ensaios de uma lagarta

A terra é um grande casulo cheio de lagartas em metamorfose. Prazer, sou uma delas.

Si Caetano

Estudante Psi | Pedagoga UFMG | 🔻 Transitando entre:
Humanidades & Cultura Digital & Letras

Inseguranças dos loucos modernos

Embora a gente saiba que o presente é uma malha tecida por diversidade, somos filhos da lógica industrial linear, pseudo-segura, homogênea e sem espaço para novidades falhas mas quem garante acerto sem tentativa e erro? É sobre isso que precisamos conversar!


Ter múltiplas potencialidades parece ser mais um erro que uma solução criativa para problemas que não teríamos: é que embora a gente saiba que o presente é uma malha tecida por diversidade, somos filhos da lógica industrial linear, pseudo-segura, homogênea e sem espaço para novidades falhas. E quem garante acerto sem tentativa e erro?

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E por falar em falhas, já notou como estamos o tempo todo nos contradizendo? É que a gente sabe de muita coisa mas faz aquilo que garante o sono e quando se arrisca perde a referência completamente. Em alguns casos, essa dissonância gera colapso paralisando por completo nossa vontade de encontrar um caminho no meio dessa inominável condição de ser: é que a gente precisa dar nome às coisas (de sentimentos à situações).

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Mas como dar nome há algo que está existindo pela primeira vez dentro de você? Algo que você nem sabe exatamente o que é? Seus pais não sentiam isso, seus avós muito menos, talvez seus amigos, mas isso não é algo que a gente joga no papo toda hora, ainda mais quando você acha que todo mundo tá muito seguro vivendo suas escolhas acertadas menos a gente (pelo menos é o que parece ali no Instagram né?)

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Querem nos massificar, sempre quiseram. Querem nos convencer de um monte de coisa que ajuda a aniquilar nossas individualidades, mas eu suspeito que o melhor é deixar a espada entrar e cortar em pedacinhos cada uma das nossas possibilidades, porque cada caquinho delas poderá ter asas para fugir de nós e povoar o mundo à força.

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Como organizá-las? Essa não é a pergunta, talvez a pergunta certa é por que queremos tanto organizá-las? Fazemos de tudo para derrubar o espírito que paira sobre as águas, queremos que ele entre na lógica e diga haja luz antes do 7° dia, mas não é assim que funciona com o caos, ele não tem relógio.

Talvez a habilidade essencial do presente seja suportar as horas antes de acordar. Nem tudo vai suportar raiar o dia, algumas coisas ficarão pela madrugada mesmo. É melhor deixar a porta aberta e convidar a ausência para conversar, ela tem muita coisa para nos dizer. Os loucos sempre estão à frente de novos dias.


Si Caetano

Estudante Psi | Pedagoga UFMG | 🔻 Transitando entre: Humanidades & Cultura Digital & Letras.
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