cada casa? Que dificuldades enfrentam? Quanto ganham por mês? Como são suas casas? Como se divertem?

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O Silêncio do Céu

O Silêncio do Céu" se abre com uma cena de estupro. O estupro é de Diana( Carolina Dieckmann, na atuação de sua vida) a mulher de Mario ( Leonardo Sbaraglia, de “Dor e Gloria”) que assiste à cena, mas é incapaz de reagir. Desde então, o diretor Marco Dutra cria uma estranha atmosfera de horror em torno desse homem, de sua cidade e de seu casamento. Um estranho casamento, a partir de então, onde a mulher finge não ter sido estuprada e o homem finge não saber de nada. Mas a cidade não será alheia a isso: a Montevidéu que o filme constrói é a um tempo estranha e pacata. Não raro uma cidadezinha do interior onde nada acontece e tudo pode acontecer. O medo é o território do diretor Marco Dutra. O medo e os fantasmas que o seguem incansavelmente. Que encontra personagens perfeitos para sua trama para falar sobre a reconstrução de uma relação.

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Assunto de Família

A história de “Assunto de Família” não é nova, mas o vencedor da Palma de Ouro em Cannes de 2018 do diretor japonês Kore-Eda Hirokazu é considerado um dos retratos mais carinhosos e trágicos feitos pelo cinema. Kore-Eda é delicado em sua construção desta família, um clã de pessoas que são todas destruídas à sua maneira. Uma grande parte desse filme brilhante é gasta espiando os mundos diferenciados de cada membro da família, enquanto o diretor os transforma em personagens complexos e carinhosos. São pequenos criminosos que vivem à margem da sociedade japonesa, o filme é um exame do que une uma família, assim como é o que constitui uma família. Kore-eda magistralmente suga o público para a vida cotidiana do clã, antes de puxar completamente o tapete debaixo de todos nós. Alternativamente emocionante e comovente, "Assunto de Família" fará você enxugar as lágrimas dos olhos enquanto luta para vê-lo imediatamente novamente.

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Filth

De qualquer maneira, somos fãs de McAvoy, e seu compromisso aqui com o fanático e obcecado detetive sargento Bruce Robertson é algo que deve ser visto. Cuspindo insultos sexistas, racistas e homofóbicos enquanto bebe e usa drogas na nublada Edimburgo, capital da Escócia. Perseguindo um caso de assassinato, mas na verdade promovendo sua própria agenda labiríntica para avançar, ele é uma força da natureza, se a natureza fosse uma policial escocês bipolar realmente desagradável e corrupto. O que é particularmente maravilhoso é que McAvoy alcança todas as notas amplas que o personagem lhe dá enquanto se entrega aos vícios e o sexo oral que pede para as garotas fazerem nele. Não há limites de decência ou respeito próprio. Bebe na fonte de “Trainspotting“, filme cult dos anos 90.

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Magic Mike XXL

Quando o diretor Steven Soderbergh realizou em 2012 “Magic Mike” um belo filme sobre abdominais duros e uma economia ainda mais difícil - continha ali um retrato firme da era da recessão de uma América e sobre como as pessoas tentavam manter o equilíbrio enquanto seu país se diluía. "Magic Mike XXL", por outro lado, tinha algo muito diferente em mente. Menos um drama semi-fundamentado do que um musical a sequência de 2015 do diretor Gregory Jacobs segue Mike (Channing Tatum, em seu estado mais puro) e o resto de seus amigos de strip-tease enquanto tiram a roupa na pequena cidade da Geórgia. Um último passeio antes que todos tenham que crescer e seguir caminhos separados. O filme repleto de um senso melancólico em um pacote de alegria sem cortes. Os atores trazem à vida por personagens que realmente se amam. Você pode sentir o peso da amizade deles, mesmo quando esses homens não estão se despindo. Em uma década que a masculinidade foi exposta na era #metoo. De histórias de feminicídio e assédios. Ser homem acabou não sendo tão lindo assim. Mas em "Magic Mike XXL" eles eram lindos por dentro e por fora.

