Raquel Rocha

A vida é tão generosa que me fez entender que eu não posso ser uma mulher perfeita, mas ainda tenho o privilégio de ser eu mesma.

Na Natureza Selvagem: a surpreendente aventura de sermos nós mesmos

Quando assistimos a um filme que ultrapassa a barreira do entretenimento e atinge o ápice das nossas emoções, ele precisa ser compartilhado. Na Natureza Selvagem é uma obra envolvente e perturbadora: desperta a vontade de encontramos algumas respostas que por muito tempo parecem estar perdidas dentro de nós.


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Durante certos momentos da vida o desejo de autoconhecimento nos toma por completo. A vontade de deixar de sermos meros espectadores para nos transformarmos em contadores de nossa própria história grita dentro do peito e nós, claro, não conseguimos recusar essa oportunidade de nos tornarmos melhores. Mas eu sei, amigo leitor, que precisamos estar conscientes de que tudo o que fazemos é uma escolha, e ninguém além de nós sofrerá as consequências. “E também sei como é importante na vida, não necessariamente ser forte, mas sentir-se forte.”

Essa frase ficou conhecida por compor a trajetória de Christopher McCandless, jovem que abre mão de uma vida materialista e de um futuro pré-estabelecido por seus pais para desfrutar de sua liberdade e experimentar alguns prazeres naturais. Aos 23 anos, após se formar, Chris abandona a família e segue numa grande aventura por vários Estados americanos sem depender de dinheiro, apenas aproveitando o que encontra pelo caminho. No decorrer de sua trajetória, ele usufrui da companhia de pessoas com histórias incríveis e inspiradoras.

Após viajar quilômetros durante meses, Chris decide que seu destino final será o Alasca, mas o jovem é surpreendido pelo acaso ao descobrir que, é importante fazermos nossos próprios planos e traçarmos nosso próprio caminho, mas isso não significa que as nossas escolhas sempre serão certas ou que o nosso futuro terá um final feliz. Mas, o que ele realmente estava buscando ao abrir mão de uma vida planejada e optar por um espírito aventureiro?

Se analisarmos com calma a história de Chris e evitarmos o óbvio podemos (sim, eu e você), perceber semelhanças entre as nossas vidas. Se necessário assista uma, duas ou até três vezes. Compensa pela experiência, pela emoção e pela trilha sonora composta praticamente apenas por Eddie Vedder, do Pearl Jam. Caso contrário, aqui já vai um spoiler: o jovem não está buscando apenas diversão. Mais que qualquer outra coisa ele está em busca de si mesmo.

na natureza selvagem.jpg Chris McCandless junto ao ônibus onde foi encontrado morto em 1992.

Envolvente e perturbador, assim podemos definir a procura de Christopher McCandless através do seguinte trecho: "Há dois anos ele caminha pelo mundo. Sem telefone, piscina, carros, nem cigarros. A liberdade máxima. Um extremista. Um viajante esteta ... cujo lar é a estrada. E agora, depois de dois anos errando, vem a última e maior aventura. A batalha culminante para matar o falso ser interior ... e concluir com vitória a revolução espiritual.Sem continuar a ser envenenado pela civilização, ele foge ... e caminha solitário pelo mundo para se perder em meio a natureza selvagem."

Por muitos momentos o jovem transparece um perfil egoísta e mesquinho ao não manter contato com a irmã ou tratar de forma fria as pessoas que encontra pelo caminho. Mas isso pode ser justificado através dos problemas familiares que ele enfrenta ainda pequeno. De qualquer forma, o filme baseado em fatos reais nos permite fazer uma auto-análise: quem somos? O que queremos? Estamos preparado para as mudanças da vida? Essa última questão é, entre várias outras que podem ser levantadas, a mais importante.

É comum nos perdermos durante a nossa constante busca pela felicidade. Mesmo que inconsequentemente, às vezes tomamos atitudes procurando o que é melhor para nós mas, tudo o que colhemos são frustrações. Não é pecado. Não podemos cobrar de nós mas do que a vida já nos cobra. Também é comum nos esforçarmos para sermos bons o tempo todo e em tudo, mais comum ainda é que durante essas várias tentativas acabemos não atingindo nossas próprias expectativas. O ideal é olharmos com atenção para cada tropeço, e com carinho para cada mudança, pois elas acontecem o tempo todo, se não for para nos fazer bem é simplesmente para nos ensinar alguma coisa.

Essa história foi contada em um livro escrito por Jon Krakauer e, mas adiante, em um filme dirigido por Sean Penn. Em ambas as obras, é comovente a trajetória do jovem aventureiro. Em seu caderno de anotações, McCandless registrou um dos seus pensamentos que resume toda a ideia de quem somos, o que queremos e o que podemos aprender com a vida de Chris: "E assim se concluiu que somente uma vida semelhante à vida daqueles ao nosso redor, mesclando-se a ela sem murmúrio, é vida genuína, e que uma felicidade não compartilhada não é felicidade. [...] E isso era o mais perturbador de tudo", ele escreveu: "FELICIDADE SÓ É REAL QUANDO COMPARTILHADA".

Gratidão, hoje e sempre!


Raquel Rocha

A vida é tão generosa que me fez entender que eu não posso ser uma mulher perfeita, mas ainda tenho o privilégio de ser eu mesma..
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