entre a vida e a arte

Impressões de uma mente gravemente sã

Jéssica Bueno

Professora por amor ao mundo. Aspirante a escritora por amor a si mesma.

Hector e a procura da felicidade

Lou Marinoff disse que a estrada pavimentada de Significado leva ao Propósito. E o personagem Hector, de uma maneira bem-aventurada e divertida, também diz isso. Não importa qual seja o propósito, quantos sejam, ou quantas vezes ele mude durante a nossa vida, já que a única certeza, parafraseando Lao Tsé, é a mudança. O que importa são os significados que se encontram durante o caminho para esses grandes propósitos.


Hector é um psiquiatra britânico com uma vida metodicamente ordenada, contente e aparentemente satisfeito em cada detalhe dela. Ao longo de sua bem-sucedida trajetória, conquistou o dinheiro, o prestígio profissional e uma namorada que causariam inveja em boa parte de nós. Mas como nenhum de nós jamais estará integralmente feliz com sua própria vida, enquanto seres humanos perfectíveis que somos, Hector também não poderia estar.

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E a sua infelicidade ele encontra na de seus pacientes. Enquanto alguns de nós enxerga na tristeza dos outros, um motivo de contentamento com a nossa própria vida, Hector enxergou o contrário. Em um belo dia, o fato de não conseguir enxergar soluções para a tristeza crônica daqueles que frequentavam o seu consultório, ele percebeu que não poderia guiá-los no caminho da realização, se ele mesmo não o soubesse. Assim como um professor de língua estrangeira não poderá ajudar seus alunos a alcançar a fluência sem entender e dominar o idioma.

É então que Hector inicia sua trajetória em busca dessa obscura resposta, passando por vários continentes e conversando com pessoas dos estilos de vida e percepções de sucesso mais variados possível. Não é um enredo super original, não possui uma fotografia extraordinária, nem atuações esplêndidas. Mas por que esse filme tem o potencial de mexer tão bruscamente com a sua percepção de felicidade? Porque ele revela traços da felicidade que vão bem além daqueles objetivos concretos que traçamos – ou deixamos de traçar - em algum momento da vida. Descobrir a vocação, estudar, ter o emprego dos sonhos, ganhar dinheiro, casar com o grande amor de nossas vidas, viajar uma vez por ano, etc e tal.

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Ao desfocar a ideia desses fatores como única razão de existência e garantia da felicidade, deixa livre para interpretações muito menos tendenciosas e bem mais acessíveis. Ele acaba encontrando o que está no meio de todos os sonhos de longo prazo e grande extensão. Aquilo que não pode ser medido pelo tempo de duração, que não pode ser explicado metodicamente, mas que geralmente são de execução simples e sutil. Hector faz muito mais do que construir padrões que possam nos levar a uma vida mais plena. Ele faz justamente o contrário, desconstrói toda ideia de plenitude, nos fazendo enxergar o significado nos breves momentos da vida comum, e a encontrar o grande propósito no acúmulo desses pequenos acontecimentos.

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Lou Marinoff disse que a estrada pavimentada de Significado leva ao Propósito. E o personagem Hector, de uma maneira bem-aventurada e divertida, também diz isso. Não importa qual seja o propósito, quantos sejam, ou quantas vezes ele mude durante a nossa vida, já que a única certeza, parafraseando Lao Tsé, é a mudança. O que importa são os significados que se encontram durante o caminho para esses grandes propósitos. E aí você deve imaginar como essa história acaba, ou (re)começa para esse personagem que muito lembra os cômicos dramas woodialianos.


Jéssica Bueno

Professora por amor ao mundo. Aspirante a escritora por amor a si mesma. .
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