enviesado

Refletindo literatura, cinema e sociedade pelo lado direito e pelo avesso

Fabiana Pedrolo

Fabiana Pedrolo é paranaense, Mestranda em Letras e funcionária pública. Nas horas vagas gosta de ler, observar e analisar. Interessa-se por literatura, cinema e artes no geral.

“O velho truque do calendário” e o despertar das esperanças: considerações sobre a virada do ano

Não existe época mais simbólica que a do réveillon, por que o ano novo é tão representativo no que diz respeito a transformações e esperanças?


Chegamos à ocasião mais repleta de energia do ano: às vésperas do ano que vem. Por que a virada do ano é tão cheia de significados? O que há de especial na mudança do último dígito que representa o momento em que estamos?

Se o ano que passou foi bom, são renovadas as esperanças de que a prosperidade continue, de que a “boa maré” só se acentue, agora com novo vigor e oportunidades.

Em contrapartida, para a maioria das pessoas, o desfecho de um ano ruim é o final de um ciclo difícil, ciclo este que tende a ser dissolvido com as expectativas para o ano vindouro. Se o que passou foi negativo, não rendeu, não trouxe êxito, a virada do ano é a perspectiva da transformação, de consertar o que está errado, de começar do zero e não de continuar.

Poderíamos fazer isso em qualquer tempo? Sim. Mas ao darmos o pontapé no réveillon carregamos o marco de que: “a partir de agora” há de ser diferente.

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Definitivamente, fazermos o X em cima dos números do calendário pode não fazer o menor sentido, mas simbolicamente é o extermínio de um tempo que, sendo tempo passado, já não pode mais nos causar danos. Arrancar o último mês da folhinha, para muitos, é tirar dos ombros o peso de um ano todo que, sendo complicado, ficará literalmente para trás, em outro ano, num tempo remoto, afinal “no ano passado”...

O escritor Mario Quintana já celebrava a invenção do calendário: “Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça...”. É, Mario Quintana, você me representa.


Fabiana Pedrolo

Fabiana Pedrolo é paranaense, Mestranda em Letras e funcionária pública. Nas horas vagas gosta de ler, observar e analisar. Interessa-se por literatura, cinema e artes no geral. .
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