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Vidas ao Vento

O amado cineasta (e deus do Studio Ghibli) Hayao Miyazaki tem uma coleção de obras primas. Vou citar apenas “A viagem de Chihiro” de 2001, que está também na Netflix. Mas “Vidas ao Vento” é talvez seu trabalho mais controverso que não diminui a beleza com que captura o humanismo torturado e o gênio singular do genial Miyazaki. Longe da fantasticidade que define a produção do Studio Ghibli, "Vidas ao Ventos" é, de todas as formas, uma cinebiografia (ficcionalizada e composta) do engenheiro japonês Horikoshi Jiro (incrivelmente dublado pelo criador de "Neon Genesis Evangelion" Anno Hideaki), que projetou os caças A6M Zero que foram usados ​​para atacar Pearl Harbor. Algumas pessoas argumentaram que o filme encobre o papel do Japão na Segunda Guerra Mundial e pinta a nação aliada nazista como vítima e não como perpetrador, mas outras sentiram que uma meditação melancólica sobre o verdadeiro custo de fazer coisas bonitas. Miyazaki sempre foi obcecado por aeronáutica, pelo relacionamento volátil entre a pureza de nossos sonhos e a violência necessária para que eles tornar-se real. Sim, "Vidas ao Vento" é o retrato de um homem que concebeu máquinas de matar, mas o que Miyazaki faz aqui é devastador um auto-retrato de um homem lutando para avaliar o valor final de suas criações.

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Caçadores de Emoção

Em 90 minutos de projeção, o filme “Caçadores de Emoção” (1991) revelou o novo estilo de vida de uma geração onde o mais importante era ter hábitos saudáveis, cuidar da natureza e, principalmente, praticar esportes radicais. Com suas cenas de surfe em ondas gigantes e saltos impressionantes de paraquedas, o longa se transformou em um clássico da “Sessão da Tarde”. Afinal, mais do que povoar a memória coletiva de uma geração, nenhum outro filme reuniu em uma ensolarada praia para uma briga casual os atores Patrick Swayze, Keanu Reeves e Anthony Kiedis (vocalista do Red Hot Chili Peppers). A sinopse é saborosamente absurda e conta a história de um policial do FBI, Johnny Utah (Keanu Reeves) que se infiltra na gangue viajandona de Bodhi (Patrick Swayze) que assalta bancos com máscaras de ex-presidentes e pegam incríveis ondas. Em uma época bem anterior à popularização das câmeras GoPro, “Caçadores de Emoção” inaugurou um estilo de filme de ação que repercute até hoje em títulos como “Velozes e Furiosos”, por exemplo. E provou que a diretora kathryn bigelow ( que foi a primeira mulher a ganhar um Oscar de direção) entende tudo de cinema de ação.

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O Hospedeiro

Quando uma jovem é raptada por um monstro gigante na presença do pai, a famíla reúne-se para uma caçada à criatura. Os habitantes de Seul observam surpresos à plena luz do dia um estranho ser pendurado na ponte do rio Han. Na realidade, trata-se de uma monstruosa criatura mutante, que ao despertar começa a atacar as pessoas em seu redor. Nos anos 70 o diretor Steven Spielberg inaugurou os filmes eventos com “Tubarão” e parece que o diretor Bong Joon Ho é um herdeiro. Em 2006 recebeu toda a atenção do cinema mundial com esse filme. Não é surpresa que ele tem feito história este ano no Oscar com o primoroso “Parasita”.

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Mulheres do Século XX

A nostalgia do final dos anos 1970, a década que mudou muita gente. Esse é o ponto de partida para “Mulheres do Século XX” de Mike Mills, cineasta oriundo da área mais hipster do indie americano, em seu terceiro filme exercita um olhar melancólico, afetuoso, sensível sobre a complexidade das relações familiares, escondido por trás de altas comédias aparentemente excêntricas mas resolutamente frágeis. Essa disponibilidade (que é também uma forma de sinceridade) revela-se essencial para a composição de Dorothea( em uma atuação estupenda de Annette Bening) uma mulher de Santa Barbara, Califórnia, há muito separada do marido, que tenta educar o filho adolescente, Jamie (Lucas Jade Zumann, notável revelação), no ambiente de convulsões emocionais e sociais do final da década de 1970. Roteiro originalíssimo indicado ao Oscar e uma trilha matadora de rock. Obrigado por existir Talking Heads!

