epílogo

sobre mídia, sobre comportamento, sobre vida

Thais Moraes

Apaixonada, minimalista e analítica. Comunicóloga, Coach e Marketing Planner, tem a reflexão crítica como motivador cotidiano.

Porque precisamos do Jornalismo Comunitário?

Corrupção na mídia tradicional. Excesso de informação na web. O Jornalismo Comunitário pode ser a solução.


É correto decretar o estado terminal do jornalismo, profissão essa tão importante para o exercício da democracia?

Para discutir tal indagação, deve-se primeiro analisar o estado de democracia em que vivemos hoje. Ao fim dos governos autoritários, as chamadas ditaduras, a democracia se instaurou como o direito do povo de escolher pessoas para as representarem de forma política, e assim tomar decisões que, teoricamente, seriam de acordo com o eleitorado. Muitos manifestos foram registrados desde então, que em sua maioria exigiram que a opinião do povo fosse considerada em determinadas situações.

A democracia tomou novo significado, principalmente depois da popularização das mídias digitais, com ênfase na internet: exercer a democracia hoje é ter acesso à informação política e econômica, e ter espaço de participação dentro desses sistemas. Nesse contexto, diversos mecanismos, como a Lei da Transparência, disponibilizam milhares de dados e informações, sendo esse o primeiro passo para que a cidadania seja exercida.

Se antes o papel do jornalismo na democracia era de fiscalizar os representantes do povo e levar as informações ao conhecimento do público, hoje, com o excesso de informação e milhares de produtores de conteúdo, o jornalismo deve exercer o papel de contextualizar/aprofundar essas informações, para assim propiciar e fomentar a participação pública. É ser aliado do público, já que agora eles também possuem as informações.

Mas o jornalismo enraizou um modelo industrial de produção e distribuição de notícias, e está com dificuldades de se reposicionar. As novas plataformas, a migração da publicidade e os novos hábitos do público têm confundido as redações convencionais.

O obstáculo está, principalmente, em admitir que esse modelo antigo de negócios não está atrelado à função social do jornalista, ou seja, abrir-se a novos sistemas não deveria ser uma barreira tão difícil de ser quebrada.

Nessa nova estrutura, em que o acesso à informação aumentou consideravelmente e que a internet como plataforma de mídias propicia espaço para a população participar, indagar e opinar, o jornalismo comunitário tem sido visto como uma das soluções para o novo fazer jornalístico.

Aproximar-se do público e instrumentalizá-lo, para que o bombardeio informacional não se transforme em um emaranhado de dados sem nenhuma informação, pode resgatar à função do jornalista da exclusividade que se perdeu em meio a tantos produtores de conteúdo. Proporcionar meios de participação e promover a transparência pode provocar no cidadão o sentimento de pertencimento à mídia, enxergando-se como aliados, e não como inimigos – como nos protestos de 2013, em que a mídia também foi alvo de fortes críticas.

O jornalismo comunitário tem como essência cobrir regiões menores, como um bairro, uma cidade ou uma região da cidade, como também pode ser exercido dentro de movimentos sociais ou representando grupos específicos, como os movimentos. Dessa maneira, instrumentalizar seu público alvo e permitir a participação dele dentro do veículo de comunicação não se torna uma tarefa complicada.

Tratar dos assuntos em microescala, ou seja, fugir das generalizações e tratar de assuntos que fazem parte do cotidiano do público também é uma maneira de lidar com a proliferação de conteúdo da web.


Thais Moraes

Apaixonada, minimalista e analítica. Comunicóloga, Coach e Marketing Planner, tem a reflexão crítica como motivador cotidiano..
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