entre inquietações

Sem a tranquilidade da acomodação

Bia Lopes

Autora do blog Conversa de Gente Fina e do Livro Incondicional. Publicitária e escorpiana, não necessariamente nessa ordem. Coleciono paixões, as maiores delas pela escrita, música e cinema. Inquieta por natureza e sonhadora incorrigível. De passagem por este mundo, tentando, aprendendo, vivendo.

O perigoso caminho da vida mais ou menos

Contentar-se com o pouco é aceitar que não se merece muito. A questão é: você é feliz com o que tem? Você tem tudo o que sempre quis? Se você se sente feliz, ótimo. Deixa como está. Mas se você vive frustrado, mal humorado, estressado e toda a sorte de qualidades negativas por pura infelicidade, então por que cargas d'água você não chuta esse balde e recomeça essa história?


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Já parou pra pensar que tudo morno é ruim? Café, chá, comida, amor... É como se tivesse passado do ponto e, embora ainda sirva, não tem mais o mesmo gosto. Assim é com a vida. A gente vai começando a aceitar algumas coisas como prêmio de consolação, como se não tivéssemos a capacidade de fazer melhor ou não merecêssemos o prêmio maior. Não temos o emprego que sonhamos, a casa que planejamos, aquele carro, não conseguimos aquela viagem. Em compensação, temos um emprego, onde morar, estamos economizando para conseguir o carro e a viagem e tudo bem, se não for para aquele lugar pode ser para outro bem mais perto. Não é assim?

Mas, e aí, você vai passar a vida toda nisso? Você está realmente feliz ou apenas conformado? A casa, o carro, a viagem e o emprego são apenas exemplos, mas é claro que há muita coisa na sua vida que provavelmente você gostaria que fosse diferente. Mas, o que você faz para conseguir? Você pensa em conquistar seu lugar ao sol um dia e trabalha para isso ou vai vivendo com o que tem, do jeito que dá e sem se questionar?

Às vezes as nossas obrigações nos impedem de sonhar. E mais do que isso: nos cegam ao ponto de acharmos que não podemos realizar. O cotidiano massacrante, a falta de dinheiro, as obrigações, a agenda sempre cheia (muitas vezes de números vazios), as longas conversas em grupos de Whatsapp que tiram nosso tempo e atenção para nos atermos a coisas que podem esperar... Quanto tempo gastamos simplesmente com nada?

E quando as pessoas nos cumprimentam na rua e perguntam "tudo bem?" a nossa resposta é quase automática: "sim, tudo bem". Mas não, não está. Muitas vezes o que você quer dizer é que está tudo mais ou menos, às vezes até bem menos do que mais. Só que você se acostumou, se adaptou e dá trabalho demais mudar tudo isso, não é? O problema é que ou você muda, ou está fadado a continuar nesse marasmo de rotina que você insiste em dizer que é melhor do que nada.

Contentar-se com o pouco é aceitar que não se merece muito. A questão é: você é feliz com o que tem? Você tem tudo o que sempre quis? Se você se sente feliz, ótimo. Deixa como está. Mas se você vive frustrado, mal humorado, estressado e toda a sorte de qualidades negativas por pura infelicidade, então por que cargas d'água você não chuta esse balde e recomeça essa história? Uma boa dose de paixão podem reacender até o mais frio dos amores. Se a temperatura da sua vida está morna, vamos lá, aumente essa chama, reacenda esse fogo e trate de abanar as labaredas, porque, do contrário, no fim da vida, quando alguém te perguntar se valeu a pena, tudo o que você conseguirá responder será apenas "mais ou menos".


Bia Lopes

Autora do blog Conversa de Gente Fina e do Livro Incondicional. Publicitária e escorpiana, não necessariamente nessa ordem. Coleciono paixões, as maiores delas pela escrita, música e cinema. Inquieta por natureza e sonhadora incorrigível. De passagem por este mundo, tentando, aprendendo, vivendo..
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