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O Profissional

Mesmo depois de mais de 20 anos do seu lançamento, o filme "O Profissional" (1994), de Luc Bresson, é uma obra que sempre desperta a nossa curiosidade. O thriller policial lançou a carreira de Natalie Portman e colocou o ator francês Jean Reno no centro de Hollywood. "O Profissional" conta a história de assassino que toma conta da sua vizinha adolescente depois que sua família é assassinada. Os dois desenvolvem uma amizade em que você fica na dúvida até onde essa fronteira poderá seguir. O filme é considerado um dos melhores trabalhos de Besson. Em Nova York o assassino profissional Léon (Jean Reno) não vê sentido na vida. Quando a família vizinha é morta por policiais envolvidos com drogas ele decide proteger Mathilda (Natalie Portman), uma menina de 12 anos que é a única sobrevivente. Ela deseja se tornar uma assassina, para poder vingar a morte do seu irmão de quatro anos. Enquanto ela cuida da casa e ensina o pistoleiro a ler e a escrever, ele lhe ensina o básico de como manejar uma arma.

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O Ano mais Violento

O inverno e a criminalidade na cidade de Nova York do ano de 1981 é o mais intenso da história. Um casal procura manter o seu negócio por entre o labirinto político e a corrupção industrial nas ruas da cidade em decadência. A evocação dos grandes thrillers da década de 70 e 80 ( de diretores como Alan J. Pakula, Sydney Pollack e Scorsese) o filme vai-se transfigurando em um sutil ensaio filosófico em que, com épica serenidade, se reavaliam a verdade e a mentira das relações humanas, desde o espaço do comércio urbano até à intimidade conjugal. Para tanto tem dois atores em estado de glória (Oscar Isaac, mais um ignorado pelo Oscar) e Jessica Chastain. É a prova final para o diretor J. C. Chandor que confirma ser um artesão á moda antiga, daqueles que trazem de volta a grandiosidade do cinema Hollywoodiano em obras pequenas e puramente magistrais.

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Jovens, Loucos e Rebeldes

Virou "Jovens, Loucos e Rebeldes", aqui, o "Loucuras de Verão" de Richard Linklater. Vinte anos separam o filme de George Lucas e o de Linklater, ambos perfeitos na construção de mosaicos de época com trilha nostálgica. Linklater ganhou projeção em 1990, quando fez seu "retrato da juventude dos anos 90", no sublime filme "strong>Slacker". Em seu segundo filme, Linklater foca os anos 70, que já foram chamados de década perdida. O título original, "Dazed and Confused", vai pelo caminho da crise de identidade da década. No último dia de aula, em 1976, 24 teens só pensam em se divertir. A ação fragmentada dura cerca de 24 horas, divididas entre as perspectivas dos grupos de intelectuais "nerds", garanhões do time de futebol, bonitinhas sádicas, maconheiros, brigões etc. Os "jovens, loucos e rebeldes" circulam pela noite, falam de sexo, ouvem rock, entram e saem de carros e bares, atrás de festas, bebedeiras, maconha, ação e mais maconha. O filme segue movimento circular, mantendo os personagens em movimento contínuo. De maneira apropriada, encerra com a imagem de um carro seguindo para lugar algum. Linklater congestiona o cotidiano de seus personagens, ao mesmo tempo em que passa a impressão de que nada parece acontecer. "Se esses são os melhores anos da minha vida, quero morrer", desabafa Pink, queimando erva com amigos. Diferente dos filmes adolescentes de John Hughes nos anos 80, cheios de drama e acontecimentos, "Jovens, Loucos e Rebeldes" é definitivo ao tratar a adolescência como aquela fase em que somos felizes enquanto nada acontece.


Julius Lima

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