entre inquietações

Sem a tranquilidade da acomodação

Bia Lopes

Autora do blog Conversa de Gente Fina e do Livro Incondicional. Publicitária e escorpiana, não necessariamente nessa ordem. Coleciono paixões, as maiores delas pela escrita, música e cinema. Inquieta por natureza e sonhadora incorrigível. De passagem por este mundo, tentando, aprendendo, vivendo.

Bread of Happiness: a felicidade nas pequenas grandes coisas

Um filme que desperta muito mais do que o desejo da comida simples e artesanal: acende a vontade de fazer a diferença, de não ser apenas um expectador, mas o condutor de um novo caminho.


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O que você sabe sobre a felicidade? Já conseguiu encontrá-la? Já a conheceu de perto? Temos o velho costume de achar que ser feliz está sempre além do nosso alcance, por isso aprendemos muito cedo a aceitar que as coisas são como têm que ser e não do jeito que gostaríamos. Assim, Rie, personagem principal de Bread of Happiness, frustrada por não ter encontrado um amor igual ao do seu livro favorito, “Mani e a lua”, com o qual sonhava desde a infância, leva a vida: faz o que tem que fazer da maneira como tem que ser, mas sem ter conhecido o verdadeiro sentimento de realização.

Bread of Happiness (2012), de Yukiko Mishima, nos remete a um lugar onde a maldade não habita e onde a natureza foi generosa em todos os sentidos. O lugarejo, afastado dos centros urbanos, é um verdadeiro refúgio para quem deseja uma vida simples e harmoniosa, sem muita badalação. O café Mani, de Rie e seu generoso marido, Sang, é o ponto de encontro de todos os personagens e onde ambos servem comida e café preparados de maneira caseira e tão caprichosa que aquela culinária acaba alimentando muito mais do que a fome daqueles que por ali passam. Assim como a nossa querida Amélie em seu fabuloso destino, Rie e Sang acabam por se comover com as histórias e desventuras de seus clientes e hóspedes e, de maneira sutil, ajudam a resolvê-los ou amenizá-los.

Um filme que desperta muito mais do que o desejo da comida simples e artesanal: acende a vontade de fazer a diferença, de não ser apenas um expectador, mas o condutor de um novo caminho. A dor é sempre mais do que sentir, é a oportunidade de superar e crescer. Tolerância, humildade, resignação e solidariedade são ingredientes certos para uma receita de vida feliz. Querer o bem do próximo é fazer bem a nós mesmos, embora não se deva esperar nada em troca. A questão é que só aprendemos o verdadeiro sentido da vida quando paramos de colocar a nossa vontade como centro de tudo para entender que o nosso mundo é muito mais amplo e se funde com o de quem está ao nosso redor.

Acompanhar de perto a dor de outras pessoas acaba nos fazendo refletir sobre a real proporção da nossa. Quando a grama do vizinho deixa de ser a mais verde é porque finalmente aprendemos a valorizar o que temos. Ganhamos maturidade por meio das experiências dos outros, mas aprendemos ainda mais quando temos a oportunidade de ajudá-los. Proporcionar um pouco de conforto ou alívio, seja por meio do pão compartilhado, do café carinhosamente passado e da sopa de abóboras servida com todo o amor, nos mostra que ser feliz está muito além da nossa própria ambição. A felicidade está nas pequenas coisas, em reconhecer o valor do que já temos e, principalmente, em saber repartir o pão.


Bia Lopes

Autora do blog Conversa de Gente Fina e do Livro Incondicional. Publicitária e escorpiana, não necessariamente nessa ordem. Coleciono paixões, as maiores delas pela escrita, música e cinema. Inquieta por natureza e sonhadora incorrigível. De passagem por este mundo, tentando, aprendendo, vivendo..
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