entre rabiscos e palavras

"Agasalho-me com as leituras." ( Walter Benjamin).

Clêuma Alves

Escrever é exteriorizar para o mundo as experiências do ser... Ser que experimenta saberes, dizeres e viveres.
Acredito na força das RETICÊNCIAS, elas me conduzem para UM além de mim...

Em uma página de minha agenda...

"A gente foge da solidão quando tem medo dos próprios pensamentos." - Érico Veríssimo.


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Apenas uma reflexão, em uma tarde de domingo....

Sabiamente, Mário Sergio Cortella nos fala da FELICIDADE: “Felicidade é uma vibração intensa, um momento em que eu sinto a vida em plenitude dentro de mim, e quero que aquilo se eternize. Felicidade é a capacidade de você ser inundado por uma alegria imensa por aquele instante, por aquela situação. Aliás, felicidade não é um estado contínuo, felicidade é uma ocorrência eventual. A felicidade é sempre episódica. Você sentir a vida vibrando, seja num abraço, seja na realização de uma obra, seja numa situação, por exemplo, em que seu time vence, seja porque algo que você fez deu certo, seja porque você ouviu algo que você queria ouvir. É claro que aquilo não tem perenidade, aliás, a felicidade se marcada pela perenidade seria impossível.”

Bonito não é?

Cada um de nós apresenta o desejo particular de alcançar a felicidade, muitas vezes estamos tão impregnados com esse desejo que não percebemos que ser feliz não requer muito, as pequenas coisas, os momentos simples: estar com os amigos, assistir a um bom filme, ouvir uma boa música...isso tudo já é, sim, o encontro com a felicidade, a nossa felicidade. Não podemos viver o tempo inteiro exigindo tanto de nós mesmos, pois para conquistar nossos objetivos de vida, antes de tudo, devemos crer em nosso potencial. Cada um traz em si o dom que nos faz únicos, um modo de ser pensar e agir. Claro, o mundo é vasto, e pessoas e mais pessoas passam pelas nossas vidas e contribuem conosco.

Pensando nisso... refletir momentos é poder exteriorizar desejos que, muitas vezes, "ocultamos" de nós mesmos...Livro.jpg Uma menina chamada ‘Eu”

Depois de tantas dores que pareciam dilacerar meu peito... Depois de tantas lágrimas que rolaram por minha face, manchando o papel no qual escrevi, e que de algum modo apagaram o brilho dos meus olhos (por algumas horas que pareciam intermináveis), vi-me “presa” a lembranças...

De algum modo, não queria aceitar que todo o deslumbramento que existia em meu coração não era tão real, se é que posso definir realidade e ficção. Creio que somos grandes metades desses dois elementos que ora se chocam, ora se unem. Não quis desacreditar no amor...sempre alimentei o desejo de viver um amor avassalador, porém, nunca soube de fato o que é isso...sei que amor existe. Ah, existe sim, e é forte como um tornado, sutil como uma brisa e doce como o cantar dos pássaros.

Sei que já vivi grandes paixões, aquelas as quais o coração pula igual folião em circuito de carnaval. Não foi ruim, claro que não...às vezes, como hoje, retomo às minhas lembranças, apenas como reflexão, afinal, o passado não deve ser repetido (não é possível), se assim o fizermos estaremos condicionados a não crescer, a não mudar e, simplesmente, repetir. O que devemos fazer? Guardar as experiências.

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Tudo isso é uma aprendizagem. Outro dia passei pela mais intensa delas...era uma manhã de domingo, conversava com meu irmão quando ele me perguntou: “tu se sente só?” Automaticamente, respondi que não. Ele, gentilmente, me explicou que queria saber se me sinto só interiormente.

Confesso que foi a pergunta mais difícil de toda minha vida. Contive as lágrimas, naquele momento me sentiria fraca se chorasse...com a garganta apertada, respondi que não me sentia só. Desde então, passei a refletir: não sou dada às ostentações, não combina comigo, sou uma pessoa sem aptidões a farras (não condeno, até queria extravasar, mas não seria eu). De tudo isso, tenho a certeza que dentro de mim há sim uma grande solidão, sinto falta de algo que ainda não descobri o que é, talvez, (e esse talvez me fortalece) algumas lacunas de minha infância e/ou adolescência.

Não sei, não curto a ideia de assumir uma idade adulta, mesmo vivendo essa fase, cheia de regras e imposições, gosto de viver à procura de algo. Gosto das surpresas da VIDA. Ah! a vida é tão mágica que, outro dia, me apresentou um “amigo colorido”. Ele se parece muito comigo e, claro, se diverge muito de mim. Quantos risos, livros, poemas, conversas...eu o sinto (pela força dos nossos diálogos). Esse amigo não é o que muitos sentem como possibilidade, ele é realidade, adoro quando diz: “ O mundo é cá fora”. Meu professor da vida, adorável.

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Quero abraçar minha intensidade, sem medo de viver o novo, sem hesitar diante dos desafios, as coisas fáceis não nos dão entusiasmo, quero sentir-me no auge do prazer (não estou falando de sexo), mas o prazer de viver sem querer o máximo das coisas, mas agarrar-me à simplicidade. Vou ESPERAR a felicidade?

Não! Quero ter forças para continuar caminhando... Quero ter alegria para rir escandalosamente... Quero ter coragem para ousar em meus sonhos... Quero poder ter sempre algo bom a dizer às pessoas que amo... Pois, ESPERAR, nos prende a um único lugar...mantemos-nos parados enquanto a vida segue. Vou esperar um amor? Não...vai que ele resolve não vir, se chegar...tô aqui, mas se não vier, não vou sofrer, pois, sempre existirá alguém a devolver-me... Quero abraçar o mundo...

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"O escuro não me deixa sonhar" (Clêuma)


Clêuma Alves

Escrever é exteriorizar para o mundo as experiências do ser... Ser que experimenta saberes, dizeres e viveres. Acredito na força das RETICÊNCIAS, elas me conduzem para UM além de mim....
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