epílogo

sobre mídia, sobre comportamento, sobre vida

Thais Moraes

Apaixonada, minimalista e analítica. Comunicóloga, Coach e Marketing Planner, tem a reflexão crítica como motivador cotidiano.

A ânsia pela teoria do espelho

Sobre o sonho da população em uma mídia que retrate a verdade exatamente como ela é


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A Teoria do Espelho é considerada a mais antiga que se refere ao jornalismo e foi inspirada no Positivismo do filósofo francês Auguste Comte.

Comte acompanhou, durante o século 19, o crescimento da indústria, estimulou a organização desta e pregou uma visão otimista, compreendendo a indústria como um produto da sociedade e, ao mesmo tempo, um estimulador para o crescimento, desenvolvimento e consolidação da dela.

Durante mudanças na imprensa dos Estados Unidos, a Teoria do Espelho foi a forma otimista de enxergar o jornalismo, em que o jornalista deveria, como princípio básico, separar sua opinião dos fatos e dizer a verdade “doa a quem doer”. Daí o nome “Teoria do Espelho” em que, em tese, o jornalismo refletiria a realidade assim como o espelho o faz.

Para o senso comum, essa ideia é até hoje dominante no jornalismo ocidental, mas para os estudiosos e praticantes da área, essa concepção caiu por terra há muito tempo.

Sociólogos, antropólogos e psicólogos já afirmaram que tudo, simplesmente tudo o que fazemos ou dizemos recebeu influência de algo, pois somos influenciados desde que nascemos. Nossas crenças, princípios e costumes ditam nossos passos.

No jornalismo defenda-se a ideia da imparcialidade. Para isso, a imprensa DEVE buscar o maior número possível de possíveis verdades sobre determinado fato. Entendam-se como possíveis verdades, pois até as testemunhas de um crime estão fadadas a contar suas versões sendo influenciadas por suas crenças, princípios e costumes. Ao buscar retratar o maior número possível de possíveis verdades sobre o fato, a imprensa deve evitar maiores injustiças, mas, ainda assim, há o risco de que a injustiça ocorra.

Nos Estados Unidos a maior parte da população confia cegamente na mídia impressa. Entretanto, a mídia americana não busca imparcialidade. Muito pelo contrário, ela assume posições políticas e ideológicas. No Brasil, infelizmente, a mídia toma suas posições mas querem que acreditemos que não fazem parte de lados. Talvez isso aconteça pois a mídia toma um lado de acordo com sua conveniência e, já nos EUA, x jornal uma vez republicano, sempre republicano.

Ou talvez isso ocorra por medo dos grandes de perderem a audiência daqueles que ainda acreditam que a teoria do espelho é a que vale; daqueles que não admitem que o veículo tome um partido e uma ideologia, e acredita que ele o fazendo, estará manipulando todas as informações.

Pura ilusão! A palavra “manipulação” está distorcida demais. Todos os veículos de comunicação, sem exceção, escolhem o que vai publicar. É impossível divulgar tudo pois TUDO é notícia. Cabe aos jornalistas e donos dos jornais decidirem o que vão divulgar, e a escolha é feita passando pela linha editorial do veículo.

Não seria muito melhor se soubéssemos qual posição cada jornal, rádio, TV e site possuem? Qual ideologia e qual partido eles apóiam? Não seria mais fácil aceitarmos a parcialidade, podendo assim cada um escolher ser audiência para aquele veículo que pensa igual a você? Se funciona no país mais poderoso do mundo, porque não funcionaria aqui?

Acredito que seria mais fácil e mais justo. Mas acredito que só não funciona aqui, pois ainda estamos presos à teoria do espelho.


Thais Moraes

Apaixonada, minimalista e analítica. Comunicóloga, Coach e Marketing Planner, tem a reflexão crítica como motivador cotidiano..
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