entrelinhas do contexto

Atrás de palavras escondidas nas entre linhas do horizonte desta Highway...

Biah Triles

Namorada da literatura, amante do saber. Aquela aspirante à escritora que vive em busca de palavras escondidas.

Menos rotinas, mais vivência

Rubem Alves, em suas sábias palavras já dizia: “"Carpe Diem" quer dizer "colha a vida". Colha o dia como se fosse um fruto maduro que amanhã estará podre. A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente.”"


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A música definitivamente nos une e por diversas vezes é a interprete de nossos sentimentos do momento, mas será que sempre paramos pra analisar as letras? Hoje, do nada, me veio na cabeça o seguinte refrão: “vivemos esperando, dias melhores...” e eu percebi que sem se dar conta, muitos de nós estamos passando nossos dias assim. Ora, esperar e ter esperança não é bom? De fato é, mas quando vira rotina a situação passa a ser outra.

A correria do trabalho, dos estudos, do quotidiano em geral, na maioria das vezes acaba não dando brechas para muitas supressas. Tudo terá que sair conforme os planos de uma lista pregada na geladeira ou feita apressadamente no bloco de notas do celular. Respirar? “Não dá tempo, já tô de saída...” e assim vai se passando dias, semanas, anos; e quando nos damos conta estamos comentando com alguém: “Nossa, como está passando rápido né?!”. E assim ficamos na expectativa de termos dias mais tranquilos e sonhando com um futuro que parece nunca chegar, mas que na mente de quem o anseia repete-se incansavelmente que logo, logo ele chega e será renovador e maravilhoso. Sonhar não custa nada e é saudável, porém deixar de encarar a realidade e tentar muda-la é esperar por algo que dificilmente, para não dizer nunca, vai acontecer.

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Temos uma mania muito comum de personificar aquilo que é nosso, mas que não queremos admitir que o fosse. A preguiça e a falta de vontade é uma das que mais aparecem e de formas nem sempre sutis. Quer um exemplo? Ao encontrar um amigo que não vemos há um tempo, no final de uma conversa dizemos “a gente marca alguma coisa”, mas passam tempos e não marcamos nada e às vezes nem vemos mais essa pessoa. Disse-se “nós marcamos”, um plural, para ficar isento da responsabilidade de ter que marcar e depois ter cobranças. Dessa forma, espera-se que algo seja marcado, mas nenhum dos dois o faz. Não que você, leitor, seja assim, mas quero ilustrar que isso de fato acontece, principalmente quando nunca temos ânimo para sair do famoso “estado de inércia”.

Pensar no futuro, no que será de nós e planejar-se é algo importante, até porque nos faz termos metas e ambições a perseguir. Porém, não podemos nos esquecer de que o amanhã depende de hoje. Viver mais e naturalmente, sem ficar tão preso aos números do calendário é o que há, pois não adianta ser dia 8, 9 ou 10 que se você estiver fazendo sempre as mesmas coisas os dias serão os mesmos. Nas palavras de Rubem Alves, dadas numa entrevista, concluo dizendo: “Eu cheguei onde cheguei porque tudo o que planejei deu errado.”.


Biah Triles

Namorada da literatura, amante do saber. Aquela aspirante à escritora que vive em busca de palavras escondidas. .
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