entrelinhas do contexto

Atrás de palavras escondidas nas entre linhas do horizonte desta Highway...

Biah Triles

Namorada da literatura, amante do saber. Aquela aspirante à escritora que vive em busca de palavras escondidas.

A nudez e suas percepções

Pele: O maior órgão do corpo humano e ao mesmo tempo aquele que carrega as mais diferentes conotações


Diga-se de passagem, a nossa pele é aquela na qual está para nós assim como um livro autobiográfico. Ela conta histórias vivas de quem somos. O tipo de atividade que você exerce no seu quotidiano, o tipo de vida que você leva, sua idade e tantas outras coisas podem ser ditas através de sua pele.

Mas, por diversas vezes, a pele foi vista como um tabu. O despir de roupas e a consequente nudez do ser humano parece ser percebido como algo atrelado necessariamente a sexualidade e, portanto erótico ou/e impuro. Mas o que seria isso se não construções sociais que criamos ao longo dos anos e até hoje nos perseguem?

O corpo nu não é intrinsecamente sensual. Ele, com seus mistérios pode revelar muito mais sentidos e cabe a nós a percepção deles. Dessa forma, creio que a artista e fotógrafa nova-iorquina Miru Kim, na qual eu descobri recentemente e por acaso, revele muito bem isso com as suas fotografias.

A forma com que ela retrata a nudez é um tanto inusitada. Ela própria se fotografa nua nas ditas “entranhas da cidade”, de forma a tornar-se parte daqueles ambientes com atmosferas de suspense.

kim.jpg

nakedcity02.jpg

nakedcity01.jpg

Miru KIm.jpg

Seu corpo releva movimento e nos remete a nossa natureza mais primitiva, na qual estar nu era sinônimo de normalidade.

22kim-dietrich-custom4.jpg

miru-kim-erg-chebbi-morocco-sahara-2-2013.jpg

nakedcity20.jpg

Miru.jpg

Esse sentimento de fundição à própria cidade fica bem ilustrado quando a fotógrafa diz num trecho: “Explorar ruínas industriais e estruturas me fez olhar a cidade como um organismo vivo. Eu comecei a sentir não apenas a pele da cidade, mas também penetrar as camadas internas de seu intestino e veias, que estão cheios de minúsculas formas de vida. Esses espaços - estações de metrô abandonados, túneis, esgotos, catacumbas, fábricas, hospitais e estaleiros - formam o subconsciente da cidade, onde memórias coletivas e sonhos residem.”.

22kim-dietrich-custom3.jpg

Mas a parte de seu trabalho que parece mais chocar as pessoas é a série de fotos intitulada “The Pig That Therefore I Am”. Nela, a artista tem uma percepção mais ousada ao se fotografar desnuda no meio de porcos. A estranheza e a repulsa que esse trabalho causou/causa em muitos é notável, porém estes parecem esquecer-se que nós, intitulados seres humanos, somos também animais, como tantos outros que existem. A diferença é que o ser humano é um animal que se vestiu de identidade humana, pretendendo assim distanciar-se de sua natureza.

Pigs.jpg

Pig.jpg

Skin.jpg

Nas palavras de Miru Kim: "Tanto um porco e eu carregamos nossas memórias exteriorizadas em nossas cicatrizes, rugas e erupções cutâneas, que manifestam as marcas do tempo, a angústia da alma, ferimentos de amor e guerra. Nós todos vivemos ao mesmo tempo, nus e nem tanto nus. Embaixo da cobertura exterior, seja ela de seda, algodão ou couro, nós, humanos, carregamos nossa própria pele, assim como os porcos. Nascidos com uma tela em branco ao redor de nós, acumulamos mais e mais pinceladas de memórias conforme os anos passam, em nossa roupa que não pode ser tirada até a morte."


Biah Triles

Namorada da literatura, amante do saber. Aquela aspirante à escritora que vive em busca de palavras escondidas. .
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/fotografia// @obvious, @obvioushp //Biah Triles