Tatiana Sousa

Insisto que precisamos, cada vez mais, inventar novas respostas para a seguinte pergunta:

"O que existe entre o silêncio e a escuta?"

Análise, pra quê?

“Volte seus olhos para dentro, contemple suas próprias profundezas, aprenda primeiro a conhecer-se! Então, compreenderá por que está destinado a ficar doente e, talvez, evite adoecer no futuro.” Sigmund Freud


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Sabemos que a constituição da realidade psíquica de cada um de nós está relacionada aos efeitos de um inconsciente que ora enrola, ora desenrola diante dos traçados de uma sociedade cada vez mais fiel aos excessos e ao imediatismo. Seres desejantes que somos, criamos inúmeras fantasias e nelas acreditamos cegamente. A questão é que muitas dessas fantasias nos dão a ilusão de ter encontrado os culpados para o nosso sofrimento.

De uma certa maneira, muitas pessoas desconfiam que se ao questionarem:

“ -Qual a minha responsabilidade diante do meu sofrimento? ”

correm o risco de desconstruir algo que foi construído a duras penas. Vamos reconhecer: dizer a verdade sobre si, perceber que não se é senhor da própria casa, é arriscar ver o próprio castelo de ilusões ruir.

Quando penso na escolha do processo analítico como um instrumento norteador dessa “viagem” ao interior do próprio ser, acredito que seja possível vislumbrar uma autonomia possível diante da própria aleatoriedade. Estar em análise é andar em uma única direção: pra dentro. E ao tentar se desvencilhar da angústia, também se permite a possibilidade de participar ativamente do processo de clareamento da própria cegueira.

Verdade que incomoda, mas é aí que mora o encanto. O processo vai provocando ondas, movimentos, sacudidas… transformando em novas as velhas questões e o mais interessante: a dor em enunciação. É quando surgem novas perguntas em cima das próprias perguntas e tenta-se em vão nomear o inominável. A angústia já não tem mais a mesma cara, toma um outro sentido, uma outra proporção. É também durante a análise que se percebe o não dito, que se ri e se constrange diante dos atropelos e se articula uma reestruturação do sentido da própria história.

Evidentemente que não há a pretensão de encaixar o indivíduo em um determinado molde, uma vez que o encontro consigo mesmo possibilita o ensaio de se viver bem com o que se tem e o que se é. Costumo afirmar que em análise carregamos apenas aquilo que nos pertence. Então sejamos simples: talvez essa tal felicidade seja somente a maneira que cada um percebe a vida.


Tatiana Sousa

Insisto que precisamos, cada vez mais, inventar novas respostas para a seguinte pergunta: "O que existe entre o silêncio e a escuta?".
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