entre a vida e a arte

Impressões de uma mente gravemente sã

Jéssica Bueno

Professora por amor ao mundo. Aspirante a escritora por amor a si mesma.

Das aventuras cotidianas de um romântico

Os românticos não vivem no plano cronológico. O sofrimento e a alegria de um romântico duram milhares de anos, ou, dizem, podem até ser infinitos. E é por isso que um romântico de 30 ou 40 anos em verdade terá vivido muitas vidas, viajado e enfrentado infinitos perigos, mesmo que nunca tenha saído de sua própria cidade.


Há quem diga que a beleza das coisas que amamos mora na fragilidade que elas possuem. Às vezes duram um segundo, outras, dois ou vinte anos. Mas em comum possuem a propriedade de nos despertar a vontade, por vezes frenética, de fazê-las durar. Um monumento sagrado no Oriente, uma árvore secular na África. O pousar de uma borboleta, a admiração de uma pessoa por outra. Podem ser concretas ou abstratas, feitas de pedra ou de carne e osso, podem morar apenas no plano da imaginação. Mas nenhuma possui menor valor que outra para quem por elas se enamora.

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O deleite provocado pela beleza que emanam é tão grande quanto a ameaça que delas provém. Tudo na vida tem um preço, dizem os velhos. E nada torna essa frase tão cruelmente verdadeira quanto a experiência que tais coisas proporcionam. Bem-aventurados aqueles que encontram o que amar. Pobres daqueles que não tiveram em toda sua vida, ao menos um dia de Werther. Não há quem seja mais aventureiro que um romântico. Não há movimento tão radical quanto um coração que palpita, viagens tão longas e cheias de selvagens monstros quanto nas paranoias de um romântico, as quais no tempo cronológico, duram apenas alguns minutos.

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Mas os românticos não vivem no plano cronológico. O sofrimento e a alegria de um romântico duram milhares de anos, ou, dizem, podem até ser infinitos. E é por isso que um romântico de 30 ou 40 anos em verdade terá vivido muitas vidas, viajado e enfrentado infinitos perigos, mesmo que nunca tenha saído de sua própria cidade. O romântico passará a vida inteira como que carregando um jarro de água fresca em meio ao deserto. Ele terá o privilégio de possuir a valiosa água, mas viverá eternamente preocupado sobre o momento em que a deixará cair de suas mãos. E por vezes ele perguntará a si mesmo se aquele sofrimento vale a pena. Mas sempre responderá que aquela é sua fonte de vida, sumo que o mantém vivo.


Jéssica Bueno

Professora por amor ao mundo. Aspirante a escritora por amor a si mesma. .
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