epílogo

sobre mídia, sobre comportamento, sobre vida

Thais Moraes

apaixonada, minimalista e analítica. Estudante de jornalismo, tem a fotografia como hobby e a escrita como terapia

Crítica ao Código de Ética do Jornalismo

Alguns tópicos que devem ser repensados, ou relidos


Ética.jpg

Os direitos à informação, tanto quanto dos cidadãos comun, quanto dos jornalistas como profissionais, estão bem delimitados no capítulo I do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, da Fenaj. Porém, nem o código e nem a constituição prevê punições para empresas, ou mesmo veículos de comunicação, que dificultarem o acesso da população às informações que nos são garantidas. Temos o direito, mas não há o que obrige, diretamente, à todos os órgãos competentes a nos dar tal respaldo.

Um bom exemplo é a LAI, que veio para regulamentar o direito a informação defendido pela constituição. A LAI dá prazos às empresas, de 20 dias (mais 10 caso justifique o atraso) para sanar as dúvidas de qualquer cidadão, e também instrumentaliza o cidadão de como fazer tal pedido. Mas nem mesmo na LAI há alguma punição para aquele que desculpre tal pedido: o requerente recorre, recorre e recorre na justiça, até cansar.

Quanto ao capítulo dois, vulgo o mais importante por dizer a respeito da conduta do profissional da notícia, há alguns tópicos a serem repensados - ou muitas vezes refletidos.

•É dever do jornalista: IV - defender o livre exercício da profissão: é um tópico importante, mas que os próprios monopólios da mídia impedem que o jornalista, como profissional isolado, busque esse direito; os veículos de comunicação costumam buscar seu interesse, muitas vezes interesse capital, e impõe seus interesses macro e ganacioso para seus funcionários; Um exemplo foi a declaração da jornalista Mariana Godoy, ao sair da Rede Globo e entrar na Rede TV: "com meu novo emprego na Rede TV finalmente posso fazer perguntas, e não simplesmente ler as que os outros fazem por mim".

•É dever do jornalista: VIII - respeitar o direito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem do cidadão: qual a função dos paparazzi? registrar momentos de famosos em que, quase sempre, eles não sabem que estão sendo vigiados. Mesmo que os registros sejam em espaços públicos, como a foto da Grasi Massafera emquanto resava numa igreja, divulgada em 2014 após o término do seu casamento, todo jornal que se prese ético pede permissão para fotografar alguém, ou o interior dos estabelecimentos. Nessa situação, a atriz sofreu duas vezes: foi fotografa em um momento íntimo, e sua conversa com o paparazzi foi gravada sem que ela soubesse.

•O jornalista não pode: III - impedir a manifestação de opiniões divergentes ou o livre debate de ideias: dificilmente um veículo abrirá espaço para discutir ideias que contrariam anunciantes, patrocinadores ou parceiros políticos. No caso do dever de proteger o direito à informação, não se abrir à discussão é como impedí-la.

•O jornalista não pode: V - usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime: não é o caso de veículos sensacionalistas. Estudos e análises já comprovadas, como descritas no livro "espreme que sai sangue", de Danilo Angrimani, dizem que o nosso cérebro reage de maneira negativa a esse tipo de conteúdo: ele fomenta as atividades mais primitivas, sentimentos de punir e de não conter seus instintos.

E quanto aos assessores de imprensa? Apesar de muitos não verem dessa forma, o assessor deve obedecer à conduta do jornalista. Vejamos alguns exemplos de conduta comuns e que contrariam o código:

→ Assessorando uma entidade governamental, o jornalista pode ter acesso tanto a informações capazes de interessar positivamente ao público (por exemplo, acerca de um projeto que o beneficia) quanto a situações com potencial impacto negativo sobre o assessorado (como reclamações e denúncias). Qual sua obrigação: divulgar apenas os fatos positivos ou também expor os pontos negativos mas com propostas de resolução?

O ideal: A conduta ética do jornalista, e do bom profissional da assessoria de imprensa, é estudar os pontos negativos da entidade, por meio de pesquisa e análises das denúncias e reclamações. Uma boa análise e uma boa estratégia para levar os fatos a público e contorná-los evitará uma crise de imagem da empresa, além de trabalhar com transparência.

→ O assessor de imprensa de um hospital é interpelado por seus colegas jornalistas de diversos veículos a respeito do péssimo tratamento recebido pelos pacientes. Fazer o quê? a) Confirmar o estado lastimável em que se encontra o hospital, abrindo as portas para depoimentos e flagrantes os mais execráveis e, assim, prejudicar a instituição que deve proteger? b) Ou negar tudo, faltando com a verdade, omitindo a realidade e buscando enganar a opinião pública, diante da qual continua mantendo seus deveres de jornalista?

O ideal: antes de conversar com a imprensa, o assessor deve mostrar aos dirigentes do hospital o que está sendo falado e no que isso acarretará ao hospital. Sugira soluções como: palestras com os funcionários sobre direitos humanos e sobre ética hospitalar. Mostre a imprensa o que está sendo feito para que o atendimento melhore. Dizer que não há o problema pioraria a crise, e assumi-los sem demonstrar preocupação também.

Há de se lembrar que o assessor de imprensa vai contra o código de ética quando tenta defender a empresa a todo custo, ou seja, sem pensar se aquilo que está divulgando é mesmo real, verdadeiro. Muitos esquecem que o assessor deve divulgar tanto os pontos positivos quanto os negativos, porém com uma solução, ou informar que o caso já está sendo esclarecido e resolvido.


version 2/s/sociedade// @obvious, @obvioushp //Thais Moraes