epílogo

sobre mídia, sobre comportamento, sobre vida

Thais Moraes

Apaixonada, minimalista e analítica. Comunicóloga, Coach e Marketing Planner, tem a reflexão crítica como motivador cotidiano.

Diversidade na cultura Pop: somos bem representados? – PARTE II

Sobre a representatividade feminina nos HQs, Mangás e Animes, e a erotização


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No artigo anterior (leia aqui) discorri sobre a falha que há na máfia cinematográfica em tentar representar qualquer minoria, ou maiorias que mesmo assim não são bem aceitas na sociedade desde a época de nossos tataravós, e que hoje nem conseguimos mais entender o porquê que essas pessoas são tratadas e vistas de forma diferente.

Agora vamos adentrar num universo um pouco mais peculiar: os mangás, animes e HQs.

Primeira reflexão: nem toda ficção deve representar de forma integra qualquer coisa que seja, pois senão deixaria de ser ficção. Vamos entender que, nesse universo, as nossas vontades e desejos geralmente mais sombrios são abordados: aquele super-herói que sonhamos ser, aquele cara com o corpo musculoso que desejamos alcançar, aquela mulher super peituda que queremos um dia ter ao lado, os super-poderes, os pecados, os desejos que a sociedade obriga-nos a reprimir, etc. Eu vejo esse universo animado como uma válvula de escape.

Numa surrealidade como essa, os preconceitos e estereótipos se afloram. Não sei quando que foi decidido isso, mas a sociedade sempre tratou a mulher como um ser que simplesmente não podia ter hobbies e atividades que lhe davam prazer, até mesmo uma simples leitura de uma história em quadrinhos. Consequência: mulheres com peitos gigantescos, sendo estupradas, molestadas e submissas de forma natural, sempre frágeis e sem papéis importantes, cenas de sexo em meio a um combate, bem destoante da história real, só para agradar o leitor…eu poderia descrever muitas características.

Mas que mãe lê uma história em quadrinho antes de presentear seu filho? Nisso, muitos crescem acreditando que aquilo ali é normal, é o certo! Por outro lado, homens que trabalham muito e possuem família muitas vezes mergulham nessas leituras apenas como válvula de escape, como forma de alimentar suas fantasias e imaginação. É tudo questão de focar o público e, é claro, não exagerar (mais sobre isso no próximo tópico).

Não deve ser proibido erotizar uma história, mas porque só as mulheres? As mulheres conquistaram muita coisa nas últimas décadas, e se livraram de inúmeros estereótipos. Hoje, um rapaz “nerd” fica apaixonado por uma moça que também tenha esses hobbies que antes eram unicamente masculinos. Nessa mudança de realidade, esse novo público também deve ser agradado, não acham?

Isso foi percebido, sim, mas ainda está engatinhando. A ideia que os animes, mangás e HQs reforçam, de que a mulher, e somente ela, deve priorizar os sentimentos carnais do sexo oposto e agradá-lo, deve ser revista. Ao final deste artigo, você conhecerá alguns animes produzidos por mulheres, e que os homens adoram (!), e também sobre um rapaz talentosíssimo que faz seus mangás de uma forma bem diferente.

Exagero

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No Japão, mangás de caráter sexual envolvendo crianças e adolescentes é comum. Maud de Boer-Buquicchio, relatora especial da ONU para o tráfico de menores e a prostituição e pornografia infantis, afirmou, em novembro deste ano, que ainda que sejam virtuais, “esses conteúdos pedófilo-pornográficos extremos deveriam ser proibidos”. A maioria dos desenhistas de mangá e criadores de animes (desenhos animados japoneses) é oposta à ideia de proibir os quadrinhos e animações que exibem algum tipo de sexualização infantil, com o pretexto de que é difícil definir exatamente o que é ou não pedofilia e pornografia.

