entre inquietações

Sem a tranquilidade da acomodação

Bia Lopes

Autora do blog Conversa de Gente Fina e do Livro Incondicional. Publicitária e escorpiana, não necessariamente nessa ordem. Coleciono paixões, as maiores delas pela escrita, música e cinema. Inquieta por natureza e sonhadora incorrigível. De passagem por este mundo, tentando, aprendendo, vivendo.

Dark e a inquietante (e perigosa) viagem no tempo

E se você pudesse viajar pelo tempo, o que faria?


dark-netflix.jpg

Recém-lançada, mas já considerada pela crítica como uma das melhores séries de 2017, Dark é uma produção alemã que estreou em 1º de dezembro como original Netflix e vem conquistando o público de todo o mundo. Alguns fãs a consideram uma versão mais sombria de Stranger Things, embora a trama seja completamente diferente. É provável que a comparação se dê pelo fato das duas ambientarem a década de 80, mesmo levando em consideração que Dark leva seus personagens a viajarem 33 anos no tempo para o passado ou para o futuro. Há quem também a compare com o clássico "De Volta Para o Futuro", pela maneira como os personagens podem chegar a influenciar passado e futuro durante essas viagens.

O primeiro episódio já traz grandes inquietações: um suicídio, o desaparecimento de um garoto e o aparecimento de um corpo mexem com a pequena cidade de Winden, lugar que guarda grandes mistérios, uma caverna e uma usina nuclear. O público é instigado a continuar assistindo diante de fatos que acontecem simultaneamente e da maneira como o roteiro mexe com a sua imaginação, levando-o a querer descobrir o que significa cada novo fato envolto em suspense. Há uma linha tênue entre passado, presente e futuro, estando ambos tão ligados que fica a dúvida sobre quem veio primeiro no melhor estilo "o ovo ou a galinha".

Para deixar Dark ainda mais interessante ela possui muitos personagens, sendo difícil saber se há mesmo um principal. A vida de todos eles vai se mostrando interligada, tecendo uma teia de presente, passado e futuro que mesmo acompanhando atentamente a cada episódio, muitas vezes é preciso parar para tentar compreender quem é quem em cada época.

Conforme cada episódio vai sendo assistido e algumas perguntas começam a ser respondidas, surgem outros questionamentos, ou seja: não há momento entediante ou qualquer monotonia que leve o público a querer adiar a série. Além disso, em determinado momento as pessoas passam a se questionar sobre quem é responsável pelo quê ou como/quando tudo realmente começou. Há momentos em que Dark se torna um tanto pesada, fazendo jus ao título que carrega e nos fazendo refletir sobre que tipo de coisas somos capazes de fazer para salvar aqueles a quem amamos. As mentes criativas de Jantje Friese e Baran bo Odar nos deram de presente uma trama inteligente, bem elaborada e que nos promete muitas emoções. E que venha a segunda temporada.


Bia Lopes

Autora do blog Conversa de Gente Fina e do Livro Incondicional. Publicitária e escorpiana, não necessariamente nessa ordem. Coleciono paixões, as maiores delas pela escrita, música e cinema. Inquieta por natureza e sonhadora incorrigível. De passagem por este mundo, tentando, aprendendo, vivendo..
Saiba como escrever na obvious.
version 5/s/cinema// //Bia Lopes