entre rabiscos e palavras

"Agasalho-me com as leituras." ( Walter Benjamin).

Clêuma Alves

Escrever é exteriorizar para o mundo as experiências do ser... Ser que experimenta saberes, dizeres e viveres.
Acredito na força das RETICÊNCIAS, elas me conduzem para UM além de mim...

O escrever memórias em os Narradores de Javé

A escrita é a etapa seguinte a oralidade, é o registrar narrativas no papel, para que outros olhos possam vivê-las, senti-las e inquietar-se, deixando a imaginação fluir como as águas de um rio, nesse movimento de forças e vibrações.


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“Se Javé tem algum valor, são as histórias das origens, os guerreiros que vocês vivem contando, isso é patrimônio.” (Filme Narradores de Javé.)

A memória precisa ser alimentada, para que esteja sempre presente, e isso só é possível através de registros, que permite a continuidade de saberes E contribuições culturais, de períodos diversos. Os relatos das pessoas de determinado local é o símbolo de um saber que vai além. Mesmo que oral os relatos são partes integrantes do que escolhemos por ordem de uma cronologia, chamar de História.

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EIS, QUE VOS APRESENTO OS NARRADORES DE JAVÉ

A escrita mantém a comunicação através das fragmentações do tempo, servido de ponte que permite ao sujeito ir e vir na história para além do espaço físico/geográfico. Em seu artigo A informação escrita: do manuscrito ao texto virtual, Rita Queiroz traz a seguinte reflexão:

"A escrita é ao mesmo tempo das coisas mais universais e mais inapreensíveis. Sem a escrita, a cultura, definida como uma “inteligência transmissível”, não existiria (talvez existisse de forma rudimentar que mal se poderia reconhecer). A lei, a religião, o comércio, a poesia, a filosofia e a história – todas as atividades que dependem de certo grau de permanência e de transmissão – seriam, se não impossíveis, bastante restritas." (QUEIROZ,2005, p. 2).

A permanência representa a continuidade dos acontecimentos políticos, sociais, culturais, artísticos, das narrativas de populações inteiras. Assim, no filme Narradores de Javé, percebe-se o quanto a escrita é importante para vida de uma sociedade. Os moradores do vilarejo de Javé, assustados pela invasão da represa buscam soluções para o problema.

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Quase que desesperadamente, visto que o tempo estava passando, os moradores de Javé começaram a procurar solução para salvar seu vilarejo, eles se questionam “Como o povo de Javé irá defender a terra que tava só na palavra”. Precisavam de algo mais, descobriram que as histórias que estavam escritas na memória dos moradores, deveriam passar para o registro no papel, assim estariam “salvos.”

"Vamos nós mesmos vamos escrever a grande história ,do vale do Javé ... - De quem será a mão santa que vai escrevinhar, botar tudo no papel?" (Filme Narradores de Javé).

A preocupação de salvar, e essa é a palavra correta para esse contexto na narrativa fílmica, salvar o cotidiano, das pessoas que simplesmente passam a temer a permanência no seu lugar de vivencia. A história do povo não pode se perder, ela é o patrimônio e, portanto, a maior riqueza que eles possuem. De um modo bem humorado o filme traz a figura de Antônio Biá, a população o escolhe para ouvir, e registrar no livro as histórias de cada morador do vale. O filme dispara reflexões que nos inquieta, e ao mesmo tempo nos mostra a força da oralidade, da memória, e do relatar lembranças dos antepassados, buscar reviver o que ficou para trás, na tentativa de permanecer nesse presente incerto. A escrita vai passando ao longo do tempo por modificações no que se refere a sua forma de registro, no já referido artigo de Queiroz, pode-se evidenciar isso, quando do registro escrito de modo manual, como foi visto no filme, mas com a chegada da tecnologia o digital, a imprensa e as mais diversas formas do escrito passam a ganhar espaço. Afinal:

"As Palavras sempre ficam!

Elas marcam um momento que será eternamente revivido por todos aqueles que a lerem.

Viva o amor com palavras faladas e escritas, mate saudades, peça perdão, aproxime-se, recupere o tempo perdido

Insinue-se, alegre alguém, ofereça um simples "bom dia" faça um carinho especial.

Use a palavra a todo instante, de todas as maneiras. Sua força é imensurável.

Lembre-se sempre do poder das palavras.

Quem escreve constrói um castelo, e quem lê passa a habitá-lo."

(Autor desconhecido)

Portanto, refletir o poder da escrita, a partir do filme nos faz questionar sobre nossa própria história, podemos nos "autoquestionar": “Quem somos”.

REFERÊNCIA

HIGOUNET, Charles. História concisa da escrita. Charles Higounet ( tradução 10° edição corrigida) Marcos Marcelino- São Paulo: Parábola Editorial, 2003.

NARRADORES DE JAVÉ, Eliana Caffé (direção). BRASIL, Lumiere/Vídeofilmes, 2003, 102 minutos, sonoro/colorido.

QUIROZ, Rita de C. R. A informação escrita: do manuscrito ao texto virtual. In: Encontro Nacional de Ciência da Informação ( Cinform), 6, 2005, Salvador ( BA). Proceedings. 2005. Disponível em: HTTP:/WWW.cinform.ufba.be/vi anais/docs/RitaQueiroz.pdf.

Imagens:https://www.google.com.br/search?


Clêuma Alves

Escrever é exteriorizar para o mundo as experiências do ser... Ser que experimenta saberes, dizeres e viveres. Acredito na força das RETICÊNCIAS, elas me conduzem para UM além de mim....
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