Maud também considerou que na lei japonesa persistem “numerosas lacunas” que permitem atividades comerciais, como a venda de DVDs, álbum de fotos na internet e lojas especializadas em fotos de meninas menores de 12 anos de biquíni ou o aluguel de estudantes para fazer companhia para homens adultos durante algumas horas. A prostituição infantil foi reduzida, mas o material pedófilo e pornográfico aumentou, principalmente on-line, indicou a representante. “Tudo isso supõe, evidentemente, atividades lucrativas. O preocupante é que essa tendência parece ser socialmente aceita e tolerada”, destacou.

No ano passado foram registrados no Japão 1.828 casos de pornografia infantil, afetando um total de 746 crianças, segundo as autoridades.

Fonte: Agência France-Presse

Animes/Mangás produzidos por mulheres

Os cavaleiros do Zodíaco – The Lost Canvas

Essa série em especial foi escrita e desenhada pela Shiori Teshirog. Muitos fãs da saga nem notaram que é uma mulher por trás dessa linda e detalhista série, e seu nome é facilmente confundido para quem não é do Japão. Nem toda história precisa menosprezar a imagem feminina, e a saga Cavaleiros é o maior exemplo disso.

Fullmetal Alchemist

Um dos mais aclamados mangás shounen dos últimos tempos e que conseguiu se destacar em meio a tantos outros hits da Shounen Jump – mesmo sendo publicado na modesta revista da Square, a Monthly Shounen GanGan. A autora Hiromo Arakawa mostrou nesse trabalho toda a sua genialidade, e com certeza, Fullmetal Alchemist será lembrado como um clássico.

InuYasha

Fez parte da infância de muitos. Talvez Rumiko Takahashi seja a maior autora do gênero. InuYasha, Ranma 1/2 e Urusei Yatsura são seus trabalhos mais conhecidos. Todos voltados para o público masculino. Mas, por não possuir caráter sexual e também não menosprezar a mulher, também agradou o público feminino.

Hikaru no Go

Muitos atribuem a obra ao mestre Obata Takeshi, mas a roteirista de toda a história foi Yumi Hotta. Além de ter criado um roteiro que envolve e conquista leitores de todas as idades, Hotta conseguiu a magia de unir um esporte desconhecido do mundo – o Go – em uma série extremamente popular e elogiada.

Os mangás de Hiro Kiyohara

Hiro ganhou notoriedade como ilustrador quando adaptou o romance que virou Best seller no Japão, Another. Sua versão mangá foi publicada entre 2010 e 2012 e a carreira de Hiro deslanchou desde então.

Em um bate-papo descontraído com os fãs na Comic Con Experience (que eu participei), Hiro nos disse que, quando era adolescente, não se sentia representado nos mangás que lia, e foi então que teve a ideia de adaptar a história do seu romance preferido. Qualidade, boa história e sensibilidade define o gosto do jovem escritor e desenhista.

Na busca em escrever história que jovens possam se identificar, Hiro escreveu e desenhou Feridas: conta a história de um jovem com um vida bem conturbada, que tem um pai alcoólatra que batia nele e em sua mãe, e que tempo depois é abandonado e vai morar com os tios.

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A grande sacada da história é o “poder” do protagonista: ele consegue transferir as feridas das pessoas para sua pele.

Só Você Pode Ouvir tem uma jovem como personagem principal. Ryo é solitária, não possui amigos na escola e se sente deslocada por não ter celular como todos os coleguinhas. Mas pra que ela teria um celular, se não tem amigos para ligar? Ela tem tanta vontade de ter um celular, que começa a imaginá-lo de todas as formas: tamanho, cor, fonte, toque de despertador. Certo dia, Roy ouvi seu celular imaginário tocar, e quando atende, ouve a voz de um garoto que sofria da mesma solidão que ela, e que também imaginara um celular. Assim começa uma amizade muito louca. Essa história abrange vários problemas atuais: o excesso da tecnologia e a depressão entre adolescentes.


Thais Moraes

Apaixonada, minimalista e analítica. Comunicóloga, Coach e Marketing Planner, tem a reflexão crítica como motivador cotidiano..
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