epílogo

sobre mídia, sobre comportamento, sobre vida

Thais Moraes

apaixonada, minimalista e analítica. Estudante de jornalismo, tem a fotografia como hobby e a escrita como terapia

Regulamentação da mídia não é censura, é necessidade

A necessidade de controlar uma mídia que fomenta a violência


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Eu afirmo: regulamentar a mídia brasileira é uma necessidade, e urgente. Antes de discorrer aqui meus argumentos, peço que assistam ao programa britânico The Greatest Show on Earth. Cada programa é constituído por uma grande reportagem que aborda a TV aberta de cada país. Abaixo, o programa que abordou a TV brasileira:

Você conseguiu identificar a quantidade de impropriedades que há na nossa TV? E cá entre nós, por mais que tenhamos noção do quanto a nossa TV propaga conteúdo inútil e indecente, observar com os olhos de um estrangeiro dói mais, não dói? Então vamos discutir os principais pontos.

Sensacionalismo

Quando as notícias trágicas se tornam entretenimento e deixam de ser exceção/chocante. Todo jornalista sabe que mostrar pessoas sendo assassinadas, corpos jogados em sarjetas ou sendo desenterrados, não acrescentam em NADA na vida do cidadão. Qualquer psicólogo que se preze acredita que imagens perturbadoras como essas, além de não acrescentarem, prejudicam. A apresentadora Daisy questiona: ver essas imagens todos os dias tornam elas normais? Podemos então considerar que, ao tratar a violência como algo comum, a mídia incentiva a violência? Vamos aos números:

-> Número de homicídios no mundo cai, mas cresce no Brasil, diz ONU: Em números absolutos, é o país com o maior índice de assassinatos no mundo, 64,357, o que equivale a 32.4 mortes para cada 100 mil pessoas.

-> Assassinatos entre jovens crescem 375,9% em 30 anos, aponta pesquisa: A taxa de homicídios entre crianças e jovens com idades entre 1 e 19 anos cresceu 375,9% nas últimas três décadas, segundo o Mapa da Violência 2012.

Ajudando é que não está, né?

Objetização da mulher

O vídeo da vlogger americana Laci Green explica muito bem o termo, exemplifica situações e também fala um pouco sobre seu impacto na sociedade:

Aqui no Brasil, a mídia tem papel crucial para a fomentação da objetização da mulher e do sexismo. É simples (ao menos pra mim):

- Exaltar diariamente o corpo e a aparência da mulher a desmerece como intelecto, como ser humano, e a resume em aparência. As que não possuem a “aparência ideal” sofrem para conseguir emprego e são humilhadas e/ou caçoadas por serem “feias”. Os homens costumam ser reconhecidos pela inteligência, profissão, habilidades comunicacionais (a famosa lábia mesmo), e só depois disso a aparência é considerada. Já com as mulheres, a ordem de importância é invertida injustamente;

- Programas como o Pânico na TV, que além de darem mais importância para as bundas do que para os rostos, humilham as mulheres e as tratam como animais de estimação (na verdade nossos bichinhos também não merecem esse tratamento), incentivam a cultura machista em que o homem PREDOMINA. Os meninos que assistem essa programação levarão esse aprendizado para sua vida adulta, e muitas mulheres que passarão pela vida deles farão parte das estatísticas da Lei Maria da Penha; os homens que já possuem a mentalidade machista passam a “proibir” o crescimento das suas companheiras, e repugnando a imagem da mulher independente; às mentes doentes, estuprar nada mais é do que satisfazer seu desejo que, para eles, é mais importante do que qualquer direito humano, já que eles predominam. Vamos a mais números:

-> Em 2014, do total de 52.957 denúncias de violência contra a mulher, 27.369 corresponderam a denúncias de violência física (51,68%), 16.846 de violência psicológica (31,81%), 5.126 de violência moral (9,68%), 1.028 de violência patrimonial (1,94%), 1.517 de violência sexual (2,86%), 931 de cárcere privado (1,76%) e 140 envolvendo tráfico (0,26%).

-> Sociedade brasileira está entre as mais machistas do mundo: de acordo com uma pesquisa do Fórum Econômico Mundial, que avaliou o grau de participação da mulher em 58 países, o Brasil aparece em 51º lugar. Perde, inclusive, para países muçulmanos, geralmente mais conservadores, como Bangladesh e Jordânia.

-> Desemprego entre mulheres é 45% maior: no primeiro trimestre de 2015, a taxa entre as mulheres chegou a 9,6%, enquanto o desemprego entre os homens ficou em 6,6% (ou seja, entre elas a taxa é 45% maior). No país, a desocupação foi de 7,9%.

Controlar não é censurar

Nossa constituição proíbe qualquer forma de censura, mas os monopólios da comunicação privada usam esse argumento para lutar contra qualquer forma de controle que o governo imponha em suas programações. Na verdade, eles não se preocupam com o telespectador, se preocupam apenas com seu LUCRO. E, se sensacionalismo e objetização da mulher dá AUDIÊNCIA, eles não querem deixar de usá-los como ferramenta, mesmo que isso afete negativamente a sociedade inteira.

Eles não querem mudar o horário do programa que mostra mulheres seminuas, porque quanto mais cedo passar, mais gente assiste (mesmo que sejam crianças). E eles dizem que mostrar a vulgaridade é liberdade de expressão (???); eles não querem aumentar a programação infantil; eles não querem entreter o cidadão de forma inteligente, nos domingos a tarde, eles querem que o senso comum continue senso comum. A evolução da audiência não é negócio! PRA QUEM SÓ PENSA EM LUCRO, REGRAS SÃO NECESSÁRIAS!

Recomendo aqui a leitura deste artigo da Carta Capital: http://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/regulacao-da-midia-nao-e-censura-2340.html

Como a mídia deve ser?

O último artigo que escrevi, “a mídia ideal”, fala sobre o papel que a mídia deve assumir em sociedade como a nossa: com a maioria pobre, com alto índice de abandono escolar e alto índice de violência. Um papel SOCIOEDUCATIVO.

http://obviousmag.org/epilogo/2015/07/a-midia-ideal.html


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