enviesado

Refletindo literatura, cinema e sociedade pelo lado direito e pelo avesso

Fabiana Pedrolo

Fabiana Pedrolo é paranaense, Mestranda em Letras e funcionária pública. Nas horas vagas gosta de ler, observar e analisar. Interessa-se por literatura, cinema e artes no geral.

Por que não nos deixam em paz?

A coletividade como movimento opressor sobre aqueles que preferem a solidão


Enquanto uns fazem questão de estar em evidência, de saber de todas as novidades, de participar de todas as rodas de bate-papo, de happy-hour e cerveja, existe uma leva de pessoas (que sempre existiram, por sinal) que prefere a reclusão, o silêncio e a solidão, e acreditem, estas pessoas nem sempre são compreendidas.

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Considerados esquisitos, esnobes ou simplesmente “chatos”, aqueles que gostam da própria companhia, preferem um livro a uma festa e primam pelo silêncio em vez do barulho são observados com certa pena por aqueles que simplesmente não concebem uma vida sem holofotes.

As redes sociais endossam o caldo da coletividade, pois promovem a vida de todos como uma vitrine onde tudo que é considerado interessante pode ser postado, curtido e principalmente, compartilhado. Formam-se grupos de conversa online nos quais aquele que não participa, acaba sendo excluído, o que de certa forma, nem é uma coisa ruim para este, mas é vergonhoso para os demais.

O que pretendo dizer é que na era pós-moderna e digital, onde tudo acontece de forma muito rápida e superficial, tentar ser um pouco mais recluso, observador ou analítico é quase um problema. Afinal, aos olhos de quem vê, aquele que não participa está obviamente julgando e quando o faz, o faz de forma pejorativa ou negativa.

Claro que não.

A solidão pode ser apenas uma escolha, e pasmem, para muitas pessoas não é algo nocivo ou diabólico como muitos pintam. Aqueles que se mantêm alheios aos anseios coletivos dos outros nem sempre querem apenas destoar ou ser “do contra”, ao contrário, querem apenas e tão somente “ser” na sua essência e pouco se importam com que os outros pensam a seu respeito.

Em tempos de frenesi e euforia, o espírito introspectivo de alguns pode ferir alguns egos desavisados que consideram a vida em grupo mais benéfica ou atraente. O isolamento nada tem a ver com o ambiente ou com as pessoas que dele fazem parte, mas diz respeito sim aos aspectos intrínsecos daquele que prefere se isolar. Obrigar uma pessoa que gosta da solidão a ficar em ambientes lotados, com conversas esparsas e barulho intenso é uma afronta aos seus princípios.

Compreendam. Somente isto: compreendam.

O mundo precisa de equilíbrio e felizmente temos estas pessoas para contrabalancear a algazarra intensa e maciça na qual somos obrigados a viver, e seria terrivelmente insustentável se todos precisassem tanto de atenção e falassem ao mesmo tempo.

Agradeçamos a existência destes seres esquisitos que procuram estabilizar a necessidade da maioria de estar sempre em destaque, agradeçamos ao fato deles ficarem “na deles”, de não incomodarem ninguém, afinal, o que o mundo menos precisa neste momento é de mais gente querendo ser a “última bolacha do pacote”.


Fabiana Pedrolo

Fabiana Pedrolo é paranaense, Mestranda em Letras e funcionária pública. Nas horas vagas gosta de ler, observar e analisar. Interessa-se por literatura, cinema e artes no geral. .
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