epílogo

sobre mídia, sobre comportamento, sobre vida

Thais Moraes

apaixonada, minimalista e analítica. Estudante de jornalismo, tem a fotografia como hobby e a escrita como terapia

Ética no jornalismo: será que tem jeito?

Sobre ética no jornalismo, sobre como deveria ser e sobre como na verdade é


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Substantivo feminino. 1. Estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana, do ponto de vista do bem e do mal. 2. Conjunto de normas e princípios que norteiam a boa conduta do ser humano. Essa é a definição que o clássico dicionário Aurélio nos apresenta sobre o que é Ética. Esse conjunto de normas deriva de leis, e os princípios derivam da moral.

Moral: sf. 1. Conjunto de regras de conduta ou hábitos julgados válidos, quer de modo absoluto, quer para grupo ou pessoa determinada. 2. Conjuntos das nossas faculdades morais; brio. No que se refere a grupo, considera-se a ética estabelecida para cada profissional, muitas vezes ditadas a partir de um Código de Ética.

Dadas as devidas definições, vamos trazê-las para o cotidiano. Os princípios tradicionalmente enraizados numa determinada cultura podem não ser os mesmos em outra cultura, o que podemos até dividir isso geograficamente, aqui no Brasil. Já as leis são as mesmas para todos. Culturalmente, e infelizmente, são poucas as leis cumpridas rigorosamente pela população brasileira. Quando a moral fala mais alto do que a lei, os conceitos de certo e errado ficam destorcidos.

No Brasil, uma avalanche de processos indenizatórios começou há alguns anos, principalmente na questão do direito à privacidade. Nossa constituição garante os seguintes direitos (leia-se os mais violados): Direito à integridade moral; Direito de resposta proporcional ao agravo; Direito à privacidade (intimidade e vida privada).

A violação da integridade moral se tem, eticamente, quando o ato que partiu do violador agride a moral da vítima a ponto de que esta viva por um bom tempo de forma vergonhosa, ou quando seu bom nome, honra e reputação são afetados de forma grave. Mas legalmente não há nada que impeça uma pessoa xingada no transito de processar quem o agrediu verbalmente. Nesses casos, o interesse pela indenização é o único motivador da ação e, portanto, seria um ato imoral.

Quanto à resposta proporcional ao agravo e o direito a privacidade, a profissão que mais os viola é o jornalismo. Como já citado no início do texto, a moral também pode se referir a um grupo e, nesse caso, existe o Código de Ética dos Jornalistas para impor regras e condutas.

Ética no jornalismo brasileiro

O jornalismo deriva de técnicas e conceitos e exige do profissional uma série de regras a serem seguidas. Bill Kovach e Tom Rosenstiel, no livro “os elementos do jornalismo: o que os jornalistas devem saber e o público exigir”, por exemplo, elencaram essas regras em nove tópicos. São eles:

  • • A primeira obrigação do jornalismo é com a verdade;
  • • Sua primeira lealdade é com os cidadãos;
  • • Sua essência é a disciplina da verificação;
  • • Seus praticantes devem manter independência daqueles a quem cobrem;
  • • O jornalismo deve ser um monitor independente do poder;
  • • O jornalismo deve abrir espaço para a crítica e o compromisso público;
  • • O jornalismo deve empenhar-se para apresentar o que é significativo de forma interessante e relevante;
  • • O jornalismo deve apresentar as notícias de forma compreensível e proporcional;
  • • Os jornalistas devem ser livres para trabalhar de acordo com sua consciência.

O descumprimento dessas regras morais leva os países a criarem códigos de éticas que penalizam o descumprimento das regras. Mas no Brasil não é bem assim. A princípio, o uso do MTB (uma espécie de RG do jornalista) não é obrigatório para exercer a profissão, o que já impossibilita a cassação do mesmo caso haja descumprimento das regras.

Na prática, a notícia é tratada como mercadoria, os cidadãos como clientes e os anunciantes como deuses. Até aí, tudo bem. Mas notícia como mercadoria pode e deve ser tratada dentro dos princípios da conduta ética e profissional, tendo como objetivo, acima de tudo, oferecer boa qualidade de informação e satisfazer às necessidades de consumo dos leitores com um produto fidedigno. O que acontece, porém, é a priorização dos anunciantes e seus anseios.

Dá pra ser diferente, dá sim! E também há as exceções, claro que há! Se todos os jornalistas e veículos de comunicação seguissem, no mínimo, as principais regras morais que regem a profissão desde seus primórdios, tudo seria diferente; Ou, então, cumprissem o código de ética do jornalista (sim, o Brasil tem um); Se o MTB fosse obrigatório e sujeito a cassação... Uma fiscalização nem seria necessária se os tópicos anteriores fossem considerados diariamente. Nos EUA, por exemplo, onde a mídia é considerada o 4º poder, fiscalizando os outros três poderes e dignificando a prestação de serviço, a ética é uma ferramenta de trabalho.

Esse artigo é um tanto quanto esperançoso, escrito por uma estudante que vislumbra com um cenário mais digno para se trabalhar, e acredita que há espaço para àqueles que querem nadar contra a maré.


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